Balanço de 2015: Venezuela tem melhor bolsa do ano, Ucrânia a pior
A instabilidade venezuelana não impediu que Caracas tivesse a bolsa com a maior valorização de 2015. Já a Ucrânia, penalizada pela instabilidade geopolítica, teve o pior desempenho. Brasil e Grécia também se destacaram pela negativa.
A Venezuela é a protagonista da maior valorização bolsista mundial, em 2015, mais do que duplicando de valor. Pelo contrário, a Ucrânia seguiu o caminho inverso, destacando-se pelas perdas. As economias emergentes costumam ter variações bolsistas mais expressivas, dado serem mais voláteis, pois estão associadas a um maior risco (seja económico, seja geopolítico).
A Venezuela é um dos exemplos, sendo que a bolsa de Caracas tem registado fortes subidas nos últimos cinco anos, quando se faz a conversão em dólares (para facilitar a comparação). Com uma inflação galopante já a raiar os 100% e com uma divisa altamente desvalorizada (bolívar), a bolsa venezuelana registou uma valorização superior a 270% em 2015. Isto numa economia muito penalizada pela forte desvalorização do preço do petróleo que se prolonga desde 2014. A Venezuela precisa que o Brent esteja pelo menos nos 50 dólares por barril, sendo que, esta quinta-feira, 31 de Dezembro negocia na casa dos 36 dólares.
Ucrânia cede
Em sentido contrário, a bolsa ucraniana foi a mais penalizada. À crise económica, social e geopolítica junta-se a bolsa ucraniana, que desvalorizou mais de 55% em 2015. A maior queda bolsista mundial no ano que agora termina.
Fustigada por uma guerra civil que se prolonga há já um ano e meio no leste do país, a Ucrânia beneficiou em 2015 do apoio financeiro da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.
No entanto, as perspectivas não melhoraram, não apenas devido à elevada dependência do país face à Rússia, designadamente em matéria energética, mas também porque não se vislumbra ainda uma solução para o conflito entre Kiev e as forças independentistas pró-russas.
Já depois de no passado Verão o FMI ter aprovado a primeira avaliação ao cumprimento do programa de assistência financeira à Ucrânia, a instituição liderada por Christine Lagarde estimou uma contracção do PIB ucraniano em 2015 de 9%.
Brasil em baixa
O Brasil também registou um comportamento negativo, com perdas superiores a 40% da sua bolsa. A recessão económica e o escândalo político minaram o desempenho bolsista do Ibovespa, penalizado pela queda do preço das matérias-primas e "commodities". Segundo a Bloomberg, é o terceiro ano seguido de recuos da bolsa, o maior ciclo desde 2002.
A Grécia também está nas maiores perdas, com o índice a recuar mais de 30%. Na Europa, as praças ocidentais tiveram desempenhos positivos, com Espanha e Inglaterra a serem excepções no Velho Continente.