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Inflação e juros podem "inverter o ritmo de ganhos no mercado acionista", avisa a CMVM

O supervisor considera que a normalização da política monetária, as pressões inflacionistas, o "phasing out" de apoios públicos a famílias e empresas e o fim das moratórias serão desafios "particularmente relevantes" em 2022.

Bruno Colaço
Leonor Mateus Ferreira 14 de Janeiro de 2022 às 13:20
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A aceleração dos preços e os ajustes na estratégia dos bancos centrais para lidar com o problema podem travar as bolsas no próximo ano. O alerta é feito pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que divulgou esta sexta-feira o "outlook" de risco para 2022, sublinhando que o travão poderá ser ainda mais expressivo devido à elevada alavancagem dos investidores.

"O eventual aumento da taxa de inflação e das taxas de juro poderá inverter o ritmo de ganhos no mercado acionista", refere o documento. "Essas correções de preços poderão ser exacerbadas devido à excessiva alavancagem de alguns investidores, que poderão ser forçados à alienação de posições".

A preocupação do supervisor liderado por Gabriel Bernardino é expressa numa altura em que os maiores bancos centrais -- nomeadamente a Reserva Federal dos EUA ou o Banco de Inglaterra -- começaram a inverter o caminho devido à aceleração da inflação. Com a inflação anual nos EUA a disparar para 7%, o banco central liderado por Jerome Powell sinalizou que poderá começar a subir o intervalo dos juros de referência já a partir de março. Espera fazê-lo, pelo menos, três vezes este ano e outras tantas no próximo.

Já o homólogo britânico avançou com um aumento ainda no final do ano passado. Na Zona Euro, o Banco Central Europeu (BCE) não deverá tirar os juros dos atuais mínimos históricos este ano (e possivelmente nem no próximo), mas já está a recuar na compra de dívida, tendo deixado chegar ao fim o programa desenhado para a pandemia.

No grupo dos riscos de mercado, a inflação e as taxas de juro são, assim, a principal preocupação do supervisor dos mercados português. "Subidas das taxas de juro mais rápidas do que o esperado e o surgimento de novas variantes com maior severidade de doença associada induzirão potencialmente maior volatilidade nos mercados financeiros", aponta.

"No contexto macroeconómico e financeiro, a expectável normalização da política monetária, as pressões inflacionistas, o phasing out de apoios públicos a famílias e empresas e o fim das moratórias serão desafios particularmente relevantes em 2022, uma vez que poderá assistir-se à deterioração da situação financeira das famílias e Estados e ao avolumar de insolvências em alguns setores de atividade", diz o relatório.


Nos potenciais riscos para 2022 decorrentes da digitalização, destaca os ciberataques, cibercrime e fraude, e ainda riscos decorrentes da prática de intermediação financeira não autorizada, da oferta de instrumentos a investidores com poucos conhecimentos financeiros e da disseminação de informação inexata.

"Outro risco reside no rápido crescimento de ativos alternativos e digitais (como os criptoativos) que se encontram, maioritariamente, fora do quadro regulamentar", refere a CMVM, apontando ainda riscos ESG (ambientais, sociais e de governo de sociedades). Neste campo, alerta particularmente para o impacto que a inação poderá ter em tornar irreversíveis a materialização de riscos.

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