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Centeno antecipa "redução muito substancial" dos dividendos do Banco de Portugal

Mário Centeno não espera prejuízos no próximo ano, mas admite que os resultados do Banco de Portugal vão recuar devido ao impacto das mudanças na política monetária.

Sérgio Lemos
Leonor Mateus Ferreira leonorferreira@negocios.pt 23 de Novembro de 2022 às 13:35
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O Banco de Portugal vai reduzir os dividendos que entrega ao acionista Estado nos próximos anos devido ao impacto das mudanças na política monetária nas contas do banco central, segundo admitiu esta quarta-feira o governador Mário Centeno.

"Os bancos centrais a nível global têm vindo a registar uma erosão na geração de resultados em virtude da alteração da política monetária", apontou o líder do supervisor, na conferência de imprensa de apresentação do relatório de estabilidade financeira.

Face às mudanças no contexto dos mercados financeiros e subida generalizada dos juros, o custo de financiamento tornou-se mais oneroso do que o retorno dos ativos que os bancos centrais têm em carteira, o que gera pressão sobre os bancos centrais.

"Muitos bancos centrais na Europa vão ter resultados negativos. Não é o caso de Portugal", sublinhou Mário Centeno. "Mas a pressão vai manter-se. A previsão é de redução muito substancial do que possam ser dividendos do Banco de Portugal nos próximos anos".

No orçamento do Estado, o Governo inscreveu uma expectativa de receber 240 milhões de euros em dividendos do Banco de Portugal em 2023. Este ano, entregou 406 milhões de euros, o que foi já uma redução de 4,8% face aos 671 milhões de euros de 2021. E a perspetiva é, assim, que o montante continue a cair.

Banca comercial deve ser cautelosa na remuneração acionista


Questionado também sobre os dividendos da banca comercial, o governador do Banco de Portugal não quis fazer recomendações sobre a política de remunerações, mas também não deixou de lembrar a necessidade de "cautela" na conservação de capital.

"O relatório de estabilidade financeira é um momento em que o Banco de Portugal faz alertas, notas sobre um conjunto de riscos e mitigantes que possam ajudar a evitar a materialização desses riscos", começou por responder Centeno sobre o assunto.

"Todas as medidas de conservação do capital que permitam reforçar financeiramente as instituições são importantes. Não há uma recomendação sobre dividendos, mas há claramente uma chamada de atenção para que nestes momentos devemos ter todas as atividades de cautela que consideremos adequadas e a conservação de capital é certamente uma delas", acrescentou.

No relatório de estabilidade financeira, o Banco de Portugal alertava já para os riscos de mercado e de crédito para o setor bancário. Essa materialização dependerá da evolução da economia e da taxa de desemprego, do ritmo de subida das taxas de juro e das medidas de apoio adotadas, segundo a análise do supervisor.

Acrescenta que o contexto realça a importância de o setor adotar uma abordagem proativa na avaliação da capacidade de pagamento dos seus clientes e adequar as condições dos empréstimos face a eventuais dificuldades dos mesmos, bem como de seguir práticas adequadas de provisionamento e de conservação de capital, promovendo a capacidade para absorver eventuais perdas e financiar a economia.


(Notícia atualizada às 14:00)

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