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Ações da EDP caem 2,5% após aumento de capital com desconto de 23%

A EDP está a reagir em queda na bolsa ao anúncio de que vai emitir novas ações para financiar a aquisição da Viesgo em Espanha a 3,30 euros cada.

Reuters
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As ações da EDP negoceiam em terreno negativo na bolsa portuguesa esta quinta-feira, reagindo ao anúncio do aumento de capital de mil milhões de euros para financiar metade do valor que a empresa vai gastar na aquisição da Viesgo em Espanha.

Os títulos chegaram a perder 2,45%, mas agora reduziram a queda para 0,23%, cotando nos 4,36 euros por ação.

"Tendo em conta que se trata de uma expansão do negócio por parte da EDP, num país como a Espanha, penso que seja uma boa decisão por parte da empresa portuguesa", começa por dizer ao Negócios, Francisco Alves, analista da corretora Infinox.

Acrescenta que "esta é uma altura conturbada" para a empresa, mas apesar disso "este negócio já estava a ser preparado previamente por António Mexia", antigo CEO da empresa, que foi suspendo das suas funções, na semana passada, asism como João Manso Neto, enquanto presidente da EDP Renováveis. 

Os analistas do CaixaBank BPI consideram que a espanhola Viesgo "representa um bom ajuste estratégico com valor potencial e criação de ganhos por ação após o negócio estar concluído", de acordo com uma nota de análise. Sobre o aumento de capital na ordem dos mil milhões de euros, o banco de investimento diz que "permite que a empresa mantenha o nível de alavancagem inanlterado".  



A empresa liderada por Miguel Stilwell anunciou ontem que vai avançar a emissão de 309.143.297 novas ações, a 3,30 euros cada, o que representa um desconto de 23% face à última cotação de quarta-feira. A subscrição está "totalmente garantida" e a operação foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração Executivo". Aguarda apenas pela "luz verde" da CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários).

Quanto à reação a médio-prazo das ações da empresa portuguesa a este aumento de capital, o analista da Infinox acredita que "poderemos ver o preço da ação a estabilizar durante alguns dias. No entanto, a longo prazo, o potencial de subida é grande". 

A EDP vai gastar 2 mil milhões de euros nesta operação (investe 900 milhões de euros e assume dívida de 1,1 mil milhões de euros), naquela que será a maior aquisição desde a compra da Horizon em 2007 (2,7 mil milhões de dólares).

A Viesgo fica avaliada em 2,7 mil milhões de euros, sendo que os restantes 700 milhões de euros são investidos pela Macquarie Infrastructure and Real Assets (MIRA), parceira da EDP nesta operação.

Com esta operação a EDP arrecada 24 parques eólicos e duas centrais mini-hídricas localizadas em Espanha e Portugal, com capacidade instalada líquida total acima de 500 MW. Fica ainda com duas centrais de geração térmica da Viesgo no sul de Espanha e duas subsidiárias de distribuição de eletricidade da Viesgo, que é o quarto maior distribuidor de eletricidade em Espanha, com 700.000 clientes no norte do país.

Para os analistas do Bank of America, a aquisição da Viesgo por parte da EDP é "atrativa" e existe um lado claramente racional no acordo. O Goldman Sachs diz que é um passo importante para a empresa portuguesa acelerar o seu crescimento em Espanha. 

Habitualmente a EDP financia as suas aquisições com recurso a dívida, mas desta vez optou por emitir ações para não afetar a "desalavancagem contínua" da companhia. Assim, o negócio vai ter "um impacto neutro nas suas métricas de crédito", o que vai proporcionar "o reforço do perfil de baixo risco e o fortalecimento do balanço". No primeiro trimestre a dívida líquida da EDP situava-se em 12,7 mil milhões de euros, o valor mais baixo desde 2007 e que representa uma descida de 8% face ao período homólogo.

Na apresentação da operação aos analistas os gestores da EDP prometeram uma "remuneração acionista atrativa", com um limite mínimo (floor) de 19 cêntimos por ação. Mas adiantaram que a aquisição vai permitir um crescimento sustentável dos lucros por ação, o que permitirá "entregar um aumento do dividendo por ação".

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