Petróleo e guerra voltam a atirar Wall Street para o vermelho. Dow escapa às perdas
Uma valorização do crude e incerteza sobre o futuro da guerra no Médio Oriente pressionaram os índices dos EUA na primeira sessão da semana. Ainda assim, comentários do líder da Fed, que sinalizou que uma subida dos juros não estará para já nos planos, deram algum fôlego aos investidores. Isto num dia em que cotadas do setor do alumínio valorizaram à boleia do conflito.
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Os principais índices norte-americanos encerraram a sessão desta segunda-feira com uma maioria de perdas, prolongando o “sell-off” vivido entre os ativos de risco norte-americanos num contexto de receios de uma escalada da guerra no Médio Oriente. Ainda que tenham negociado grande parte do dia com ganhos, uma subida dos preços do crude – num dia em que o West Texas Intermediate fechou acima dos 100 dólares por barril pela primeira vez desde 2022 – prejudicou o sentimento dos investidores.
O “benchmark” S&P 500 perdeu 0,39%, para os 6.343,72 pontos. Já o Nasdaq Composite caiu 0,73%, para os 20.794,64 pontos. O Dow Jones, por sua vez, valorizou 0,11% para os 45.216,14 pontos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu numa publicação nas redes sociais que os EUA “estão em negociações sérias” com o Irão para pôr fim às operações militares, ao mesmo tempo que reiterou as ameaças de destruir os ativos energéticos do país caso o estreito de Ormuz não seja reaberto em breve, alimentando a incerteza sobre o futuro do conflito.
Durante o dia, os investidores também avaliaram afirmações do presidente da Reserva Federal (Fed), Jerome Powell. O líder do banco central dos Estados Unidos (EUA) disse num discurso que as tarifas abrangentes da Administração Trump resultaram num aumento pontual nos preços e que o banco central tem pouco controlo sobre os choques de oferta, como o causado pelos constrangimentos no fornecimento de petróleo e que resulta na aceleração da inflação – sinalizando que um aumento das taxas em breve poderá não estar nos planos da Fed.
Mike Wilson, da Morgan Stanley, afirmou à Bloomberg que há cada vez mais indícios de que a queda das ações nas últimas cinco semanas “está a aproximar-se da sua fase final”. Nesta linha, o S&P 500 está a caminho de registar o seu pior mês desde 2022, enquanto o Nasdaq 100 está já a negociar cerca de 11% abaixo do seu último recorde, atingido em outubro do ano passado, depois de na passada sexta-feira ter ultrapassado o limiar que indica uma correção técnica - queda de, pelo menos, 10% em relação ao último máximo histórico.
E à medida que o mercado energético continua a enfrentar fortes disrupções, as cotadas deste setor têm sido beneficiadas pela escalada dos preços da energia e já fixaram uma subida durante 14 semanas consecutivas, a mais longa série de ganhos de sempre, segundo dados da agência de notícias financeiras.
Entre os movimentos do mercado, cotadas do setor do alumínio, incluindo a Alcoa (+8,28%) e a Century Aluminum (+7,25%), ganharam terreno após uma subida do preço do metal na sequência de ataques do Irão a instalações de alumínio no Médio Oriente.
Quanto às “big tech”, a Nvidia caiu 1,40%, a Apple desvalorizou 0,87%, a Microsoft avançou 0,61%, a Alphabet perdeu 0,23%, a Amazon pulou 0,81% e a Meta somou 2,03%.