Jovens ficaram com 58% do novo crédito para casa própria em 2025
Os contratos de crédito à habitação própria permanente totalizaram 105 mil no ano passado, mais 27% do que em 2024. Dois terços envolviam montantes entre os 50 mil e os 200 mil euros.
Foram fechados, no ano passado, 2,2 milhões de novos contratos de crédito, num total de 35 mil milhões de euros. Apesar de o número de contratos se ter mantido estável face a 2024, o montante concedido subiu em 30%, sinalizando o impacto dos preços mais elevados. Quanto aos clientes, foram 1,7 milhões de pessoas – com os jovens a ganharem peso graças às medidas de apoio à compra da primeira casa.
Os dados divulgados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal indicam que, das pessoas envolvidas nestes contratos, 61% eram trabalhadores por conta de outrem e 43% tinham um nível de escolaridade equivalente ao ensino secundário.
Considerando apenas os contratos de crédito à habitação própria permanente – 105 mil –, registou-se um aumento de 27% em comparação com 2024. Metade tinha valor igual ou inferior a 170 mil euros, enquanto dois terços envolviam montantes entre os 50 mil e os 200 mil euros. Apenas 9% superaram os 300 mil euros.
Este segmento envolveu 163 mil pessoas, das quais 83% trabalhavam por conta de outrem e 54% tinham um nível de escolaridade superior. Olhando para a distribuição geográfica, 23% residiam na Grande Lisboa e 18% residiam na Área Metropolitana do Porto. Já em relação à idade, 58% tinham entre 18 e 35 anos, mais 11 pontos percentuais do que em 2024, num impulso que advém das medidas em vigor.
Desde janeiro de 2025 que está em vigor uma garantia pública, que se aplica sobre a aquisição da primeira habitação própria e permanente (de imóveis até aos 450 mil euros). O valor garantido pelo Estado – que se torna fiador do crédito – é o que vai além de 85% do valor da transação. Ou seja, possibilita que os bancos emprestem 100%, com o Tesouro a prestar garantia sobre 15%. Além disso, os cidadãos até aos 35 anos beneficiam também, desde agosto de 2024, da isenção do IMT, do imposto de selo e de emolumentos.
Estrangeiros voltam a ganhar peso
A par da nova tendência relacionada com a idade, há uma outra que vem já dos últimos anos. Voltou a subir o peso dos devedores estrangeiros no total de pessoas que obtiveram novos créditos: passou de 14%, em 2024, para 16% em 2025. Da mesma forma, metade dos devedores estrangeiros tinha nacionalidade brasileira.
Considerando o outro crédito à habitação – em 2025, 12% do montante total de crédito à habitação concedido destinava-se à aquisição, construção ou realização de obras em habitação secundária ou para arrendamento e aquisição de terrenos para construção de habitação – cerca de um quarto dos devedores eram estrangeiros, destacando-se os originários dos EUA (16%), do Brasil (12%) e de Angola (10%).
Assim, os devedores estrangeiros foram responsáveis por 42% do montante total do outro crédito à habitação contratado, percentagem semelhante à de 2024 (43%).
Por último, o Banco de Portugal indica ainda que, no ano passado, 612 mil pessoas contraíram créditos pessoais, metade dos quais de valor igual ou inferior a 4 mil euros. Foram celebrados 242 mil contratos de crédito automóvel em 2025, mais 8% do que em 2024. Dos novos contratos de crédito automóvel, 72% tinham montante inferior a 20 mil euros e apenas 1% superou os 50 mil euros.
Quanto à caracterização destes empréstimos, 51% das pessoas que contrataram crédito pessoal eram do sexo masculino (no crédito automóvel foi 58%), enquanto 9% do crédito pessoal e 12% do crédito automóvel foi concedido a estrangeiros.
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