Quais as vantagens e desvantagens de levar os CTT para a bolsa?
A associação de pequenos investidores ATM acredita que há mais benefícios do que desvantagens na ida dos Correios de Portugal para o mercado de capitais: seja para a empresa ou seja para a própria Bolsa de Lisboa.
A ATM, associação que pretende representar pequenos investidores na Bolsa de Lisboa, está satisfeita com a opção do Governo em colocar o capital dos CTT – Correios de Portugal em bolsa.
A 8 de Agosto, o presidente da Associação de Investidores e Analistas Técnicos escreveu um artigo em que sublinhou que a dispersão de capital em bolsa “tem quantitativa e qualitativamente mais e melhores factores positivos do que negativos, pelo que faz todo o sentido o Governo português optar por essa solução”.
Agora, é mesmo este o caminho que os Correios de Portugal vão seguir. O Governo decidiu-se, esta quinta-feira, a vender até 70% do capital da empresa a investidores em bolsa.
Octávio Viana admitia, no referido artigo, que há desvantagens nesta opção, desde logo uma maior ligação à evolução do mercado de capitais no seu todo (actualmente, Portugal está condicionado pelo resgate financeiro) e o risco de a empresa ser gerida com vista aos resultados no curto prazo (para beneficiar a cotação em bolsa e não com os olhos colocados no longo prazo). Contudo, as vantagens são em maior número e, segundo o presidente da ATM, extensíveis não só à empresa mas também aos contribuintes e à própria Bolsa de Lisboa.
Desde logo, como disse Octávio Viana ao Negócios esta semana, a entrada de uma nova empresa em bolsa, animando um mercado paralisado, vem trazer alguma força ao capitalismo popular, prejudicado pelas ofertas públicas de aquisição sobre a Cimpor e a Brisa – que acabaram por retirar estas duas empresas do principal índice de referência de Lisboa, o PSI-20 (no segundo caso, a concessionária também saiu da bolsa).
Mas, além disso, leva a empresa para um caminho internacional - cotada na NYSE Euronext, está mais exposta a investidores.
A favor
Acesso a capital novo
Em bolsa, a empresa acede a novo capital, o que poderá reforçar e optimizar a sua estrutura de capital.
Marca internacional
Estando cotados na NYSE Euronext, os CTT estarão mais expostos e terão uma maior visibilidade do que sendo adquiridos por um único comprador.
Informação disponível
A cobertura dos CTT por analistas, pelos meios de comunicação social e pela regulação da CMVM, obriga à divulgação de maior informação sobre a estrutura e negócio da empresa.
Diversificação da bolsa de Lisboa
A ida dos CTT para a Bolsa de Lisboa, e possivelmente para o PSI-20, permitirá a substituição de empresas menos líquidas, dando um maior interesse à praça nacional.
Contra
Perda de controlo da empresa
Com o capital disperso em bolsa, o controlo dos CTT fica mais disperso.
Incertezas sobre encaixe financeiro
Não há uma negociação directa com um investidor único, o que coloca uma maior incerteza no dinheiro que será arrecadado com a operação.
Pressão dos mercados
Estando cotada, e sob pressão dos accionistas, a orientação da empresa poderá ser a de curto prazo, à custa de um rumo a longo prazo.
Valor acompanha economia
Em bolsa, os CTT estarão avaliados pela cotação - oscilante - das suas acções, o que não acontece actualmente - o valor é fixo. O que levanta dúvidas no actual ambiente macroeconómico recessivo em Portugal.