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Grupo EDP perde mais de 1,2 mil milhões em dois dias

As empresas do grupo EDP afundaram em bolsa. Em dois dias as quedas ascendem a 7,88% na eléctrica e a 11% na renováveis. No total, a capitalização do grupo encolhe mais de 1,2 mil milhões de euros.

Miguel Baltazar
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 10 de Novembro de 2016 às 15:53
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As acções da EDP Renováveis desceram 5,82% para 5,732 euros, o que corresponde ao valor de fecho mais baixo desde 24 de Setembro de 2015, ainda que durante as sessões tenha registado um valor mais baixo no primeiro dia pós-Brexit. Já ontem as acções tinham perdido 5,70%, o que eleva para 11,19% a queda acumulada em dois dias. Em termos de capitalização bolsista, a empresa liderada por Manso Neto está a valer menos 629,8 milhões de euros.

 

A pesar na negociação da EDP Renováveis está sobretudo o resultado das eleições dos EUA, que aumenta a incerteza sobre o futuro da empresa naquele país, um mercado que tem já um peso significativo nas contas desta cotada.

 

E este comportamento acaba por pesar na casa-mãe. A EDP, que ontem caiu 3%, deslizou 4,96% para 2,699 euros, sendo a primeira vez desde Julho que as acções fecharam abaixo dos 2,70 euros. A queda de hoje eleva para 7,88% a queda em dois dias, o que corresponde a menos 624,85 milhões de euros, em capitalização.

Além destas variações, o dia foi acompanhado por uma elevada liquidez, tendo trocado de mãos mais de 1,3 milhões de acções esta quinta-feira, 10 de Novembro, quando a média diária dos últimos seis meses é de 345,19 mil títulos. E foram transaccionadas 10,49 milhões de acções da EDP, quando a média diária dos últimos seis meses é de 5,7 milhões.

 

A perspectiva de que a administração de Donald Trump não aposte em energias limpas está a pressionar as acções da Renováveis.

 

O peso dos EUA nas contas da EDP Renováveis é já significativo. Nos primeiros nove meses do ano, a capacidade instalada EBITDA ascendeu a 9.379 MW, sendo que deste valor praticamente metade veio dos EUA (4.233 MW).

 

Na apresentação dos resultados do terceiro trimestre, a EDP Renováveis revelou que "em termos de capacidade EBITDA foram adicionados 502 MW, dos quais 299 MW nos EUA". Além disso, "nos EUA, foram concluídos dois parques eólicos: Waverly (199 MW; Kansas) e Arbuckle (100 MW; Oklahoma)".

 

O mercado americano tem sido uma grande aposta da empresa, havendo agora uma grande incerteza sobre que política energética vai ser prosseguida no país.

 

Na semana passada, "o presidente executivo da EDPR tentou acalmar os receios dos investidores sobre o aumento do risco político nos EUA", provocado pelos resultados eleitorais, afirmando que "os principais catalisadores do crescimento do negócio das renováveis no mercado dos EUA não dependem directamente do presidente", sublinhou o Haitong numa nota emitida na semana passada, após a conferência com analistas.

 

Apesar deste contexto, Manso Neto "reconheceu que o presidente terá um impacto directo na implementação" do programa de energias limpas.

 

O Haitong diz "concordar com a maioria dos argumentos", bem como com o facto de que o "impacto tangível dos presidentes dos EUA na política energética é inferior do que é habitualmente percepcionado", ainda que possa haver um impacto significativo de "um sentimento desfavorável" em relação ao próximo presidente dos EUA.

(Notícia actualizada às 16:59 com os valores de fecho)

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