Analistas: Escândalo das emissões pode custar à VW até 35 mil milhões
As acções da Volkswagen afundaram esta quarta-feira mais de 9% após ser revelado que há mais veículos afectados no escândalo das emissões poluentes. Uma tendência que poderá agravar-se, antecipam os analistas.
O escândalo das emissões poluentes da Volkswagen continua a agravar-se, penalizando as acções da fabricante automóvel. Após a empresa revelar que a manipulação abrange mais 800 mil veículos e inclui também as emissões de dióxido de carbono e os carros a gasolina, os títulos afundaram em bolsa. Uma tendência que pode ainda agravar-se, alertam os analistas.
As acções afundaram 9,50%, para 100,45 euros, durante a sessão de quarta-feira, retirando quase quatro mil milhões de euros do valor de mercado da fabricante de automóveis, que já perdeu quase um terço da sua capitalização bolsista desde que surgiram as primeiras notícias em Setembro. "Os investidores afastaram-se à espera que a tempestade passe", diz Ipek Ozkardeskaya. A imagem de "precisão, força, segurança e fiabilidade" alemã está seriamente afectada, sendo muito difícil avaliar o valor da marca Volkswagen neste momento, escreve a analista do London Capital Group numa nota para investidores.
"Continuamos cautelosos relativamente às acções, devido às incertezas sobre os custos futuros relacionados com o escândalo", diz Klaus Breitenbach, analista do Baader Bank. A Volkswagen anunciou que"uma estimativa inicial coloca os riscos económicos [da nova fraude] em aproximadamente dois mil milhões de euros", que acrescenta aos 6,7 mil milhões de euros guardados para cobrir os gastos de reparações de 11 milhões de veículos.
Os bancos de investimento avançam números mais elevados. O BNP Paribas elevou para 16 mil milhões de euros o valor para cobrir os custos de reparação – acrescentando 4 mil milhões devido às últimas revelações -, que inclui também compensações para os clientes (ao contrário do número da Volkswagen). Em custos legais estima um valor de 15 mil milhões de euros, o que perfaz um total de 31 mil milhões de euros. Com esta revisão, o banco cortou o preço-alvo da Volkswagen para 116 euros, temendo ainda "um impacto comercial mais duro", devido à desconfiança dos consumidores, indicam os analistas numa nota para investidores, publicada esta quarta-feira.
O UBS também estima que os custos de reparação possam chegar aos 10 mil milhões de dólares, o que eleva para 35 mil milhões de euros o custo total, ao adicionar possíveis multas e despesas legais. Apesar de as novas revelações colocarem mais pressão nas acções nas próximas sessões, os analistas do banco acreditam que a empresa liderada por Matthias Muller irá conseguir gerir a crise e mantêm a recomendação de investimento de "comprar" com um preço-alvo de 150 euros por acção.
Além das acções, o escândalo está a afectar também o mercado obrigacionista, tendo levado a Porsche a suspender uma emissão de dívida, esta quarta-feira. A Moody's cortou o "rating" da Volkswagen de A3 para A2, com perspectiva negativa, reflectindo "os riscos crescentes para a reputação e resultados futuros da Volkswagen, após o comunicado de 3 de Novembro".