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BPI não afasta congelamento dos dividendos da Galp

O banco de investimento subiu a avaliação da Galp Energia em 3% de 11,40 euros para 11,80 euros, mas cortou a recomendação de "neutral" para "reduzir".

Miguel Baltazar/Negócios
Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 09 de Fevereiro de 2016 às 10:24
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Depois de a Galp Energia ter apresentado os resultados anuais, o BPI volta-se para o "Capital Markets Day", que se realiza no próximo dia 15 de Março, e onde a empresa deverá revelar as suas metas para os próximos anos. Os analistas consideram que a cotada deverá rever a sua remuneração accionista, não afastando o congelamento do pagamento de dividendos.


O banco de investimento antecipa que a política de distribuição de dividendos da Galp Energia, que pressupõe um crescimento médio anual do dividendo de 20% entre 2015 e 2017, "pode ser reavaliada e não descartamos um congelamento até que as condições do sector melhorem". Outras petrolíferas europeias já tomaram esta decisão num contexto de preços do petróleo em mínimos de 12 anos.


Por outro lado, o banco de investimento cortou as estimativas de EBITDA para o período entre 2016 e 2020 em 6%, devido à queda dos preços do petróleo e gás, enquanto as previsões de lucros por acção foram reduzidas em 3%, em média.


Além disso, um dia depois da apresentação dos resultados anuais da petrolífera, o banco de investimento subiu a avaliação da empresa. Uma alteração que "reflecte sobretudo a menor dívida no quarto trimestre de 2015 e um corte de 3% no investimento em 2016, com a ligeira melhoria na área de refinação e distribuição e de gás e energia foi compensada pela de exploração e produção (preços mais baixos de petróleo e gás)", referem os analistas Bruno Silva e Flora Trindade.


O BPI avalia as acções da Galp Energia em 11,80 euros no final de 2016. Um preço-alvo que supera os 11,40 euros que o banco apresentava até agora. Esta nova avaliação confere ao título margem para cair 6,13%, tendo em conta que as acções seguem esta terça-feira a subir 1,89% para os 11,055 euros.


Os analistas relembram que a empresa liderada por Carlos Gomes da Silva (na foto) tem superado o desempenho das pares europeias em bolsa. Contudo, "os ventos contrários dos resultados como são as interrupções planeadas da refinaria no primeiro e quarto trimestres, as perspectivas mais desafiadoras no gás natural liquefeito (LNG, na sigla anglo-saxónica) e o risco fiscal (aumento de impostos sobre combustíveis em Portugal e potenciais impostos no Estado do Rio de Janeiro, no Brasil) em conjunto com uma possível revisão em baixa na política de dividendos podem pôr um limite ao soberbo desempenho relativo da Galp", consideram os mesmos analistas. Nesse sentido, a recomendação foi cortada de "neutral" para "reduzir".


Em relação a outros temas, "a Galp tende a ser calma quanto a uma potencial rotação de activos, mas a rotação de activos mais maduros, particularmente sensíveis às taxas de juro pode fazer sentido". E "o corte de custos, os ganhos de eficiência e optimização deverão ser uma área de potenciais boas notícias", acrescenta o banco de investimento.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

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