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Quais as vantagens e desvantagens de levar os CTT para a bolsa?

A associação de pequenos investidores ATM acredita que há mais benefícios do que desvantagens na ida dos Correios de Portugal para o mercado de capitais: seja para a empresa ou seja para a própria Bolsa de Lisboa.

10 de Outubro de 2013 às 16:41

A ATM, associação que pretende representar pequenos investidores na Bolsa de Lisboa, está satisfeita com a opção do Governo em colocar o capital dos CTT – Correios de Portugal em bolsa.

A 8 de Agosto, o presidente da Associação de Investidores e Analistas Técnicos escreveu um artigo em que sublinhou que a dispersão de capital em bolsa “tem quantitativa e qualitativamente mais e melhores factores positivos do que negativos, pelo que faz todo o sentido o Governo português optar por essa solução”.

Agora, é mesmo este o caminho que os Correios de Portugal vão seguir. O Governo decidiu-se, esta quinta-feira, a vender até 70% do capital da empresa a investidores em bolsa.

Octávio Viana admitia, no referido artigo, que há desvantagens nesta opção, desde logo uma maior ligação à evolução do mercado de capitais no seu todo (actualmente, Portugal está condicionado pelo resgate financeiro) e o risco de a empresa ser gerida com vista aos resultados no curto prazo (para beneficiar a cotação em bolsa e não com os olhos colocados no longo prazo). Contudo, as vantagens são em maior número e, segundo o presidente da ATM, extensíveis não só à empresa mas também aos contribuintes e à própria Bolsa de Lisboa.

Desde logo, como disse Octávio Viana ao Negócios esta semana, a entrada de uma nova empresa em bolsa, animando um mercado paralisado, vem trazer alguma força ao capitalismo popular, prejudicado pelas ofertas públicas de aquisição sobre a Cimpor e a Brisa – que acabaram por retirar estas duas empresas do principal índice de referência de Lisboa, o PSI-20 (no segundo caso, a concessionária também saiu da bolsa). 

Mas, além disso, leva a empresa para um caminho internacional - cotada na NYSE Euronext, está mais exposta a investidores. 

 
ATM aplaude OPV

A favor

Acesso a capital novo

Em bolsa, a empresa acede a novo capital, o que poderá reforçar e optimizar a sua estrutura de capital.

Marca internacional

Estando cotados na NYSE Euronext, os CTT estarão mais expostos e terão uma maior visibilidade do que sendo adquiridos por um único comprador.

Informação disponível 

A cobertura dos CTT por analistas, pelos meios de comunicação social e pela regulação da CMVM, obriga à divulgação de maior informação sobre a estrutura e negócio da empresa.

Diversificação da bolsa de Lisboa

A ida dos CTT para a Bolsa de Lisboa, e possivelmente para o PSI-20, permitirá a substituição de empresas menos líquidas, dando um maior interesse à praça nacional.  

 

Contra

Perda de controlo da empresa

Com o capital disperso em bolsa, o controlo dos CTT fica mais disperso.

Incertezas sobre encaixe financeiro

Não há uma negociação directa com um investidor único, o que coloca uma maior incerteza no dinheiro que será arrecadado com a operação.

Pressão dos mercados

Estando cotada, e sob pressão dos accionistas, a orientação da empresa poderá ser a de curto prazo, à custa de um rumo a longo prazo.

Valor acompanha economia

Em bolsa, os CTT estarão avaliados pela cotação - oscilante - das suas acções, o que não acontece actualmente - o valor é fixo. O que levanta dúvidas no actual ambiente macroeconómico recessivo em Portugal.

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