Entrada dos Houthi no conflito leva petróleo a ultrapassar os 116 dólares
A entrada do grupo rebelde Houthi no conflito e o reforço da presença militar dos EUA na região não está a dar tréguas aos preços do petróleo. Pela terceira sessão consecutiva, o crude está a valorizar e chegou a ultrapassar os 116 dólares, atingindo máximos de uma semana e meia, numa altura em que os investidores se mostram cada vez menos otimistas em relação a um fim da guerra no curto prazo - apesar de Donald Trump, Presidente norte-americano, até ter sinalizado que as negociações para um cessar-fogo estão a correr bem.
O Brent - crude de referência para a Europa - chegou a escalar 3,71% esta segunda-feira para os 116,75 dólares por barril, tendo entretanto reduzido os ganhos para os 115,35 dólares, encaminhando-se para fechar o mês de maiores valorizações desde que há registos. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - ultrapassou mais uma vez os 100 dólares, atingindo um máximo de sessão nos 193,38 dólares. Agora, negoceia com ganhos de apenas 1,15% para 100,79 dólares por barril.
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No sábado, o grupo rebelde Houthi, aliado do Irão no Iémen, entrou oficialmente no conflito com um ataque de mísseis contra o Israel. A ofensiva acabou intercetada pela defesa aérea israelita, mas o porta-voz do grupo já veio dizer que pretende continuar com as operações até os ataques contra Teerão e os seus aliados cessarem. Ao mesmo tempo, os EUA enviaram para a região um novo contingente de tropas, aumentando os receios de uma possível invasão terrestre na República Islâmica.
Numa entrevista ao Financial Times, Donald Trump expressou a sua "preferência em tomar o petróleo" do Irão e chegou mesmo a pôr em cima da mesa uma eventual apropriação da ilha de Kharg - o principal ponto de exportações do regime iraniano. Além disso, o líder norte-americano afirmou que Teerão concordou em permitir que 20 petroleiros atravessem o estreito de Ormuz a partir da manhã de segunda-feira e durante os próximos dias, como forma de "presente".
"O conflito está a tornar-se cada vez mais complexo e difícil de conter", explica Linh Tran, analista de mercado da XS.com, à Bloomberg. "Isto está a obrigar o mercado a reavaliar continuamente o risco", disse ainda, acrescentando que o petróleo poderá voltar a subir para cerca de 120 dólares por barril a curto prazo. Desde o estalar da guerra, o Brent já valorizou cerca de 60%, mergulhando o mundo numa nova crise energética que pode ter impactos substanciais na inflação - e, consequentemente, na política monetária dos grandes blocos económicos.
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Com o conflito a não dar sinais de uma resolução a curto prazo, têm crescido o número de analistas que apostam numa chegada do petróleo aos 200 dólares - um máximo histórico. Uma invasão terrestre parece continuar nos planos do Pentágono, embora a Casa Branca reafirme que nenhuma decisão foi até agora tomada. Este fim de semana, o Wall Street Journal noticiou, citando fontes oficiais de Washington, que Trump estará mesmo a ponderar uma operação militar no terreno para extrair o urânio do Irão, uma possibilidade que já tinha sido levantada no início deste mês.
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