Brent cai e negoceia abaixo dos 100 dólares. "Traders" avaliam manobras diplomáticas
Os preços do petróleo estão a recuar mais de 4% nesta manhã, numa altura em que o gás natural perde mais de 7%. Os mercados estão a reagir aos alegados esforços diplomáticos dos EUA para pôr fim à guerra, bem como às garantias do Irão de que "navios não hostis" podem transitar pelo estreito de Ormuz.
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O preço do petróleo nos mercados internacionais negoceia com quedas em torno dos 4% nesta manhã, à medida que os alegados esforços diplomáticos dos Estados Unidos (EUA) para tentar pôr fim à guerra com o Irão ofuscam notícias sobre o envio de mais tropas norte-americanas para a região e dão algum otimismo aos “traders”, ainda que o estreito de Ormuz permaneça praticamente fechado.
O Brent – de referência para a Europa – chegou a descer 7%, para cerca de 97 dólares por barril, antes de recuperar parte das perdas. Negoceia agora com uma desvalorização de 5,08%, para os 99,18 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate – de referência para os EUA - situa-se pouco acima dos 88 dólares por barril, com uma queda de mais de 4%.
Já o gás natural negociado no Velho Continente desvaloriza mais de 7%, para os 50,132 euros por megawatt-hora, mas já subiu mais de 50% desde o início da guerra.
Um plano de 15 pontos elaborado por Washington para ajudar a pôr fim às hostilidades no Médio Oriente terá sido enviado ao Irão - através do Paquistão, que mostrou abertura para mediar conversações de cessar-fogo -, segundo fontes familiarizadas com o assunto e citadas pela Bloomberg. Ainda assim, muita incerteza permanece entre os mercados, já que Teerão continua a negar qualquer tentativa de resolução do conflito através de negociações com os EUA.
“Passámos claramente do que poderia ter-se tornado a fase de ‘aniquilação’ na guerra entre os EUA e o Irão para um desfecho negociado, embora, dada a falta de confiança de ambos os lados, esse desfecho seja provavelmente complexo”, disse à agência de notícias financeiras Robert Rennie, da Westpac Banking Corp.
A descida dos preços reflete a “redução do prémio de risco de guerra”, referiu, por sua vez, Charu Chanana, da Saxo Markets. “Mas é improvável que isto seja visto como um sinal de que o perigo passou, uma vez que o Irão negou publicamente a existência de conversações diretas, enquanto a atividade militar e o envio de tropas continuam”, sublinhou o mesmo especialista.
Numa reportagem sobre as manobras diplomáticas dos EUA, o israelita Canal 12 afirmou que Israel estava preocupado com a proposta e considerava improvável que o Irão a aceitasse, não sendo ainda conhecida a posição de Telaviv em relação às alegadas negociações entre os EUA e o Irão.
Já da parte da China, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, instou o seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, a iniciar negociações com os EUA o mais rapidamente possível, de acordo com um comunicado do Executivo.
A pressionar os preços estão também notícias da Organização Marítima Internacional (OMI), que afirmou na terça-feira ter recebido do Irão a garantia de que "navios não hostis" podem transitar pelo estreito de Ormuz, desde que respeitem as regras de segurança e proteção. Segundo a agência das Nações Unidas para a segurança marítima, a garantia consta de um documento, datado de domingo, emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, com pedido de que fosse divulgado.
Apesar das quedas registadas nesta manhã, o "ouro negro” segue ainda a caminho de um aumento mensal substancial, como Brent a ficar uma subida de cerca de 37%.