Bolsa Bolsa do Paquistão perde 3 mil milhões após grave escalada de tensão com a Índia

Bolsa do Paquistão perde 3 mil milhões após grave escalada de tensão com a Índia

O principal índice bolsista paquistanês perdeu cerca de 3 mil milhões de dólares esta semana numa altura em que se regista a maior escalada de tensão no histórico conflito entre o Paquistão e a Índia desde pelo menos 2001.
Bolsa do Paquistão perde 3 mil milhões após grave escalada de tensão com a Índia
Reuters
David Santiago 27 de fevereiro de 2019 às 10:10

O agravamento da tensão geopolítica entre a Índia e o Paquistão está a causar apreensão nos mercados internacionais, levando as bolsas europeias para terreno negativo a exemplo do que foi já verificado nos mercados chineses.

 

Este reacendimento do histórico conflito entre Islamabad e Nova Deli está a penalizar ainda mais o já fragilizado principal índice bolsista paquistanês (KSE-100), que já perdeu cerca de 3 mil milhões de dólares esta semana e que, em fevereiro, apresenta o pior registo entre as bolsas mundiais.

 

O KSE-100 recua pela quinta sessão consecutiva depois de, esta manhã, já ter chegado a descer 3,84% para o valor mais baixo desde 1 de janeiro. Também o principal índice bolsista indiano (BSE Sensex) segue em queda, embora bem mais moderada (-0,10%). Com fortes quedas seguem também as empresas Ascelik (-2,4%) e Coca-Cola Icebek (-3,4%), cotadas na bolsa turca mas que operam naqueles países. 

 

De acordo com Mattias Martinsson, diretor de investimentos da Tundra Fonder citado pela agência Bloomberg, a bolsa paquistanesa sofre maior impacto do que a indiana porque a comunidade internacional tenderá a atribuir maiores responsabilidade a Islamabad do que a Nova Deli pela maior escalada de tensão em décadas entre estas duas potências nucleares que partilham uma longa fronteira terrestre e que desde a respetiva independência mantêm um conflito territorial.

 

No entanto, Martinsson não antecipa hostilidades por parte da comunidade internacional relativamente ao Paquistão, em especial devido ao papel moderador que a China e a Arábia Saudita deverão desempenhar doravante de forma a diminuir a tensão regional.

A espoletar esta nova crise indo-paquistanesa esteve o ataque aéreo levado a cabo esta terça-feira pelas autoridades indianas contra um campo de treino situado na Caxemira paquistanesa que, segundo Nova Deli, provocou a morte de um número significativo de militantes do grupo jihadista JeM (Jaish-e-Mohammed). Ontem, a agência Reuters fazia referência a cerca de 300 baixas neste grupo islamista. Antes desta operação, as autoridades indianas tinham anunciado a detenção de mais de 150 pessoas alegadamente envolvidas num movimento separatista na região de Caxemira.

Esta operação da força aérea indiana foi classificada de "ataque preventivo" justificado pela necessidade de antecipar aquilo que poderia ser uma ofensiva "iminente" por parte do JeM. As autoridades paquistanesas confirmaram que meios aéreos sobrevoaram uma pequena parte do espaço aéreo do Paquistão mas desmentiram a existência de mortes. No entanto, Islamabad prontificou-se a avisar que a ação de Nova Deli teria uma resposta proporcional. 

A resposta chegou já esta quarta-feira. O Paquistão anunciou ter abatido dois aviões indianos que sobrevoavam a região de Caxemira na zona paquistanesa, tendo aprisionado os pilotos. Entretanto, a agência indiana ANI adianta que um caça F-16 paquistanês terá também sido abatido após invadir o espaço aéreo indiano até 3 km para lá da fronteira entre os dois poaíses.

Aguardam-se nesta altura as reações oficiais por parte dos líderes de ambos os países, sendo que as agências de notícias internacionais avançam que o primeiro-ministro indiano Narendra Nodi está já reunido com oficiais de topo do exército da Índia. Islamabad decidiu entretanto encerrar o espaço aéreo paquistanês, incluindo a voos comerciais. Quem também reagiu foi o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, com Mike Pompeo a instar as duas partes a evitarem uma escalada militar "a qualquer custo". 

Maior escalada em largos anos

Esta escalada é seguramente a mais relevante dos últimos anos, pelo menos desde 2001, ano em que as duas capitais posicionaram mísseis balísticos junto à fronteira partilhada na sequência de um ataque ao parlamento de Nova Deli cuja responsabilidade foi atribuída pelas autoridades indianas ao grupo islamista JeM. 

No entanto, é a primeira vez que se assiste a ataques aéreos mútuos desde a guerra de 1971, pelo que a gradação da gravidade deste agravamento de tensão dependerá dos termos de comparação escolhidos. É que, por outro lado, estes ataques representam a primeira ação direta entre os vizinhos desde a curta guerra dos Himalaias em 1999.


O primeiro passo para o agudizar do latente conflito indo-paquistanês foi dado no passado dia 18 de fevereiro quando quatro militares e um polícia foram mortos na sequência de um tiroteio que envolveu militantes separatistas durante uma operação de Nova Deli contra o JeM. Esta operação foi executada depois de o JeM ter realizado um ataque suicida na Caxemira indiana que provocou cerca de quatro dezenas de baixas no exército indiano.

Desde a partição da Índia em 1947, que deu origem a dois Estados independentes (agora designados de Paquistão e Índia e que entretanto ), houve três confrontações militares sino-paquistanesas entre outros conflitos por procuração, todos tendo como motivo a histórica disputa de Caxemira, região partilhada entre Paquistão, Índia e China.

(Notícia atualizada às 10:45)




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