Europa inverte pessimismo inicial e negoceia no verde. Guerra dá força ao dólar
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta segunda-feira.
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Taxa Euribor desce a três meses e sobe a seis e a 12 meses
A taxa Euribor desceu hoje a três meses e subiu a seis e a 12 meses em relação a sexta-feira.
Com as alterações de hoje, a taxa a três meses, que recuou para 2,122%, continuou abaixo das taxas a seis (2,529%) e a 12 meses (2,932%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje, ao ser fixada em 2,529%, mais 0,025 pontos do que na sexta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a janeiro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,93% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,78% e 24,98%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também subiu hoje, para 2,932%, mais 0,072 pontos do que na sessão anterior.
Em sentido contrário, a Euribor a três meses baixou hoje, ao ser fixada em 2,122%, menos 0,005 pontos.
Em 19 de março, o BCE manteve as taxas diretoras, de novo, pela sexta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 29 e 30 de abril em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa inverte pessimismo inicial e negoceia no verde
As principais praças europeias conseguiram recuperar do pessimismo inicial e negoceiam agora em território positivo, apesar de o conflito no Médio Oriente continuar a não dar tréguas e os preços do petróleo estarem, mais uma vez, a registar subidas. Apesar de a inflação continuar a ser uma preocupação central dos investidores, o impacto da guerra no crescimento económico começa a ganhar relevância nos mercados e a diminuir as probabilidades dos bancos centrais avançarem com uma restrição monetária muito agressiva.
"Embora a inflação continue a ser motivo de preocupação, o potencial impacto negativo sobre o crescimento e a confiança deverá começar a funcionar como um fator de compensação, limitando novas subidas nos juros das dívidas soberanas", explica Francisco Simón, diretor de estratégia para a Europa da Santander Asset Management, à Bloomberg. "A par do petróleo, consideramos que o mercado obrigacionista é atualmente uma das manifestações mais evidentes da forma como os mercados estão a precificar o impacto do conflito nas perspetivas macroeconómicas", acrescenta.
Neste contexto, o Stoxx 600 conseguiu reverter as perdas iniciais e avança, neste momento, 0,38% para 577,47 pontos, beneficiando de um recuo nas probabilidades de o Banco Central Europeu (BCE) subir as taxas de juro já em abril. O mercado de "swaps" dava como quase certo um aperto na próxima reunião, mas, entretanto, a probabilidade caiu para 60% - fruto também das palavras do governador francês em entrevista a um jornal italiano.
"Estamos prontos para agir nesse sentido [de apertar a política monetária], se for necessário", garantiu François Villeroy de Galhau, citado pelo jornal La Stampa, esta segunda-feira. No entanto, o governador considera "o debate sobre datas muito prematuro", referindo ainda que os cenários adversos e severos projetados pelo BCE podem estar a dramatizar o impacto da guerra na inflação - uma vez que não têm em conta qualquer movimento por parte do banco central.
A guerra no Irão chegou ao segundo mês com um agravamento das hostilidades. O grupo rebelde Houthi, aliado do Irão no Iémen, entrou oficialmente no conflito com um ataque de mísseis contra Israel, enquanto os EUA estão a reforçar a sua presença militar na região. Numa entrevista ao Financial Times, Donald Trump endureceu a narrativa, ao afirmar que quer apoderar-se do petróleo iraniano e poderá vir a tomar a ilha de Kharg - apesar de, no dia anterior, ter indicado que Teerão tinha concordado em ceder a grande parte dos 15 pontos apresentados na proposta de paz norte-americana.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX ganha 0,09%, o espanhol IBEX 35 acelera 0,79%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,4%, o francês CAC-40 sobe 0,38%, ao passo que o neerlandês AEX salta 0,54% e o britânico FTSE 100 ganha 0,69%.
Juros aliviam na Zona Euro após comentários de Villeroy
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar com alívios esta segunda-feira, num dia em que as principais praças europeias conseguiram recuperar do pessimismo do arranque da sessão, apesar de uma nova escalada do conflito no Médio Oriente ter levado o petróleo a negociar acima dos 116 dólares por barril.
O mercado de "swaps" continua a apostar em três subidas nas taxas de juro de 25 pontos base este ano por parte do Banco Central Europeu (BCE), mas os investidores estão menos certos de que possa acontecer já na próxima reunião. Esta segunda-feira, o governador do banco central de França, François Villeroy de Galhau, afirmou ao jornal italiano La Stampa que a autoridade monetária está pronta a agir, mas que ainda é demasiado cedo para estar a discutir um aperto.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, recuam 1,7 pontos base para 3,072%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade cai 3,4 pontos para 3,796%. Já em Itália, os juros recuam 3.2 pontos para os 4,014%.
Pela Península Ibérica, regista-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a aliviar 3,1pontos base para 3,539%. A “yield” das obrigações espanholas, por sua vez, cede 2,6 pontos, para 3,599%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, aliviam 3,2 pontos base, para 4,938%.
Possível intervenção no iene leva moeda a recuperar de mínimos de 2024. Guerra dá força ao dólar
O iene está a conseguir valorizar contra o dólar norte-americano, rompendo a tendência de queda das últimas sessões e conseguindo contrariar as pressões da guerra, que têm vindo a reforçar a posição da "nota verde" como ativo de refúgio predileto dos investidores. A divisa nipónica está a conseguir recuperar de mínimos de julho de 2024, depois de o vice-ministro das Finanças para Assuntos Internacionais do Japão, Atsushi Mimura, ter admitido intervir no mercado cambial.
"Estamos a constatar que a especulação está a aumentar no mercado cambial, para além do mercado de futuros do petróleo. Se esta situação persistir, em breve serão necessárias medidas decisivas", declarou, citado pelo jornal económico Nikkei. A esta hora, o dólar norte-americano cai 0,38% para 159,70 ienes, depois de ter conseguido ultrapassar os 160 ienes na semana passada - nível que é visto como de potencial intervenção.
"Consideramos que o limiar para uma intervenção no par dólar/iene está mais elevado, uma vez que a subida se deve a um choque negativo nos termos de troca e não a fluxos especulativos", explica Mahjabeen Zaman, diretor de mercados cambiais do ANZ Banking Group, à Bloomberg. "As intervenções realizadas anteriormente não tiveram sucesso a médio prazo, uma vez que as forças de mercado irão provavelmente enfraquecer o iene num contexto de preços do petróleo mais elevados", acrescenta.
Por sua vez, o euro desliza 0,11% para 1,1496 dólares e a libra cede na mesma medida para 1,3244 dólares, ambos pressionados por novos desenvolvimentos na guerra do Médio Oriente. A entrada dos Houthis no conflito e o reforço da presença militar norte-americana na região está a levar os investidores a apostarem numa escalada da guerra, mesmo com Donald Trump a sinalizar negociações com o Irão, levando o preço do petróleo a ultrapassar os 116 dólares.
Ouro acima dos 4.500 dólares com guerra no Irão a entrar na quinta semana
O ouro está a negociar em território positivo esta segunda-feira, conseguindo manter-se acima dos 4.500 dólares, depois de ter registado a primeira semana de ganhos desde o estalar do conflito no Médio Oriente. Os investidores estão a aproveitar as desvalorizações mais recentes para voltar a apostar no metal precioso, que perdeu o estatuto de refúgio ativo predileto dos mercados com a guerra, numa altura em que tanto os EUA como o Irão dão sinais contraditório em relação a um possível fim do conflito.
A esta hora, o ouro avança 0,68% para 4.525,59 dólares por onça, tendo chegado a valorizar mais de 1,3% esta madrugada. Este movimento acontece apesar de uma subida nos preços do petróleo, que têm vindo a diminuir a atratividade do metal precioso, com os investidores a preparam-se para uma nova crise inflacionista no mundo que leve os bancos centrais a apertarem a sua política monetária - o que tende a ser negativo para o ouro, uma vez que não rende juros.
A entrada do grupo rebelde Houthi, do Iémen, na guerra só veio aumentar a incerteza nos mercados, com os "traders" a recearem uma nova escalada no conflito. Ao mesmo tempo, os EUA estão a reforçar a sua presença militar no Médio Oriente, isto numa altura em que se fala de uma possível invasão terrestre no Irão e o Wall Street Journal afirma que o Pentágono está a preparar opções para o país conseguir tomar o urânio iraniano.
Em entrevista ao Financial Times, Donald Trump falou também das suas intenções de "apropriar-se do petróleo" detido pelo regime de Mojtaba Khamenei e ainda da possibilidade dos EUA virem a controlar a ilha de Kharg, onde são geridas as exportações de crude no Irão. "Talvez nos apropriemos da Ilha de Kharg, talvez não, temos muitas opções", referiu, acrescentando que o Irão concordou em permitir que 20 petroleiros atravessem o estreito de Ormuz a partir da manhã de segunda-feira e durante os próximos dias.
"O ouro poderá continuar vulnerável a curto prazo", afirma Alexandre Carrier, gestor de carteiras do DNCA Invest Strategic Resources Fund, à Bloomberg. O analista destaca ainda o risco de novas vendas do metal precioso por parte dos bancos centrais face às consequências do conflito, além de uma liquidação de posições dos investidores para cobrirem perdas noutras classes de ativos, como as ações.
Entrada dos Houthi no conflito leva petróleo a ultrapassar os 116 dólares
A entrada do grupo rebelde Houthi no conflito e o reforço da presença militar dos EUA na região não está a dar tréguas aos preços do petróleo. Pela terceira sessão consecutiva, o crude está a valorizar e chegou a ultrapassar os 116 dólares, atingindo máximos de uma semana e meia, numa altura em que os investidores se mostram cada vez menos otimistas em relação a um fim da guerra no curto prazo - apesar de Donald Trump, Presidente norte-americano, até ter sinalizado que as negociações para um cessar-fogo estão a correr bem.
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Irão não dá tréguas aos investidores e volta a atirar Ásia e Europa para o vermelho
Os principais índices asiáticos encerraram a primeira sessão da semana pintados de vermelho, numa altura em que a guerra no Médio Oriente continua sem dar sinais de estar mais próxima do fim. No fim de semana, o grupo rebelde Houthi, do Iémen, entrou oficialmente no conflito ao lançar um ataque com mísseis contra Israel, enquanto os EUA reforçaram a sua presença militar na região - dias depois de Donald Trump, Presidente norte-americano, ter adiado o prazo dado ao Irão para reabrir o estreito de Ormuz.
O MSCI Asia Pacific - o índice de referência para a região - caiu mais de 2%, pressionado ainda por um novo aumento dos preços do petróleo, com o Brent a ultrapassar os 115 dólares. Pela Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura em território negativo, com o Euro Stoxx 50 a ceder 0,4%, numa altura em que os investidores continuam a ajustar expectativas em relação ao futuro da política monetária da região - apesar de vários membros do Banco Central Europeu (BCE) já terem vindo a público defender uma resposta mais cautelosa.
"Os mercados passaram um mês a precificar um conflito breve e contido", explica Hebe Chen, analista sénior de mercados da Vantage Global Prime, à Bloomberg. "Esse otimismo ilusório foi agora desfeito com a entrada dos houthis [na guerra] durante o fim de semana. O cenário está a ser reescrito a partir desta semana, à medida que o risco de uma guerra prolongada se torna cada vez mais credível", acrescenta ainda.
A ajudar à incerteza, o Wall Street Journal noticiou que Trump estará a ponderar avançar com uma intervenção militar terrestre para confiscar o urânio iraniano. A hipótese de os EUA enviarem tropas para o terreno tem vindo a ser explorada na última semana, apesar de a Casa Branca insistir que estes preparativos do Pentágono não são vinculativos e que nenhuma decisão foi até agora tomada.
Ao mesmo tempo, o Presidente dos EUA veio a público dizer que as negociações com o Irão continuam, apesar de o regime liderado por Mojtaba Khamenei negar que estejam a acontecer, e que a República Islâmica cedeu em grande parte dos 15 pontos apresentados ao país na semana passada. Apesar disso, Trump deu uma entrevista ao Financial Times no domingo a dizer que pretende "apropriar-se do petróleo" iraniano e que está em cima da mesa controlar o centro de exportação da Ilha de Kharg - um movimento que pode acabar por escalar ainda mais o conflito.
Neste contexto, os principais índices asiáticos acabaram a sessão bastante pressionados. O sul-coreano Kospi chegou a afundar mais de 5%, terminando a sessão com perdas de 3,33%, enquanto o japonês Nikkei 225 caiu 3,24% e o australiano S&P/ASX 200 cedeu 1,46%. Pela China, a negociação dividiu-se entre ganhos e perdas, com o Hang Seng, de Hong Kong, a cair 0,62% e o Shanghai Composite a avançar 0,20%.
Japão pondera "medidas decisivas" com iene no nível mais baixo desde 2024
Tóquio informou hoje que considera tomar "medidas decisivas" face à desvalorização do iene, que caiu para 160 unidades por dólar, o nível mais baixo em mais de 18 meses, devido à subida dos preços do petróleo.
"Estamos a constatar que a especulação está a aumentar no mercado cambial, para além do mercado de futuros do petróleo. Se esta situação persistir, em breve serão necessárias medidas decisivas", declarou o vice-ministro das Finanças para Assuntos Internacionais do Japão, Atsushi Mimura, citado pelo jornal económico Nikkei.
O principal diplomata japonês em matéria de divisas utilizou, pela primeira vez desde que assumiu o cargo em julho de 2024, o termo "decisivo", uma expressão que os operadores costumam interpretar como um sinal de que as autoridades estão dispostas a intervir.
As declarações de Mimura, que constituem o aviso mais enérgico até ao momento sobre uma possível intervenção, surgem depois de o iene ter atingido na sexta-feira, em Nova Iorque, o nível mais baixo desde julho de 2024, altura em que as autoridades japonesas intervieram pela última vez.
O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou na comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes que o banco central continuará a "acompanhar de perto" as tendências no mercado cambial, mas que, em comparação com 2025, as empresas estão a ser mais proativas no que diz respeito ao aumento dos salários, o que faz com que as flutuações da taxa de câmbio influenciem as tendências dos preços.
Neste contexto, a Bolsa de Tóquio abriu hoje em forte queda, a perder mais de 4,5% devido a preocupações com uma escalada da guerra no Médio Oriente e eventuais repercussões no abastecimento energético, numa altura em que os rebeldes Huthis do Iémen se juntaram ao conflito e há relatos que apontam para uma possível incursão terrestre dos Estados Unidos no Irão.