Superstições ao rubro: prédios altos, queda na bolsa. Segundas-feiras e lua cheia também são de fugir
Há inúmeras superstições que influenciam os investidores. Outubro é considerado, para muitos, um mau mês. O mesmo acontece com as segundas-feiras em geral e com as sextas-feiras 13 em particular - isto no mundo ocidental, porque no Leste Asiático é do número quatro que fogem. Mas há muito mais.
Muitas pessoas são supersticiosas e isso influencia-as no seu dia a dia: não passam por debaixo de escadas, não deixam o pão ao contrário ou mudam de passeio quando veem um gato preto. Mas e quando isso influencia também o investimento em bolsa? Não são poucos os casos em que acontece.
"Essencialmente, as pessoas costumam ter receio do mercado acionista, mas por norma somos estimulados pelo contexto em que estamos. E é por isso que não posso necessariamente chamar de irracional a tudo o que se possa dizer que é superstição. Se uma pessoa está habituada a fazer as coisas de uma maneira que sempre funcionou, então vai continuar a fazê-las dessa forma. Isso é perfeitamente racional", explica Jessica Wachter, professora de Finanças, ao Wharton Business Daily.
E que superstições são mais comuns junto dos investidores da bolsa? Uma delas é o medo da segunda-feira. Não só esse dia específico da semana, mas também quando recai em outubro. "Durante algum tempo, as segundas-feiras de outubro costumavam ser más", recorda a professora da Faculdade de Wharton, na Universidade da Pensilvânia. A começar pela sessão bolsista de 19 de outubro de 1987, que veio a ser conhecida como "segunda-feira negra".
Além disso, sublinha Wachter, existe o chamado "efeito segunda-feira", que diz que os retornos bolsistas tendem a ser menores neste dia. "O facto de poder haver um efeito específico num determinado dia da semana é um fenómeno psicológico, porque vejamos: a que propósito seriam os retornos da bolsa previsíveis consoante o dia?", questiona-se. Já a eToro refere que o "Monday Effect" tem mais uma nuance: segundo a crença geral, se os mercados valorizarem na sexta-feira, continuarão a subir na segunda-feira seguinte, sendo que o contrário também se verifica (se caem na última sessão útil da semana, também vão arrancar no vermelho na semana que está por vir).
Ainda falando de dias, as sextas-feiras 13 também são um bom exemplo de um fator emocional que influencia as decisões de investimento. Com efeito, no mundo ocidental, a superstição em torno deste dia – que se considera que "dá azar" – é tão generalizada que também chega aos mercados e afasta muitos investidores, levando a que as bolsas sejam negativamente afetadas pela menor negociação. Da mesma forma, nas culturas do Leste asiático, sobretudo na China, há um grande receio em torno do número 4, com muitos investidores a evitarem qualquer tipo de negociação no quarto dia de cada mês.
Se passarmos aos meses, outubro é considerado o pior para quem investe – uma superstição que se agudizou depois de alguns grandes "crashes" bolsistas terem ocorrido em outubro. No entanto, sublinha a eToro, a maioria das estatísticas contradiz esta crença, que é agora considerada mais uma expectativa psicológica do que um fenómeno real. E não esqueçamos o famoso adágio "sell in may and go away", que aconselha a que vendamos os ativos em maio e que só voltemos às compras em novembro (já que os meses de verão costumam trazer retornos mais baixos - e outubro, claro, é claramente de evitar).
Mas há mais superstições, como a que diz "edifícios grandes, quedas grandes". É isso mesmo. "Há investidores que veem uma ligação entre os arranha-céus e a recessão nos mercados, com base em acontecimentos passados, esperando por isso grandes quedas em bolsa após concluída a construção de um edifício muito alto", aponta a eToro. Os convictos deste fenómeno apontam exemplos: a Grande Depressão surgiu a seguir à construção do Empire State Building, e o Dow Jones 100 caiu para mínimos de dois anos assim que a Sears Towers ficou pronta.
Ainda segundo aquela plataforma de investimento, outra crença comum é a de que… as conferências sobre saúde influenciam o mercado acionista. "Os investidores que seguem esta teoria acreditam que é melhor comprar ações do setor da saúde antes da conferência do JPMorgan dedicada aos cuidados de saúde, que se realiza sempre em janeiro, e vendê-las depois durante o encontro anual – em maio ou junho, depende – da American Society of Clinical Oncology", salienta a eToro.
E, já agora, saiba que há quem não investe quando está lua cheia, porque considera que não vale a pena – já que essa fase lunar tem um efeito negativo na bolsa.
Professora de Finanças da Faculdade de Wharton
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