Guerra fez BlackRock perder entusiasmo com o mercado europeu. Vê "oportunidades mais interessantes" nos EUA
A gestora de ativos estava entusiasmada com as ações europeias no início do ano, mas diz que a guerra veio esfriar esse otimismo.
A maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, veio juntar-se ao coro de vozes preocupadas com o impacto a longo prazo do conflito entre o Irão e os EUA. O aumento dos custos de energia e as avaliações mais elevadas das empresas europeias fazem com que o mercado acionista europeu deixe de ser uma aposta atrativa - pelo menos em comparação com o que era há uns meses.
"É difícil manter o mesmo otimismo em relação à Europa que tínhamos" disse ao Financial Times Helen Jewell, diretora de investimentos de ações fundamentais da Black Rock, apontando para a elevada exposição da região ao choque dos preços da energia. Agora, diz, o "gap" entre as avaliações das ações americanas e europeias é mais estreito, o que a leva a refrear o entusiasmo com o mercado europeu.
"Não se pode afirmar categoricamente que a Europa parece barata neste momento. Há um ano, existia uma diferença de valorização realmente interessante. Essa diferença já se colmatou e, do ponto de vista energético, a Europa está simplesmente muito mais exposta. Por isso, temos de ser um pouco mais seletivos quanto aos locais onde vemos oportunidades", disse
O mercado acionista americano tem, tradicionalmente, um melhor desempenho que o europeu, mas essa tendência começou a inverter-se no final do ano passado, com o movimento "Sell America", que foi impulsionado pela incerteza gerada por Donald Trump e pelos alertas de uma possível "bolha" em torno da inteligência artificial.
No entanto, a guerra no Irão fez interromper este movimento: o índice de referência europeu, o Stoxx 600, chegou a perder quase 12% em comparação com o período pré-guerra. O conflito também afetou os mercados americanos, mas em menor proporção: chegaram a cair 8%, mas têm vindo a recuperar.
"Os fundos globais simplesmente vêem oportunidades mais interessantes para as empresas nos EUA neste momento", em parte porque os EUA estão menos expostos a um choque no abastecimento energético global, disse Jewell. A BlackRock está agora "muito preocupada com o consumidor em geral" na Europa. "Estão a ser pressionados pelas taxas de juro e pela inflação. Vão começar a pensar melhor no que gastam", comentou.