Mercados Buffett quer fazer grandes aquisições e alerta para o investimento em obrigações

Buffett quer fazer grandes aquisições e alerta para o investimento em obrigações

Na carta aos accionistas, Buffett volta a mostrar preferência pelo mercado accionista e lamenta que não tenha ainda encontrado oportunidade para aplicar os mais de 100 mil milhões de dólares que tem em liquidez para efectuar grandes aquisições.  
Buffett quer fazer grandes aquisições e alerta para o investimento em obrigações
Negócios 24 de fevereiro de 2018 às 20:42

É um dos momentos mais aguardados do ano nos mercados. A Berkshire Hathaway divulgou hoje o seu relatório anual, com os resultados financeiros de 2017 e foi ja tornada pública a carta aos accionistas, escrita pelo seu CEO, Warren Buffett.

 

Numa mensagem mais pequena que o habitual (17 páginas contra 29 no ano passado), Buffett lamenta que não tenha nos últimos dois anos encontrado uma empresa de dimensão relevante para aplicar a liquidez da sua empresa, que atinge já 116 mil milhões de dólares.

 

A Berkshire Hathaway procura efectuar "uma ou mais grandes aquisições" fora do sector dos seguros, mas Buffett admite que tem sido um desafio encontrar os alvos a um preço atractivo. Em vez de comprar a totalilade do capital de grandes empresas, Buffett tem optado por investir no mercado accionista, com destaque para as posições relevantes na Apple e Wells Fargo (investimentos que não comentou na carta deste ano).

 

A última grande aquisição de Buffett (pagou 32,1 mil milhões de dólares pela fabricante de componentes para aviões Precision Castparts)  foi efectuada há dois anos, sendo que o investidor culpa o dinheiro barato pela actual escassez de oportunidades, pois os CEO aproveitam o actual cenário para entrar numa "loucura de aquisições".

 

"O nosso sorriso vai aumentar quando conseguirmos aplicar o excesso de fundos da Berkshire em activos mais produtivos", explica Buffett, que no passado tem sempre pago as aquisições com "cash" e sem recurso a endividamento.

 

No que diz respeito aos resultados, a empresa de Buffett alcançou um lucro recorde de 44,94 mil milhões de dólares, sendo que mais de metade deste valor ficou a dever-se ao impacto positivo da reforma fiscal de Trump, que reduz de forma substancial a factura das empresas norte-americanas com o pagamento de impostos.

 

Além de não comentar  os investimentos da Berkshire em cotadas como a Apple, o investidor de 87 anos também não falou da sua sucessão, nem da empresa conjunta que vai criar com a Amazon e JPMorgan para a área dos cuidados de saúde.

 

Acções melhor no longo prazo

 

As cartas de Buffett têm habitualmente conselhos de investimento e a deste ano não foge à regra. Repetindo que os investidores devem ter atenção às comissões que lhe são cobradas, Buffett desta vez colocou o foco nas obrigações. 

 

"Para os investidores com perspectivas de longo prazo é um erro terrível medir o risco da sua carteira pelo rácio entre as obrigações e acções", refere Buffett, assinalando que "muitas vezes, obrigações de elevada qualidade aumentam o risco dos portfolios", pois a sua rendibilidade é mais do que anulada pela inflação.

 

Adepto há muito tempo do investimento no mercado accionista, Buffett diz que "não se pode saber quanto as acções podem cair num curto período de tempo". Mas no longo prazo "uma carteira diversificada de acções norte-americanas  terá menos risco do que obrigações, assumindo que são compradas" a multiplos atractivos.

 

Estas declarações surgem depois de há poucas semanas Wall Street ter registado várias sessões de quedas violentas, numa correcção face às subidas acentadas no início do ano.

 

Na sua carta aos accionistas, o "Oráculo de Omaha" sugere que na actual conjuntura os investidores devem optar pelo mercado accionista, escolhendo sempre aplicações simples e que não obriguem ao pagamento de elevadas comissões, como fundos de investimento.

   




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