Europa no vermelho sob pressão das companhias aéreas. Ouro passa os 5.100 dólares
Europa no vermelho sob pressão das companhias aéreas. Ryanair em queda após resultados
Juros das dívidas soberanas aliviam em toda a Europa. "Gilts" com maior descida
Iene salta para máximos de dois meses com intervenção iminente. Dólar em queda
"Rally" do ouro continua a todo o gás. Metal precioso ultrapassa os 5.100 dólares
Petróleo avança com disrupções nos EUA e tensões no Irão em foco
Ásia e Europa no vermelho com iene e recuo do Canadá no radar
Inflação anual no Irão aumentou 44,6% após protestos
A inflação anual no Irão aumentou 44,6% em geral e 89,9% no caso dos alimentos, após os protestos que eclodiram devido à deterioração da situação económica, há menos de um mês, e que têm sido reprimidos pelo Estado.
O Centro de Estatísticas do Irão informou esta segunda-feira que a inflação no mês iraniano de Dey (entre meados de dezembro e meados de janeiro) aumentou 2,4% em relação ao mês anterior, ultrapassando os 44,6% anuais.
Indicou ainda que a inflação homóloga subiu 60% neste período temporal, em comparação com o mesmo período do ano passado, registando um salto de 7,4% em relação ao mês anterior.
"Isto significa que as famílias, em média, devem gastar 60% mais do que no mesmo período do ano passado para comprar um conjunto determinado de produtos e serviços", indicou o Centro de Estatísticas.
O maior aumento ocorreu no caso de alimentos e bebidas, cujos preços subiram 89,9% em um ano.
Europa no vermelho sob pressão das companhias aéreas. Ryanair em queda após resultados
Os principais índices europeus estão a negociar maioritariamente no vermelho esta segunda-feira, apesar de até terem arrancado em alta, impulsionados por aumento dos preços dos metais preciosos que se estava a refletir positivamente nas ações das cotadas ligadas ao setor. No entanto, as perdas das companhias aéreas, que estão a ser afetadas por disrupções nos EUA devido ao mau tempo e pelos resultados da Ryanair, estão a arrastar a região para território negativo.
A esta hora, o Stoxx 600 recua 0,06% para 607,95 pontos, afastando-se dos máximos históricos de 615,07 pontos alcançados a 16 de janeiro. Na semana passada, o principal índice europeu enfrentou grande turbulência devido aos avanços e recuos de Donald Trump, Presidente dos EUA, em relação às tarifas de 10% contra oito países da região que se opunham ao seu plano de anexar a Gronelândia.
Após dias de grande tensão diplomática, o líder norte-americano decidiu recuar na sua intenção de impor estas tarifas, chegando a "um quadro para um futuro acordo” com a NATO no que diz respeito ao território sob a égide da Dinamarca. Em reação, os mercados recuperaram, mas os investidores continuam a mostrar-se bastante nervosos, principalmente depois de Trump ter ameaçado o Canadá com novas tarifas, levando a uma corrida aos ativos de refúgio, principalmente ao ouro.
Com um clima de instabilidade geopolítica como pano de fundo, os investidores viram agora as suas atenções para a época de resultados. "As previsões de lucros um tanto cautelosas para a época de divulgação dos resultados do quarto trimestre complementam um ambiente positivo para as ações", explica Ulrich Urbahn, diretor de estratégia e pesquisa de múltiplos ativos da Berenberg, à Bloomberg.
Entre as cotadas que já apresentaram contas, a Ryanair cai 1,32% para 28,33 euros, depois de ter visto os seus lucros caírem 80% para 30 milhões de euros no seu terceiro trimestre fiscal, encerrado em dezembro do ano passado. A quebra nos resultados deveu-se a uma multa de 255,7 milhões de euros por parte da autoridade da concorrência italiana por "abuso de posição dominante".
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o espanhol IBEX 35 avança 0,30% e o italiano FTSEMIB valoriza 0,23%. Já o francês CAC-40 subtrai 0,36%, ao passo que o neerlandês AEX desliza 0,32%, o britânico FTSE 100 cai 0,06% e o alemão DAX perde 0,25%.
Juros das dívidas soberanas aliviam em toda a Europa. "Gilts" com maior descida
Os juros das dívidas soberanas na Europa estavam a aliviar em toda a linha no arranque da semana, como reflexo de que os investidores estão a privilegiar ativos mais seguros, como, aliás, ficou patente na valorização do ouro que, pela primeira vez, "brilhou" acima dos 5.000 dólares por onça.
Esta segunda-feira, por volta das 08:30 horas, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para o contexto europeu, estavam a recuar 2,2 pontos-base para uma taxa de 2,882%.
A rendibilidade da dívida soberana francesa, com a mesma maturidade, recuava 2,7 pontos para 3,465%, enquanto a da dívida italiana deslizava 2,6 pontos (para 3,485%) tal como a da espanhola (para 3,244%).
A "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas cediam 2,4 pontos para 3,235%.
O maior alívio estava a ser protagonizado pelas "Gilts" britânicas: os juros desciam 3,2 pontos para 4,479%.
Nos EUA, as obrigações seguiam a tendência deslizando 2,2 pontos-base para uma taxa de rendibilidade de 4,203%.
Iene salta para máximos de dois meses com intervenção iminente. Dólar em queda
A perspetiva de os EUA se juntarem ao Japão numa intervenção cambial para reverter as grandes perdas do iene nos últimos meses acabou por castigar o dólar. A moeda norte-americana está a negociar em mínimos de setembro face a um conjunto das suas principais rivais, enquanto o iene conseguiu tocar em máximos de dois meses, numa altura em que a escalada nas tensões geopolíticas mundiais está também a pesar sobre a "nota verde".
A esta hora, o dólar cai 1,06% para 154,04 ienes, enquanto o euro avança 0,09% para 1,1839 dólares e a libra mantém-se quase inalterada, crescendo apenas 0,01% para 1,3644 dólares. Já face à moeda suíça, vista como um dos ativos refúgio prediletos dos investidores, o dólar cede 0,12% para 0,7790 francos suíços - isto depois de já ter perdido cerca de 2% do seu valor na última semana.
Para muitos investidores, os sinais de que os EUA estão prontos para ajudar o iene abre caminho para uma possível intervenção no mercado que leve o dólar a desvalorizar contra as divisas dos países que representam a grande fatia das importações norte-americanas. "Se a Reserva Federal (Fed) de Nova Iorque decidir juntar-se a esta iniciativa, isto irá amplificar ainda mais a recuperação do iene - e não apenas por razões simbólicas", explica Gareth Berry, estratega do Macquarie Group, à Bloomberg, acrescentado que uma intervenção conjunta "seria interpretada como um sinal de que Trump deseja um dólar mais fraco".
A discussão sobre uma possível intervenção conjunta entre EUA e Japão no iene reacendeu-se na sexta-feira, quando vários "traders" informaram que a Fed de Nova Iorque tinha contactado instituições financeiras para perguntar sobre a taxa de câmbio da divisa nipónica. Seria apenas a terceira vez na história recente que algo assim aconteceria, com a primeira instância a ocorrer em 1985 com o Acordo de Plaza e a outra uma década mais tarde, em 1998.
Desde o arranque do ano, o índice do dólar da Bloomberg já caiu cerca de 9%, pressionado pelas ameaças à independência da Fed, pelas perspetivas de um novo presidente do banco central mais alinhado com a visão do Presidente norte-americano, bem como pela escalada nas tensões geopolíticas mundiais, que culminaram numa grande disputa diplomática entre EUA e Europa.
"Rally" do ouro continua a todo o gás. Metal precioso ultrapassa os 5.100 dólares
O "rally" do ouro continua sem qualquer travão. Depois de ter ultrapassado os 5 mil dólares já no final da noite de domingo, o metal amarelo continua a acelerar e superou mesmo a marca dos 5.100 dólares nesta segunda-feira, impulsionado por uma renovado apetite por ativos de refúgio, numa altura em que as tensões geopolíticas continuam a centrar as atenções dos investidores.
Entretanto, o ouro perdeu algum gás e encontra-se a valorizar 2,11% para 5.092,81 dólares por onça, depois de ter chegado a tocar nos 5.110,50 dólares durante a madrugada. O preço do metal precioso está ainda a ser impulsionado por um dólar em queda, com um índice da "nota verde" que mede a força da divisa norte-americana face às suas principais rivais a cair quase 2% na última semana.
A procura por refúgio e a queda do dólar estão ainda a beneficiar os restantes metais preciosos, com a prata a ultrapassar a marca dos 109 dólares por onça e a platina a atingir um novo pico nos 2.891,60 dólares. Já o paládio tocou em máximos de três anos, ao valorizar mais de 2,5% para os 2.060,70 dólares.
"Muitas das atuais incertezas geopolíticas iniciadas por Trump provavelmente não vão desaparecer tão cedo", afirma Vasu Menon, diretor de estratégia de investimento da Oversea-Chinese Banking, à Bloomberg. Isso significa que "o ouro pode continuar em alta nos próximos meses e até anos, embora os investidores devam se preparar para recuos intermitentes após os fortes ganhos nos últimos 12 meses".
Desde o arranque do ano, a política errática de Donald Trump tem servido como catalisador dos ativos de refúgio. As tensões geopolíticas mundiais começaram a aquecer com o ataque à Venezuela, que culminou na captura de Nicolás Maduro, e intensificaram-se com ameaças de intervenção no Irão e ainda as intenções do Presidente dos EUA de anexar a Gronelândia - território sob a égide da Dinamarca.
Petróleo avança com disrupções nos EUA e tensões no Irão em foco
O barril de petróleo está a negociar em território positivo esta segunda-feira, embora com movimentações de pequena magnitude, num dia em que os investidores continuam a avaliar uma possível intervenção militar dos EUA no Irão e reagem a algumas disrupções na produção de crude em território norte-americano. A pesar sobre os preços do petróleo está, no entanto, a retoma de operações em dois grandes campos petrolíferos no Cazaquistão.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – avança 0,41%, para os 61,32 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – segue a valorizar 0,38% para os 66,14 dólares por barril. Os dois "benchmarks" encerraram a sessão de sexta-feira com um saldo semanal positivo de 2,7%, isto depois de Donald Trump, Presidente dos EUA, ter afirmado que uma "armada" estava a dirigir-se para o Irão com o objetivo de conter a repressão aos manifestantes iranianos por parte das autoridades do país.
"A agitação constante na geopolítica está a manter os prémios de risco vivos", explica Priyanka Sachdeva, analista sénior de mercado da corretora Phillip Nova Pte, à Bloomberg. "No entanto, o mercado em geral continua cauteloso, com o crescimento da produção dos EUA e de outros grandes exportadores a superar o crescimento da procura", acrescenta. Neste campo, a Agência Internacional de Energia atualizou recentemente as suas previsões para o mercado petrolífero em 2026, prevendo agora um excedente de 4,25 milhões de barris por dia no primeiro trimestre.
Mesmo assim, no curto prazo, os investidores devem focar-se nas disrupções ao abastecimento de crude que estão a acontecer nos EUA. A Exxon Mobil Corp. teve de encerrar algumas das suas unidades de refinação no Texas devido a um inverno rigoroso com temperaturas bastante baixas, o que está a aumentar significativamente a procura por gás natural - e a elevar os preços da matéria-prima. Os analistas do JPMorgan estimam que estejam a ser perdidos cerca de 250 mil barris de petróleo por dia.
Ásia e Europa no vermelho com iene e recuo do Canadá no radar
As principais praças asiáticas encerraram a primeira sessão da semana maioritariamente no vermelho - uma tendência que deve ser seguida pela Europa, numa altura em que os investidores encontram-se a avaliar uma possível intervenção no mercado cambial por parte das autoridades japonesas em conjunto com as norte-americanas, além do aumento das tensões geopolíticas entre os EUA, Canadá e China.
Depois de Donald Trump, Presidente dos EUA, ter ameaçado o Canadá com tarifas de 100%, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, decidiu dar um passo atrás e afirmar que, afinal, o país não tem qualquer intenção de assinar um acordo comercial com a China. "De acordo com o USMCA [acordo comercial trilateral que inclui o México, o Canadá e os Estados Unidos], estamos empenhados em não procurar acordos de comércio livre com economias não de mercado sem notificação prévia", esclareceu.
Apesar de a situação não ter escalado, os mercados continuam a ver nas ameaças tarifárias de Trump um fator de instabilidade. Em reação, o Hang Seng, de Hong Kong, e o Shanghai Composite terminaram a sessão em território negativo, embora com perdas pouco acentuadas de 0,05% e 0,09%, enquanto o sul-coreano Kospi - um dos índices mundiais com melhor desempenho no ano passado - cedeu 0,08%.
Em foco está ainda uma possível intervenção do Banco do Japão no mercado cambial. O iene chegou a saltar cerca de 1,2% esta madrugada, atirando o dólar para mínimos de setembro, depois de a primeira-ministra nipónica, Sanae Takaichi, ter afirmado que o país vai tomar "todas as medidas necessárias para responder a movimentos especulativos e altamente anormais". Os mercados estão a especular se os EUA não poderão assistir as autoridades japonesas nesta intervenção.
As ações de uma das maiores economias asiáticas acabaram por ser castigadas pela subida anormal do iene, com o Nikkei 225 a ceder quase 1,8% e o abrangente Topix a cair mais de 2%. As empresas japonesas, grandes exportadoras, tendem a beneficiar de um iene mais frágil.
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