Wall Street fecha sessão no verde com bons dados do emprego
As bolsas norte-americanas encerraram a última sessão da semana em terreno positivo, com os bons dados do mercado de trabalho a terem mais peso no sentimento dos investidores do que os receios em torno da subida dos juros da dívida soberana dos EUA.
O Dow Jones encerrou a subir 1,85%, para se fixar nos 31.495,84 pontos.
Já o Standard & Poor’s 500 avançou 1,95% para 3.7841,83,83 pontos. Ontem chegou a eclipsar os ganhos de 2021, mas na reta final da negociação conseguiu distanciar-se dos mínimos do dia e terminou com um saldo anual ligeiramente positivo, que foi hoje reforçado.
Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite fechou a valorizar 1,55% para 12.920,15 pontos, depois de ontem ter apagado os ganhos no acumulado do ano. Com a subida de hoje, conseguiu regressar a positivo no ano (0,25%).
As tecnológicas, que ainda recentemente estavam em fase de rally, têm estado a ser penalizadas nos últimos tempos devido à preferência dos investidores por títulos mais sensíveis à evolução da economia numa altura em que se perspetiva uma retoma.
A Tesla registou a quarta semana consecutiva de saldo negativo, elevando a perda de valor de mercado para 234 mil milhões de dólares.
Os dados do mercado laboral de fevereiro foram robustos, com a taxa de desemprego a descer de 6,3% para 6,2% e as contratações a aumentarem em 379.000 – mais do que o esperado, já que os economistas inquiridos pela Reuters projetavam um incremento de 182.000 empregos.
Estes bons dados fizeram subir ainda mais os juros das obrigações a 10 anos – o cenário económico mais positivo afasta os investidores da procura por segurança que encontram na dívida soberana, o que catapulta as "yields" –, que dispararam para 1,62%, patamar acima do registado a 25 de fevereiro (altura em que subiu para níveis anteriores à pandemia).
Ainda assim, o que mais influenciou hoje o sentimento do mercado foram os bons indicadores do mercado de trabalho, com o receio em torno da subida dos juros em modo ‘pause’.
Ontem, o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, falou num fórum do The Wall Street Journal mas não conseguiu traquilizar os investidores, que receiam que haja uma subida ainda maior dos juros da dívida soberana.
Powell não ter falou em qualquer mudança de posicionamento da Fed no seu programa de compra de ativos para travar esta subida (a aposta nas obrigações faz descer os juros). Os investidores estavam na expectativa de que a Fed pudesse introduzir a Operação Twist – em que substitui a compra de obrigações de maturidades mais curtas por obrigações com prazos mais longos para aliviar a pressão sobre os juros dessas obrigações –, o que não aconteceu.
Recorde-se que os investidores começaram a recear que, com o gradual regresso à atividade e os estímulos pandémicos da Administração Biden (que hoje ‘vão a votos’ no Senado), a economia pudesse sobreaquecer, trazendo consigo um aumento da inflação.
É isso que tem também provocado a atual agitação no mercado da dívida, com os investidores a não apostarem tanto na segurança das obrigações, o que faz subir os juros.
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