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"Uma completa falta de controlo". Novo CEO da FTX denuncia más práticas da empresa

O novo CEO da FTX, John J. Ray III, responsável por levar a bom porto o seu processo de restruturação, denunciou uma série de más práticas dentro da empresa que levaram à sua ruína.

Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 17 de Novembro de 2022 às 17:13
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"Nunca na minha carreira vi uma tão completa falta de controlo empresarial e uma tal ausência de informação financeira de confiança", comenta John J. Ray III, novo CEO da FTX, reconhecendo o caos que se vive na empresa.

O gestor assumiu o comando da plataforma na semana passada, depois da renúncia de Sam Bankman-Fried, na sequência do pedido de proteção contra credores, ao abrigo do capítulo 11 da Lei de Falências, dando assim o pontapé de saída para um processo de reestruturação.

 

As palavras foram escritas numa declaração entregue pelo executivo no tribunal de falências, tendo sido citado por vários órgãos de comunicação social norte-americanos.

 

Ray III – que já comandou o processo de liquidação da Enron – classificou a situação da FTX como "sem precedentes".  O executivo destacou a "integridade comprometida dos sistemas, a supervisão regulatória defeituosa e a concentração de poderes num pequeno grupo de indivíduos, inexperientes, pouco sofisticados ou empenhados".

 

Os consultores que estão a trabalhar com Ray III encontraram contas que não fazem sentido e, por outro lado, sentem falta de provas que autentiquem algumas decisões tomadas por  Sam Bankman-Fried e as suas chefias.

 

Até agora, a equipa de consultores apenas encontrou "uma fração" de ativos digitais do grupo FTX. Até ao momento, já garantiram 740 milhões de dólares que estão guardados em "cold wallets", ou seja sistemas offline sem ligação à internet, como é o caso das pen drives e discos rígidos.

 

O atual CEO sublinhou que as contas da empresa não são de confiança, o que levou mesmo a uma reconstrução dos balanços da empresa. A FTX não manteve "um controlo centralizado da contabilidade", e também não detinha uma lista precisa das contas bancárias associadas às contas na plataforma.

 

Até ao momento, ainda não se sabe quanto dinheiro tinha a FTX quando realizou um pedido de proteção contra credores.

 

Além disso, apesar de estar há menos de uma semana a trabalhar com a empresa, a equipa de consultores já entendeu que será difícil seguir o rasto de algumas decisões tomadas pelas chefias. Bankman-Fried comunicava frequentemente através de redes de "chat" com a opção de apagar as mensagens ao final de um curto espaço de tempo e recomendava aos seus subordinados que fizessem o mesmo, de acordo com as informações avançadas por Ray III.

 

O gestor avançou ainda ao tribunal de falências em Delaware que chegaram a ser utilizados fundos da plataforma para comprar casas e outros objetos pessoais para funcionários da empresa e consultores. Nem mesmo o pagamento de despesas extra dos funcionários era realizado de maneira formal.

 

"Por exemplo, os funcionários da FTX enviavam as solicitações de pagamentos para despesas por meio de uma plataforma de ‘chat’ e os supervisores respondiam com ‘emojis’ personalizados", segundo acrescenta o atual CEO no documento entregue em tribunal.

Aliás, tal era a organização da gestão de recursos humanos dentro da empresa que Ray II relata que a equipa foi incapaz de dar à nova administração uma lista completa dos trabalhadores da FTX.

Por fim, o documento entregue em tribunal pelo homem responsável pela reestruturação deixa uma farpa ao antigo CEO da empresa, acusando-o de proferir publicamente declarações "erráticas e enganosas". 

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