Petróleo volta a subir com receios de escalada da guerra no Médio Oriente
Aliados dos EUA na região, incluíndo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, estarão prontos para se juntar aos ataques contra o Irão. Escalada preocupa investidores, depois de Trump ter ontem adiado o ultimato feito ao Irão e apontado para a possibilidade de um acordo de cessar-fogo.
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O petróleo volta a negociar com valorizações nesta terça-feira, 24 de março, após uma sessão volátil na segunda-feira que viu o Brent recuar 14% antes de voltar a subir devido, em grande parte, a declarações do Presidente norte-americano, que adiou o ultimato feito a Teerão sobre ataques a infraestruturas energéticas da República Islâmica.
E apesar de Donald Trump ter indicado que estará em negociações com o Irão para chegar a um cessar-fogo, receios de que a guerra no Médio Oriente possa agravar-se, com os fluxos de crude através do estreito de Ormuz ainda bloqueados, estão hoje a pesar sobre o sentimento dos investidores. Isto depois de terem sido relatados novos ataques na região, sendo que o Irão negou que estivessem a decorrer negociações com Washington.
Nesta medida, o petróleo Brent – de referência para a Europa – valoriza mais de 2%, para os 102,04 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate - preço de referência para os Estados Unidos (EUA) - avança 2,25%, para os 90,11 dólares por barril.
Já o gás natural negociado no Velho Continente soma esta manhã menos de 0,20%, para os 56,790 euros por megawatt-hora.
Entretanto, devido à escalada dos preços da energia e às disrupções no abastecimento, o Chile deverá aumentar os preços dos combustíveis em até 50%, enquanto na Ásia, o Japão ordenou uma revisão de toda a sua cadeia de abastecimento de produtos relacionados com o petróleo. A primeira-ministra nipónica, Sanae Takaichi, confirmou hoje que Tóquio vai começar a libertar as reservas estratégicas de petróleo na quinta-feira, face a preocupações com o abastecimento devido ao conflito no Golfo Pérsico.
Noutros locais, a Tailândia aumentou o preço do gasóleo, a maior refinaria de petróleo da China afirmou que daria prioridade ao abastecimento local e as Filipinas alertaram que a imobilização de aviões devido à escassez de combustível para aviões era uma “possibilidade concreta”.
“Se este choque se prolongar, esta escassez extrema que se concentra atualmente no Médio Oriente e na Ásia irá alastrar-se", disse à Bloomberg Daan Struyven, do Goldman Sachs Group. Eventualmente, seria necessária uma redução da procura para reequilibrar a oferta, acrescentou.
Aliados dos EUA na região, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, endureceram as suas posições contra Teerão devido ao bombardeamento dos seus territórios. A Arábia Saudita estará mesmo pronta para atacar o Irão caso as suas próprias centrais elétricas e de dessalinização sejam alvo da República Islâmica, segundo fontes com conhecimento do assunto citadas pela agência de notícias financeiras.
“Se os Estados do Golfo se juntassem ao conflito, isso representaria uma escalada significativa”, sublinhou, por sua vez, Linh Tran, da XS.com. “O mercado continua altamente sensível às notícias que surgem”, referiu.
Entretanto, instalações de gás terão sido atingidas em Isfahan, no centro do Irão, informou a agência de notícias semioficial Fars. “Não é claro até que ponto as negociações [entre os EUA e o Irão] por canais extraoficiais avançaram, nem se o IRGC está disposto a chegar a um acordo nesta fase, uma vez que mantém o controlo firme do estreito de Ormuz”, defenderam analistas da RBC Capital Markets LLC. “Serão provavelmente os navios, e não as declarações, que acabarão por ser determinantes para os mercados físicos”, dizem.