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Petróleo afunda mais de 5% com perspetiva de aumento da produção da OPEP

A OPEP e os seus aliados (o chamado grupo OPEP+) estão a debater um aumento da produção de janeiro em 500.000 barris por dia, segundo o WSJ.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 21 de Novembro de 2022 às 16:43
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Os preços do "ouro negro" seguem a negociar no vermelho, depois de duas semanas de saldo negativo. O crude está assim a prolongar as quedas, desta vez devido ao facto de ter sido avançado que a Arábia Saudita e outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) estão a ponderar um aumento da produção, isto numa altura em que a China mantém muitas restrições devido à covid e penaliza dessa forma as perspetivas para a procura.

 

Em Londres, o contrato de janeiro do Brent do Mar do Norte, que é a referência para as importações europeias, segue a perder 5,35% para 82,93 dólares por barril.

 

Já o contrato de dezembro West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, recua 5,48% para 75,69 dólares por barril.

 

O The Wall Street Journal avançou que a OPEP e os seus aliados (o chamado grupo OPEP+) estão a debater um aumento da produção de janeiro em 500.000 barris por dia, já tendo em vista o embargo da União Europeia à importação de petróleo russo a partir de 5 de dezembro.

 

Se esse aumento for confirmado, acontecerá numa altura em que o sentimento de mercado mudou, com o preço dos barris físicos a descer.

 

No passado fim de semana, a China registou as suas primeiras mortes por covid em quase seis meses, o que intensifica os receios de uma nova onda de retrições na maior importadora mundial de petróleo.

 

Grandes inventários "na água"

 

Os inventários de crude "na água" – que incluem o petróleo que transita de petroleiros, do produtor para o consumidor, e a matéria-prima em armazenamento flutuante – estão no nível mais alto desde maio de 2020, depois de terem aumentado consideravelmente nos últimos meses, e há quem receie que isso em breve se traduza num aumento dos stocks em terra, sublinha Giovanni Staunovo, analista de matérias-primas do UBS, numa análise a que o Negócios teve acesso.

 

"Estamos convictos de que o recente aumento do crude em estruturas flutuantes resulta do incremento recente das exportações da OPEP, bem como da venda de crude das reservas estratégicas dos EUA e das sanções europeias ao crude russo, que estão para breve", refere.

 

Ainda assim, o banco suíço continua a antecipar que os preços do Brent retomem até ao patamar dos 100 dólares por barril nos próximos meses – quando as vendas de crude das reservas estratégicas terminarem, o bloqueio europeu à importação de crude russo entrar em vigor e a procura continuar a aumentar, especialmente numa altura em que chega o tempo mais frio.

OPEP cortou oferta em outubro e novembro

 

No início de setembro, o cartel e os seus aliados anunciaram um corte da produção em 100.000 barris por dia a partir de outubro, o que foi um volume simbólico.

 

Na reunião seguinte, a 5 de outubro, decidiram cortar em dois milhões de barris por dia a produção de novembro – a maior retirada de crude do mercado desde a pandemia em 2020.

 

Decidiram também que as reuniões passariam a ser de dois em dois meses, em vez de mensalmente.

Entretanto, segundo a Bloomberg, a Arábia Saudita já veio negar que estejam a decorrer discussões com vista a um aumento da produção – o que já atenuou grandemente a queda dos preços, com o Brent a ceder 1,18% e o WTI a recuar 0,91%. 

(notícia atualizada às 17h52 com informação de Riade)

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