TotalEnergies arrecada mais de mil milhões de dólares após corrida à compra de crude
A energética francesa aproveitou a disrupção no mercado para comprar cargas de petróleo como nunca. A corrida ao crude ajudou à inflação dos preços e a TotalEnergies já está a colher os frutos desta decisão.
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A corrida da TotalEnergies à compra de crude cotado no Médio Oriente já está a dar frutos. A divisão comercial da empresa francesa aproveitou a instabilidade na região, com o estalar do conflito entre os EUA, Israel e Irão, para avançar com uma das maiores campanhas de aquisição de petróleo de sempre e, de acordo com fontes próximas do grupo e citadas pelo Financial Times, os lucros obtidos entre o preço de compra e o de venda já ultrapassaram os mil milhões de dólares.
Ao todo, a energética adquiriu 70 cargas de petróleo bruto dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, o que equivale a todo o crude produzido nos dois países para maio e que estava disponível para venda em março. O valor corresponde ainda ao dobro do que a TotalEnergies tinha comprado em fevereiro, aproveitando-se de um mercado em disrupção, com pouca liquidez e grande volatilidade para dominar o mercado do petróleo físico do Médio Oriente.
"De repente, o volume de negociação de petróleo diminuiu significativamente, o que torna qualquer contrato muito mais vulnerável a um único operador que assuma uma posição longa [ou seja, uma aposta de que o preço vai subir]", refere Adi Imsirovic, especialista em sistemas energéticos, à Bloomberg. "Esta é, potencialmente, a maior posição já assumida na história dos mercados petrolíferos", acrescenta ainda.
A corrida ao crude levou o preço do petróleo cotado no Dubai - o DME Oman, "benchmark" da região e negociado na Dubai Mercantile Exchange (DME) - chegasse a tocar nos 170 dólares por barril na semana passada, um novo máximo histórico. Por comparação, o Brent - crude de referência para a Europa - escalou de forma menos significativa, ficando-se pelos 119 dólares na sequência do conflito no Médio Oriente.
A guerra levou a TotalEnergies a comprar agressivamente pequenos contratos de derivados (cada um com 25 mil barris de petróleo) que depois se convertem em cargas físicas. Quando a empresa decidiu suspender temporariamente a aquisição de crude na quarta-feira passada, o mercado de futuros ligado aos índices de referência regionais do crude entraram em colapso. Os futuros do DME chegaram a cair 48 dólares a determinado momento.
O estalar do conflito no Golfo Pérsico levou o Irão a bloquear, quase por completo, a passagem de embarcações pelo estreito de Ormuz, responsável pelo abastecimento de cerca de 20% do petróleo e crude de todo o mundo. Isto deixou os países da região com dificuldades em escoar os seus "stocks" de crude e levou os preços da matéria-prima a dispararem - com especial incidência no contrato do Dubai. Face a esse movimentos, alguns compradores asiáticos ainda tentaram fazer lóbi junto da Saudi Aramco, a maior petrolífera do mundo, para que passasse a indexar os seus preços ao contrato Brent - mas sem sucesso.