Cessar-fogo no Irão afunda petróleo e gás natural. Brent cai 16% e aproxima-se dos 90 dólares
A pausa nas hostilidades no Médio Oriente e as perspetivas de uma retoma da circulação no estreito de Ormuz estão a ser suficientes para afundar o preço do petróleo e do gás natural nos mercados internacionais. Os EUA e o Irão conseguiram chegar, finalmente, a um acordo de cessar-fogo de duas semanas na madrugada desta quarta-feira, após um dia em que a tensão entre as duas partes foi palavra de ordem, com o Presidente norte-americano a ameaçar aniquilar toda a civilização iraniana caso a República Islâmica não reabrisse uma das mais importantes vias marítimas para o comércio global.
A esta hora, o Brent - crude de referência para a Europa - cai 14,81% para 93,08 dólares por barril, tendo chegado a ceder mais de 16% para 91,70 dólares. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - afunda 15,63% para 95,30 dólares, depois de ter chegado a mergulhar mais de 19% para 91,05 dólares - a maior queda registada pelo WTI em cerca de seis anos. Já o gás natural liquefeito (GNL) negociado em Amesterdão cai 17,17% para 44,11 euros por megawatt-hora (MW).
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Ao anunciar o acordo, Donald Trump referiu que o cessar-fogo estaria condicionado à reabertura do estreito de Ormuz por parte do Irão. Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, confirmou que a travessia por esta via marítima - por onde passa 20% do petróleo e gás natural consumido por todo o mundo - iria ser retomada durante duas semanas, em coordenação com as forças armadas do país. A Associated Press está, no entanto, a noticiar que a navegação pelo estreito só será possível com o pagamento de uma taxa, a ser dividida pelo Irão e por Omã.
"Seria preciso algo verdadeiramente extraordinário para que voltássemos a ficar abaixo dos 80 dólares por barril", explica Jason Schenker, presidente e economista-chefe da Prestige Economics, em entrevista à Bloomberg TV. "Mas praticamente qualquer contratempo nestas negociações de cessar-fogo poderia rapidamente fazer com que voltássemos a ultrapassar os 100 dólares", antecipa.
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O Paquistão, que mediou o cessar-fogo entre EUA e Irão, rapidamente convidou as delegações dos dois países a sentarem-se à mesa em Istambul esta sexta-feira, de forma a chegarem a um "acordo conclusivo" - um convite já aceite pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano. Numa publicação nas redes sociais, o Presidente norte-americano referiu que este será “um cessar fogo dos dois lados” e explica que acedeu ao adiamento porque os EUA “já cumpriram e excederam todos os objetivos militares”, contribuindo para um “acordo definitivo no que respeita à paz de longo prazo com o Irão e à paz no Médio Oriente”.
O acordo não parecia possível nas últimas horas antes de terminar o prazo do ultimato dado por Donald Trump ao Irão, que ficaram marcadas por uma intensificação da retórica entre ambas as partes, depois de o Presidente dos EUA ter dito que “uma civilização inteira iria morrer” se Teerão não chegasse a um acordo de cessar-fogo que permitisse o desbloqueio do estreito de Ormuz até às 20:00 de terça-feira (01:00 de quarta-feira em Lisboa).
Apesar dos movimentos desta quarta-feira, o petróleo continua a negociar bastante acima da cotação registada no período pré-guerra. Desde o estalar do conflito no Médio Oriente, o Brent já valorizou mais de 30%, trazendo o seu acumulado do ano para 55,31%. Já o WTI acabou mesmo por superar as subidas do crude de referência para a Europa, tendo acelerado 43% desde finais de fevereiro e 67,75% desde o início de 2026.
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(Notícia atualizada às 8:15)
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