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Conhecimentos financeiros dos portugueses acima da média, diz a OCDE

Os portugueses estão mais conhecedores do mundo financeiro. O relatório da OCDE revela que dominam na identificação dos juros de um empréstimo, mas só um em três sabe o que são juros compostos.

Reuters
Paulo Moutinho 20 de Abril de 2016 às 17:00
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A literacia financeira dos portugueses está a aumentar. É isso que revela o relatório da OCDE sobre resultado do inquérito internacional à literacia financeira, que coloca Portugal acima da média na generalidade dos conceitos, desde juros ao risco dos investimentos. E mesmo nos comportamentos financeiros batem os pares europeus, reflexo das medidas de promoção à literacia no país.


Os portugueses apresentam conhecimentos acima da média dos países europeus no que toca ao conhecimento dos conceitos de inflação e de diversificação de risco. Segundo a OCDE, 87% sabem o que é a inflação, sendo que 73% compreendem que a diversificação da carteira de acções quando investem no mercado de capitais contribui para a redução do risco. Na Europa, o resultado é de 79% e 63%, respectivamente.


O mesmo relatório diz que os portugueses ficam mais em linha com os restantes inquiridos nos países europeus no que respeita à identificação da relação inversa entre remuneração e risco (82%). E o mesmo se verifica na identificação dos juros de um empréstimo (87% sabe fazê-lo), quando nos últimos inquéritos poucos sabiam o que era a Euribor – taxa de mercado que serve de base para quase todos os créditos à habitação em Portugal.


Também no cálculo de juros simples (61%) os portugueses apresentam um resultado bem mais positivo do que a média dos inquiridos nos restantes países europeus. Já no caso dos juros compostos, apenas um em cada três conhece (30%), revela o relatório da OCDE apresentado esta quarta-feira, 20 de Abril.


Orçamento controlado


Se no que toca a conceitos o resultado é positivo, também o é nas questões relacionadas com comportamentos financeiros. Neste ponto, 79% diz que controla as suas finanças (71% na Europa) e 72% diz que faz um orçamento familiar (contra 63% na média dos países europeus). E 81% paga a tempo as suas despesas.


Contudo, diz a OCDE, 35% dos inquiridos diz que os rendimentos não foram suficientes para os custos, em determinada altura, nos 12 meses anteriores ao inquérito (31% na Europa). E 16% da população viu-se forçada a recorrer ao crédito para suportar as despesas. 84% não o fez, contra 81% na média da Europa.


Ainda nos comportamentos financeiros, é salientar que 82% dos portugueses inquiridos refere que analisaram algum tipo de informação antes de contratar um produto financeiro, contra apenas 49% na Europa. Mas neste campo, também apenas 37% admitiu esta activamente a poupar. Metade (52%) afirma que tem estabelecidas metas de poupança a longo prazo, refere a OCDE.


Plano português


O relatório da OCDE revela uma clara melhoria dos portugueses no que respeita tanto a conhecimento de conceitos como a comportamentos financeiros, algo para o qual contribuiu o trabalho dos supervisores financeiros em Portugal na implementação do Plano Nacional de Formação Financeira.


A OCDE destaca, em particular, a definição de princípios de orientadores das iniciativas de formação financeira a enquadrar no plano, a dinamização do portal "Todos Contam", o lançamento da plataforma de "e-learning" e a actuação conjunta com o Ministério da Educação para a introdução de conteúdos de educação financeira nos currículos escolares.

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