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Gabriel Bernardino: Cripto podem atrair novos investidores para os mercados

O sucessor apontado pelo Governo para suceder a Gabriela Figueiredo Dias na liderança da CMVM mostra-se preocupado com novas realidades como as criptomoedas, mas diz que é preciso não ignorar as oportunidades.

Miguel A. Lopes / Lusa
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 19 de Outubro de 2021 às 19:49
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Gabriel Bernardino, o próximo presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, está atento aos riscos e oportunidades criados por novas realidades, como as critpomoedas. Reconhecendo que é  "impossível proibir as criptomoedas", Bernardino diz que o desafio dos reguladores é assegurar a proteção dos investidores, mas pode também tirar-se proveito desta situação: "os jovens terem maior apetência ao investimento pode ser positivo". 

A Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP) já deu o luz verde à escolha de Gabriel Bernardino para a CMVM. Numa audição na Comissão de Orçamento e Finanças, obrigatória no âmbito do processo de indigitação para líder da CMVM, Gabriel Bernardino mostrou-se preocupado com os desafios que novas realidades, muitas delas assentes nas redes sociais, levantam do ponto de vista da regulação. Ainda assim, o futuro presidente do regulador do mercado diz que não é possível travar a evolução do próprio mercado.

"Há realidades que não podemos proibir. É impossível proibir a cripto. Não vai resultar", apontou Gabriel Bernardino, questionado sobre os riscos colocados por estes ativos. Para o próximo presidente da CMVM, fundamental é garantir que o regulador tem poderes e competências para analisar o que se passa nas redes sociais, locais onde muitas pessoas dão aconselhamento financeiro sem terem competências para tal.

A proteção de investidores mais jovens é aqui uma prioridade. Mas há que ver também o lado positivo e o potencial que estes ativos têm para captar novos investidores para os mercados. A solução para prevenir situações de risco é, na opinião de Gabriel Bernardino, "muita pedagogia e contacto" com os investidores.

O próximo presidente da CMVM garante, assim, que o supervisor não deve  travar a inovação, mantendo uma "atitude positiva face à inovação, mas assegurando a manutenção de elevados padrões de estabilidade financeira e de proteção dos investidores".

Mas os riscos não estão só nos criptoativos. As bolsas e o nível de avaliações atuais merecem a atenção do responsável. "Assiste-se neste momento a elevados níveis de avaliação dos ativos, nomeadamente das ações, os quais parecem traduzir uma desconexão com a economia real, levantando dúvidas sobre a sua sustentabilidade", alertou.

Mercado é oportunidade 

Enquanto presidente da CMVM, Bernardino quer promover o desenvolvimento do mercado de capitais português, o qual acredita que deve ter um papel ativo na recuperação da economia e na poupança dos portugueses, sobretudo na poupança para a reforma.

"A União do Mercado de Capitais é uma oportunidade para desenvolver mercado de capitais também em Portugal", acrescenta. E para o próximo presidente da CMVM, a bolsa é uma solução para reduzir os níveis de endividamento do tecido empresarial português.

"Se olharmos para o tecido empresarial e para o que que são as nossas PME há necessidade de capitalização. Se há uma coisa que não precisam é de mais endividamento", adianta.

Os novos negócios, lançados por start-ups são outra área onde Bernardino vê o mercado como uma solução para os problemas de financiamento. Para promover o acesso ao mercado, o próximo presidente da CMVM diz que o novo código dos valores mobiliários vai no sentido certo, assumindo que vai continuar o processo de simplificação dinamizado pela atual direção do regulador.

Já no plano da poupança, Bernardino garante que o novo produto de poupança para a reforma europeu, o PEPP, cuja comercialização vai arrancar em março do próximo ano, é uma oportunidade que deve ser explorada.

"É importante criar condições para que as pessoas possam ter regimes complementares (de poupança para a reforma), mas que possam traduzir algo positivo para a reforma" e o PEPP é uma solução que pode promover esses objetivos.

Na audição no Parlamento, Bernardino adiantou ainda que para cumprir as suas competências, a CMVM precisa de ter os meios adequados e autonomia, eliminando-se "constrangimentos à sua gestão".




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