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Jovens mais favoráveis ao risco apesar de terem menos conhecimentos financeiros

Por ocasião do arranque da Semana Mundial do Investidor, a CMVM divulgou os resultados do inquérito à literacia financeira dos jovens em Portugal.

Mário Cruz / Lusa
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Os jovens têm maior propensão para o risco do que o resto universo dos investidores em Portugal, apesar de terem menos conhecimentos financeiros. A conclusão é da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), num inquérito sobre a literacia financeira de investidores e não investidores portugueses financiado pela Comissão Europeia e divulgado esta quarta-feira pelo início da Semana Mundial do Investidor.

"Os jovens apresentam menor conhecimento de conceitos menos técnicos como juros simples, risco vs. retorno e divisão equitativa", concluiu o estudo. Os inquiridos dos 18 aos 25 anos responderam corretamente a 57% das questões, comparativamente a 58% no resto dos inquiridos, mesmo tendo uma escolaridade mais elevada.

Da análise às respostas, o relatório conclui que apenas 47% dos jovens conhecem o significado de juros compostos, 34% de decréscimo seguido de crescimento, 21% de Euribor e 17% de capital garantido na maturidade. A falta de conhecimento não quer dizer necessariamente que não o pretendam ter.

O inquérito revela que 60% dos jovens procuram informação na internet (comparando com 43% dos inquiridos não jovens) e 29% junto de amigos e família. Apenas 11% não procura informação (comparado com 15% dos inquiridos não jovens). Os principais tópicos de interesse são o mercado acionista e a legislação, ao contrário da falta de interesse nas taxas de juro.

Nível de conhecimento de conceitos financeiros
(Fonte: CMVM)

Mesmo tendo menos conhecimentos, os jovens são mais propensos ao risco do que a generalidade dos investidores em Portugal, que são tradicionalmente conservadores e avessos a arriscar. Num exercício em que tinham de escolher produtos para alocar 100 mil euros, 23% disse querer apostar em ações, enquanto 39% preferia colocar esse montante em depósitos, sendo que esta percentagem é mais baixa quando comparada com o grupo de idade superior.

"Os jovens parecem ter uma tolerância ao risco relativamente maior. Mesmo que a grande maioria (77,8%) detenha depósitos, uma parte considerável detém produtos mais voláteis como produtos estruturados (3,6% vs. 1,1%), derivados (2,4% vs. 0,4%) e ICO/Crowdfunding (4,8% vs. 2,0%)", acrescenta o relatório divulgado pela CMVM.

O inquérito, realizado entre 2020 e o início de 2021 com o objetivo de caracterizar o perfil do investidor e do não investidor nacional, nomeadamente as suas atitudes, comportamentos e conhecimentos financeiros, teve duas fases.

Na primeira, foram escolhidos aleatoriamente 9.969 participantes, os quais foram inquiridos acerca dos seus comportamentos e atitudes financeiras, destes 9% eram jovens dos 18 aos 25 anos (31% destes eram investidores). A segunda fase envolveu 2.207 participantes, aos quais foram colocadas questões de literacia financeira, incluindo 6% de jovens.

Produtos em que aplicariam 100 mil euros

(Fonte: CMVM)

A presidente do supervisor dos mercados, Gabriela Figueiredo Dias, explicou, na apresentação destes dados, que a Semana Mundial do Investidor será dedicada aos jovens dada a "forte exposição" deste público a canais digitais. Anunciou uma série de iniciativas "com o propósito de os envolver nas novas realidades de investimento digital e nas respetivas vantagens e riscos envolvidos".

A responsável lembrou que os investidores de retalho ascendem a cerca de um milhão nos fundos de investimento nacionais, representando mais de 90% dos investidores ali presentes. Estes são "mais vulneráveis e menos preparados contra práticas agressivas de mercado e, por vezes, são mais severamente impactados, pelo menos em termos relativos, por más práticas que conduzam a perdas inesperadas".

"Os investidores de retalho têm menor capacidade de recuperação após sofrer tais perdas, como poderá ser o caso dos mais jovens por terem, em média, menor rendimento e também menos tempo de formação de poupança. Além disso, as caraterísticas comportamentais dos mais jovens são distintas das dos demais investidores", acrescentou, sublinhando a importância de "melhorar os níveis de literacia financeira" e "recuperar a confiança dos investidores".
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