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Brasil - Uma economia repleta de oportunidades para os investidores

Forte crescimento dos últimos anos levou a um aumento da classe média. O maior consumo interno será determinante para manter a "chama" do Brasil acesa.

Paulo Moutinho 28 de Outubro de 2010 às 09:00
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Paulo Corchaki e Guilherme Rebouças | Itaú Asset Management vai ser responsável pela gestão do fundo BPI Brasil Valor.
O Brasil não é só matérias-primas. Não é só petróleo. "Queremos acabar com essa ideia", diz Pedro Corchaki, director de investimentos do Itaú Asset Management. É muito mais do que isso.
É um país que, fruto do forte crescimento económico que tem conseguido apresentar nos últimos anos, está repleto de oportunidades.

A percepção do Brasil como sendo um país que depende de matérias-primas existe porque "cerca de 50% das empresas cotadas na bolsa brasileira estão ligadas a este sector. E, de facto, 60% das exportações brasileiras são de 'commodities'", mas é importante sublinhar que "apenas cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil" é gerado através das matérias-primas.

"Os outros 90% são, basicamente, serviços, que dependem do consumo interno", destaca Pedro Corchaki, em declarações ao Negócios. É neste sentido que o director de investimentos do Itaú Asset Management afirma: "A dinâmica da nossa economia é resultado do consumo interno. Não tem nada a ver com as matérias-primas. Isso é a bolsa brasileira, não o crescimento do país", remata o responsável.

O Brasil tem apresentado fortes taxas de crescimento. "Para este ano, estimamos um crescimento do PIB de 8%. E de 4% a 5% em 2011. Não será propriamente uma desaceleração, mas uma consequência de termos crescido muito. O crescimento será menor, mas em cima de uma base maior", destaca Guilherme Rebouças, gestor de fundos estratégicos do Itaú Asset Management.

Classe média é o "motor" do Brasil
Sob a liderança de Lula da Silva, "houve no país um forte aumento da classe média. Nos últimos cinco anos cerca de 30 milhões de pessoas vieram das classes mais baixas e passaram para a classe média", acrescenta o gestor, que olha para esta alteração de paradigma como um factor extremamente positivo para o Brasil.

"Esse vai ser o factor principal no sentido de impulsionar a economia brasileira e as empresas que estão em bolsa, mais dependentes da procura interna", acrescenta Guilherme Rebouças. E onde estão as oportunidades no Brasil? "Nas empresas de menor dimensão, ligadas aos sectores de consumo e também da construção".

O Brasil vai ser responsável pela organização de dois grandes eventos desportivos nos próximos anos. Primeiro o Mundial de Futebol e depois, em 2016, os Jogos Olímpicos, que darão visibilidade ao país e terão impacto no crescimento da economia. Mas "vão representar apenas 2% do PIB, nos próximos sete anos, enquanto o sector da construção será quase 7% do PIB".

Habitação puxa pela construção
Mais do que o efeito extraordinário da organização destes dois eventos, "o que é importante no Brasil é a construção de habitação, especialmente de baixo custo. O investimento nesses eventos desportivos é bem menor do que o que está a haver no sector da construção" como um todo, salienta o gestor de fundos estratégicos do Itaú Asset Management ao Negócios.

"Pela primeira vez, em resultado da descida dos juros, os brasileiros de classes mais baixas estão a conseguir comprar casa própria. E, pela primeira vez, o preço do arrendamento ficou igual ao da compra, pelo que compensa a aquisição. Essa é uma tendência muito importante", que terá reflexos positivos na economia do país e, consequentemente, nas empresas do sector.


Mais risco, para maximizar ganhos no Brasil

O BPI vai vai lançar um novo fundo para investir no Brasil. Além do BPI Brasil, quem quiser "apostar" nesta economia emergente, tem também agora o Brasil Valor, que investe exclusivamente em acções da bolsa brasileira e cuja gestão estará a cargo do Itaú Asset Management.

"Temos o BPI Brasil, que é um fundo misto, exposto a obrigações (35 a 40%) e 60% em acções brasileiras. Agora estamos a lançar um fundo que é 100% de acções. É um fundo onde o gestor tem mais liberdade na escolha das acções", sublinha o director do Itaú Asset Management, Paulo Corchaki.

"Este é um fundo de estratégia de valor, no qual vamos escolher as 15 ou 20 melhores acções, independentemente do peso que estas têm no mercado de referência", explicou Guilherme Rebouças, o responsável pelos fundos de investimento estratégicos do Itaú Asset Management.

Cerca de 27% do fundo está exposto a empresas de consumo. "É um sector que gostamos muito", acrescenta. "No sector imobiliário temos uma exposição de cerca de 12% e também temos matérias-primas, mas são empresas de crescimento" e não grandes companhias como é o caso da Petrobras.

Este "é um fundo já é muito bem sucedido no Brasil. Tem conseguido apresentar um desempenho acima do mercado de cerca de 8%", No entanto, esta uma aposta para investidores com maior apetite pelo risco, por comparação com os que investem no BPI Brasil.

O BPI Brasil foi lançado em Portugal no ano 2000. Tem, actualmente, 220 milhões de euros sob gestão. "Já tem muitos investidores. Quanto ao BPI Brasil Valor, temos grandes expectativas", disse ao Negócios o vice-presidente do BPI Gestão de Activos, Miguel Morais Leitão.

"Os portugueses são, por natureza, investidores conservadores", salientou o responsável do BPI, tendo em conta o maior risco apresentado por este novo fundo. Contudo, lembra: "Só este ano captámos mais de 90 milhões de euros com o BPI Brasil". PM

















































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