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Gigante chinesa quer entrar também na bolsa de Hong Kong, após restrições de Wall Street

A empresa chinesa NetErase mostrou vontade de integrar também o principal índice de Hong Kong, apesar de estar cotada já nos EUA, como resposta às novas restrições impostas na maior economia do mundo.

Reuters
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 29 de Maio de 2020 às 13:56
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A gigante chinesa NetEase, dedicada ao "gaming" online, confirmou nesta sexta-feira, dia 29 de maio, que ambiciona concretizar uma segunda listagem na bolsa de Hong Kong, mesmo estando já cotada em Wall Street, uma semana após os Estados Unidos terem apertado o cerco às empresas de Pequim listadas no seu país. 

Numa carta enviada aos acionistas, o CEO da empresa, William Ding, disse estar a "preparar uma dupla listagem na bolsa de Hong Kong, trazendo a nossa marca já estabelecida de volta para a China", acrescentando que "o regresso a um mercado mais próximo das nossas raízes aumentará ainda mais a paixão das pessoas pelos nossos negócios". 

Os valores que estarão envolvidos neste segundo IPO (oferta pública incial) não foram para já divulgados, mas sabe-se que os os bancos CCIC, Credit Suisse e JP Morgan vão mediar esta entrada na bolsa de Hong Kong. 

Na semana passada, o Senado dos EUA aprovou um projeto de lei que obriga todas as empresas chinesas cotadas em ambos os índices a regerem-se pelas mesmas regras de transparência contabilística do que as congéneres norte-americanas durante, pelo menos, três anos consecutivos.

Caso este projeto de lei, chamado "Holding Foreign Companies Accountable Act", seja aprovado pela Câmara dos Representantes, e depois pelo Presidente Donald Trump, todas as empresas oriundas da China têm de cumprir a chamada lei Sarbanes-Oxley. Criada em 2002, após os escândalos financeiros protagonizados pela Enron e pela WorldCom, entre outras, esta legislação obriga as empresas a seguirem um mecanismo de auditoria para evitar novas fraudes. A lei é destinada não apenas às empresas americanas, mas também a empresas e subsidiárias estrangeiras listadas no país.


Além deste novo projeto de lei, que ainda requer a aprovação de outras entidades governamentais, houve outra alteração nos índices bolsistas dos EUA, com a Nasdaq, que gere o Nasdaq Composite, a apertar o cerco a novos IPO. A maior restrição que será implementada a qualquer empresa, chinesa ou não, será um limite mínimo de 25 milhões de dólares levantados no IPO ou, como alternativa, um quarto da sua capitalização de mercado. É a primeira vez que é imposto um limite mínimo.

Uma eventual saída das empresas chinesas de Wall Street significaria uma perda de 1,8 biliões de dólares de capitalização bolsista nos EUA, o que representa 5% dos 36,4 biliões de dólares do valor agregado do Nasdaq Composite e do New York Stock Exchange (NYSE). E na lista estão gigantes como a Alibaba, Tencent e China Unicom.

Esta decisão da NetEase foi influenciada pela bem-sucedida decisão da gigante chinesa de comércio eletrónico Alibaba, que no ano passado optou por fazer uma dupla listagem também em Hong Kong. No país, as ações da empresa subiram cerca de 10%, desde novembro.

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