Europa fecha terceira sessão consecutiva em alta após plano de Trump para acabar com a guerra
Juros afundam na Zona Euro. Investidores já não dão três subidas de juros como certas por parte do BCE
Dólar volta aos ganhos após Irão rejeitar proposta dos EUA
Ouro reergue-se e avança quase 2% com investidores a apostarem numa resolução do conflito
Petróleo cede com avanços na negociação entre EUA e Irão
Wall Street em alta com mercados atentos a negociações de cessar-fogo. Arm Holdings dispara 14%
Petróleo volta a bater nos 100 dólares depois de Irão recusar cessar-fogo
Taxas Euribor descem a três, seis e 12 meses
Europa negoceia em alta com plano de Trump a impulsionar bolsas
Juros com fortes alívios. Mercados reduzem apostas quanto a subida de juros pelo BCE
Dólar sem grandes alterações com "traders" a assumirem postura cautelosa face ao conflito
Ouro avança quase 2% com dólar mais fraco e preços do crude em queda
Brent cai e negoceia abaixo dos 100 dólares. "Traders" avaliam manobras diplomáticas
Ásia fecha em alta com abrandamento dos preços do crude. IA impulsiona índices chineses
Europa fecha terceira sessão consecutiva em alta após plano de Trump para acabar com a guerra
As principais praças europeias encerraram a terceira sessão consecutiva em alta e com ganhos avultados, num dia em que os investidores estiveram a avaliar as exigências dos EUA e do Irão para pôr fim à guerra, que está prestes a completar um mês. Donald Trump, Presidente norte-americano, apresentou um plano de 15 pontos a Teerão para alcançar um acordo de cessar-fogo, mas acabou rejeitado por parte do regime de Mojtaba Khamenei.
O Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação europeia - terminou a negociação com ganhos de 1,42% para 587,49 pontos, tendo chegado a avançar cerca de 1,8% durante a sessão. Todos os setores encerraram no verde, com as mineiras e a banca a liderarem os ganhos. No entanto, as ações ligadas às telecomunicações acabaram por ver os ganhos limitados pela queda de quase 3% da italiana Inwit, depois de a Swisscom, um dos seus maiores clientes, ter anunciado que quer rescindir o seu contrato de prestações de serviços em 2028.
Olhando para o Médio Oriente, e apesar de os EUA e o Irão não parecerem estar perto de alcançar um cessar-fogo, os investidores estão a olhar para a troca de exigências por parte dos dois países como um sinal de aproximação e vontade de pôr fim à guerra. Mesmo assim, a República Islâmica decidiu avançar com novos ataques a uma série de países do Golfo Pérsico esta quarta-feira.
Os investidores estiveram ainda atentos às palavras de Christine Lagarde. A presidente do Banco Central Europeu (BCE) garantiu que a autoridade monetária não se vai precipitar na resposta à guerra no Irão, mas também não vai ficar “paralisada” pela incerteza. “Temos uma estratégia concebida para um mundo de maior incerteza, com riscos e cenários no seu cerne. Temos um conjunto gradual de opções para responder a esta situação. E estamos numa posição mais favorável caso precisemos de agir”, afirmou ainda.
A escalada dos preços da energia devido aos constrangimentos no estreito de Ormuz deixaram o banco central com um problema em mãos. Caso o conflito se prolongue, a inflação deve voltar a disparar e a autoridade monetária será obrigada a voltar a subir as taxas de juro, após um ciclo de alívio que terminou no ano passado. O mercado de "swaps" chegou a dar três subidas como certas, mas agora só tem precificados dois apertos.
Entre as principais movimentações de mercado, a farmacêutica espanhola Grifols chegou a disparar 9,5% esta manhã, tendo reduzido os ganhos para apenas 1,36%, depois de ter anunciado que estava a preparar uma entrada em bolsa da sua subsidiária norte-americana. Já a britânica RS Group caiu mais de 4,5%, após a distribuidora de produtos industriais e elétricos ter avisado que as suas receitas devem cair este trimestre e ficar abaixo das expectativas.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX ganhou 1,41%, o espanhol IBEX 35 somou 1,54%, o italiano FTSEMIB valorizou 1,48%, o francês CAC-40 subiu 1,33%, ao passo que o neerlandês AEX ganhou 0,91% e o britânico FTSE 100 saltou 1,42%.
Juros afundam na Zona Euro. Investidores já não dão três subidas de juros como certas por parte do BCE
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro encerraram a sessão desta quarta-feira com grandes alívios, num dia em que os preços do petróleo e do gás natural deram tréguas aos mercados e encontram-se a ceder entre os 3% e os 4%. A queda, aliada às perspetivas de um resolução a curto prazo da guerra no Irão, está a fazer com que os investidores diminuam as probabilidades do Banco Central Europeu (BCE) avançar com três subidas nas taxas de juro este ano.
Na terça-feira ao final da noite, Donald Trump, Presidente dos EUA, apresentou um plano de 15 pontos para pôr fim à guerra no Irão. A proposta foi, no entanto, rejeitada por Teerão, que disse que não é o líder norte-americano a decidir quando o conflito acaba, apresentando as suas próprias exigências para poder avançar com um cessar-fogo - o que inclui a soberania sobre o estreito de Ormuz e reembolsos pelos danos da guerra.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, de referência para a região, recuaram 7 pontos base para 2,954%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade cedeu 10,6 pontos para 3,649%. Por Itália, o alívio foi de 11,6 pontos para 3,833%, reduzindo o "spread" com a dívida alemã, que atingiu os 100 pontos na segunda-feira, para cerca de 89 pontos-
Pela Península Ibérica, os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, perderam 9,2 pontos base para 3,413%, enquanto, em Espanha, a "yield" da dívida com a mesma maturidade caiu 9,7 pontos para 3,462%.
Fora da Zona Euro, seguiu-se a mesma tendência, com os juros das "Gilts" britânicas a afundarem 11,7 pontos base para 4,838%. Nos EUA, os juros das "Tresuries" na maturidade de referência cedem 3,8 pontos para 4,322%.
Dólar volta aos ganhos após Irão rejeitar proposta dos EUA
O dólar conseguiu inverter a tendência do arranque da sessão desta quarta-feira e negoceia agora em território positivo, impulsionado pela rejeição por parte do Irão do plano de 15 pontos de Donald Trump para acabar com a guerra. Apesar de até estarem a celebrar o que entendem ser uma vontade dos EUA dialogarem com Teerão e porem término ao conflito, os investidores continuam a procurar refúgio na "nota verde", numa altura em que as perspetivas para a economia global estão a escurecer.
A esta hora, o índice do dólar - que mede a força da moeda norte-americana face aos seus principais rivais - avança 0,1%, depois de ter chegado a cair 0,3% esta manhã. O euro cai 0,38% para 1,1564 dólares, apesar de as perspetivas económicas da Alemanha - o "motor" da União Europeia (UE) - terem-se deteriorado devido ao aumento dos preços da energia, aumentando as probabilidades de o Banco Central Europeu (BCE) aumentar o número de cortes nas taxas de juro este ano.
"As perspetivas económicas dos EUA e a nível mundial deterioraram-se significativamente este mês devido à guerra no Irão”, começa por explicar Jason Schenker, presidente da Prestige Economics, à Bloomberg, antecipando que "o 'outlook' a curto prazo do dólar vai continuar a depender da duração do conflito", que já se encontra na quarta semana.
Por sua vez, a libra cede 0,34% para 1,3366 dólares, num dia em que foi conhecida a leitura final da inflação no Reino Unido em fevereiro. Os preços acabaram por acelerar ao nível mais baixo em onze meses, fixando-se nos 3% - um valor, mesmo assim, longe da meta estabelecida pelo Banco de Inglaterra e ainda sem contar com os impactos da guerra na escalada dos preços dos combustíveis.
Ouro reergue-se e avança quase 2% com investidores a apostarem numa resolução do conflito
O ouro está a conseguir recuperar esta quarta-feira algum do terreno perdido desde que o conflito estalou no Médio Oriente, impulsionado pela apresentação do plano de 15 pontos de Donald Trump para acabar com a guerra. Apesar do otimismo dos investidores, o Irão já veio recusar o cessar-fogo proposto pelos EUA e avançou com cinco requisitos que considera fundamentais para pôr término ao conflito, que incluem a soberania sobre o estreito de Ormuz e o pagamento pelos danos da guerra.
O metal amarelo chegou a ganhar 2,8% esta quarta-feira, tendo, entretanto, reduzido os ganhos para 1,79%, negociando nos 4.553,97 dólares por onça. Embora a proposta norte-americana tenha sido rejeitada, os investidores estão a olhar para esta troca de exigências como um sinal de que "há interesse dos EUA de caminhar para uma resolução do conflito", explica Helen Amos, analista de matérias-primas da BMO Capital Markets, à Bloomberg.
Desde que o conflito no Médio Oriente começou no último dia de fevereiro, o ouro só conseguiu fechar cinco sessões no verde, encaminhando-se agora para a sexta. O disparo nos preços da energia com o bloqueio do estreito de Ormuz - por onde passa 20% de todo o petróleo e gás natural consumido no mundo - levou os investidores a apostarem num aperto da política monetária por parte de vários bancos centrais - o que tende a ser prejudicial para o ouro, uma vez que não rende juros. Nos EUA, o mercado de "swaps" aponta para uma manutenção das taxas de juro nos atuais níveis até ao final do ano.
Os participantes do mercado aproveitaram ainda as grandes valorizações do ouro nos últimos anos para cobrirem perdas no mercado acionista com o estalar do conflito no Médio Oriente. No final de janeiro, o metal amarelo estabeleceu um máximo histórico nos 5.595,47 dólares por onça, mas desde aí já desvalorizou cerca de mil dólares, pressionado não só pela guerra no Irão mas também por uma grande turbulência no mercado dos metais preciosos registada em fevereiro.
Com o conflito na quarta semana, têm aumentado as pressões internacionais para os EUA, Israel e Irão acabarem com a guerra. Os mediadores da Turquia, do Egito e do Paquistão estão a pressionar as partes envolvidas na guerra no Médio Oriente para que seja marcada uma reunião entre responsáveis norte-americanos e iranianos nas próximas 48 horas, ainda que ambas as partes continuem muito distantes quanto a um possível acordo, avançou esta quarta-feira o The Wall Street Journal.
Petróleo cede com avanços na negociação entre EUA e Irão
Os preços do petróleo estão a cair nos mercados internacionais, numa altura em que sobe a pressão diplomática por parte dos EUA para pôr fim à guerra com o Irão, embora o crude tenha recuperado parte das perdas anteriores depois de a imprensa iraniana ter noticiado que um cessar-fogo não é viável neste momento.
O West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, cai 3,02% para 89,33 dólares por barril, enquanto o Brent, referência para a Europa, cede 3,59% para 100,74 dólares por barril.
Também o gás natural cede 3,04% para 52,44 euros por megawatt-hora.
Além disso, na noite de terça-feira os EUA enviaram, através do Paquistão - que se voluntariou para mediar as conversações -, ao Irão um plano de 15 pontos que visa colocar fim ao conflito. Já o Channel 12, de Israel, avançou que os EUA pretendem implementar um cessar-fogo de um mês para negociar com o regime de Teerão.
O canal avançou com mais detalhes sobre a proposta dos EUA ao Irão, que prevê o desmantelamento do programa nuclear, o compromisso de nunca desenvolver armas nucleares, deixar de apoiar milícias, reabrir o estreito de Ormuz e aceitar limites às capacidades dos seus mísseis.
Em troca, os EUA comprometem-se a levantar as sanções existentes e a ameaça de reimposição automática de sanções, como estava prevista no acordo nuclear anterior. Além disso, o Irão poderá receber assistência para desenvolver um programa nuclear civil.
Entretanto, o regime iraniano recusou o acordo a respondeu às propostas dos EUA: uma dessas condições é o reconhecimento internacional e garantias em relação ao direito soberano do Irão em exercer autoridade sobre o estreito de Ormuz; um pagamento pelos danos causados pela guerra e o estabelecimento de mecanismos concretos para garantir que a guerra não é reimposta; uma suspensão total da "agressão e assassinatos" levados a cabo pelo inimigo, bem como o fim do combate em todas as frentes e para todos os grupos armados na região.
"Da perspetiva iraniana, as ações de Trump desta semana demonstraram que os EUA podem ser pressionados quando o Irão ameaça uma nova escalada", afirmou Arne Lohmann Rasmussen, analista-chefe da A/S Global Risk Management, à Bloomberg.
A posição pública dos EUA sobre o conflito mudou rapidamente nos últimos dias. No fim de semana, Trump elevou a tensão com a ameaça de bombardear as centrais elétricas do Irão caso o Estreito de Ormuz não fosse totalmente reaberto no prazo de 48 horas. O presidente acabou por recuar em relação a esse prazo, afirmando que concederia cinco dias para as negociações. Apresentou agora a proposta de 15 pontos, ao mesmo tempo que envia mais tropas para a região.
Quanto ao estreito de Ormuz, este segue controlado por Teerão, que diz deixar passar os países pelo canal vital, desde que não apoiem atos de agressão contra o país e sigam os regulamentos estabelecidos.
Wall Street em alta com mercados atentos a negociações de cessar-fogo. Arm Holdings dispara 14%
Os principais índices norte-americanos negoceiam com valorizações de mais de 1% em toda a linha, com a descida do petróleo registada hoje nos mercados internacionais a impulsionar o sentimento dos investidores, à medida que tentam avaliar a viabilidade das alegadas negociações de cessar-fogo entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão.
O “benchmark” S&P 500 ganha 1,12%, para os 6.629,51 pontos. Já o Nasdaq Composite sobe 1,39%, para os 22.063,75 pontos. O Dow Jones, por sua vez, valoriza 1,12% para os 46.638,85 pontos.
Uma proposta de paz de 15 pontos apresentada pelos EUA, e que já terá sido recebida pelo Irão, alimentou o otimismo entre os mercados, que acreditam que o Presidente norte-americano, Donald Trump, está empenhado em pôr fim à guerra que tem perturbado os mercados energéticos ao nível global.
Ainda assim, o Irão rejeitou o cessar-fogo e classificou as negociações dos EUA como “ilógicas”, de acordo com a agência noticiosa semioficial Fars, deixando alguns investidores céticos quanto à possibilidade de as tensões abrandarem em breve.
“Há uma recuperação do apetite pelo risco esta manhã, o que faz sentido tendo em conta o fluxo de notícias, mas para nós este não é o momento de comprar a baixa”, afirmou à Bloomberg Christophe Boucher, diretor de investimentos da ABN Amro Investment Solutions. “É possível sentir os algoritmos a reagirem às palavras-chave ‘paz’, ‘negociação’ e ‘cessar-fogo’”, acrescenta.
Entretanto, analistas têm vindo a melhorar as suas perspetivas para os lucros das cotadas nos EUA. E apontam para que os lucros do índice S&P 500 deverão aumentar 20% nos próximos 12 meses, segundo dados compilados pelo Morgan Stanley e citados pela agência de notícias financeiras. Historicamente, este valor só foi superior quando a economia norte-americana estava já a sair de recessões.
“Isto corrobora a nossa posição de que continua a ser pouco provável que este pico do preço do petróleo ponha fim ao ciclo económico”, escreveu Mike Wilson, do Morgan Stanley.
Quanto aos movimentos do mercado, empresas mineiras como a Newmont (+3,42%) e a Freeport-McMoRan (+1,37%) seguem a beneficiar de um aumento dos preços dos metais preciosos na sessão desta quarta-feira. A Arm Holdings, por seu turno, dispara mais de 14%, após ter divulgado planos para gerar cerca de 15 mil milhões de dólares anualmente em cinco anos com vendas de chips.
Entre as “big tech”, a Nvidia sobe 1,99%, a Apple valoriza 0,42%, a Microsoft avança 0,43%, a Alphabet ganha 0,83%, a Amazon pula 2,30% e a Meta soma 0,91%.
Petróleo volta a bater nos 100 dólares depois de Irão recusar cessar-fogo
O preço do barril de Brent voltou a tocar nos 100 dólares, após saber-se que o Irão recusou uma proposta dos EUA de cessar-fogo. De acordo com a agência iraniana Fars, Teerão terá dito que a ideia de conversações com os EUA não é viável nas atuais circunstâncias.
Já o WTI, de referência para os EUA, negoceia nos 88 dólares por barril.
Taxas Euribor descem a três, seis e 12 meses
A taxa Euribor desceu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a terça-feira, depois de nos dois prazos mais longos ter subido na véspera para máximos desde janeiro de 2025 e setembro de 2024.
Com as alterações de hoje, a taxa a três meses, que baixou para 2,135%, continuou abaixo das taxas a seis (2,518%) e a 12 meses (2,812%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, cedeu hoje, ao ser fixada em 2,518%, menos 0,071 pontos do que na terça-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a janeiro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,93% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,78% e 24,98%, respetivamente.
No mesmo sentido, no prazo de 12 meses, a taxa Euribor baixou hoje, para 2,812%, menos 0,117 pontos do que na sessão anterior.
A Euribor a três meses também baixou hoje, ao ser fixada em 2,135%, menos 0,043 pontos.
Em 19 de março, o BCE manteve as taxas diretoras, de novo, pela sexta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 29 e 30 de abril em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa negoceia em alta com plano de Trump a impulsionar bolsas
Os principais índices europeus negoceiam em alta, com um recuo nos preços do petróleo e sinais de manobras diplomáticas para pôr fim à guerra no Médio Oriente a impulsionarem o sentimento dos investidores.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – pula 1,37%, para os 587,21 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX sobe 1,55%, o espanhol IBEX 35 avança 1,30%, o italiano FTSEMIB valoriza 1,49%, o francês CAC-40 ganha 1,26%, ao passo que o neerlandês AEX soma 0,91% e o britânico FTSE 100 regista ganhos de 0,94%.
As principais bolsas do Velho Continente caminham agora para a primeira sequência de três dias de ganhos desde o início da guerra no final de fevereiro. E depois de se saber que os EUA terão enviado um plano de 15 pontos ao Irão para servir de base para as negociações, os detalhes desta proposta continuam por esclarecer, embora o Presidente Donald Trump tenha sugerido publicamente que qualquer acordo teria de incluir a proibição de o Irão vir a obter armas nucleares.
Entretanto, Teerão afirmou que os navios estrangeiros não hostis podem atravessar o estreito de Ormuz. “É provável que os preços das matérias-primas se mantenham elevados e que os mercados continuem sob pressão enquanto o tráfego pelo estreito de Ormuz estiver limitado”, disse à Bloomberg Roberto Scholtes, Singular Bank. “Este é o indicador-chave a acompanhar”, sublinhou.
E os investidores estão ainda atentos às medidas dos bancos centrais para fazer face ao impacto da guerra. O Banco Central Europeu agirá de forma decisiva e rápida se o atual aumento dos custos da energia representar um risco de uma escalada da inflação mais generalizada, embora, por enquanto, ainda esteja a avaliar o choque causado pela guerra no Irão, segundo a presidente da autoridade de política monetária, Christine Lagarde.
Quanto aos setores, todos negoceiam no verde, com as maiores valorizações a serem registadas pelo tecnológico (+1,98%), do turismo (+1,93%) e industrial (+1,81%).
Entre os movimentos do mercado, a Grifols chegou a somar mais de 9%, negociando agora com ganhos de cerca de 3%, depois de o conselho de administração da fabricante espanhola de produtos farmacêuticos e químicos ter aprovado uma oferta pública inicial (IPO) do seu negócio de biofarmacêutica nos EUA, uma medida destinada a levantar capital para reduzir dívidas. Por outro lado, as ações do RS Group perdem mais de 5%, já depois de terem registado hoje a maior queda em 14 meses, depois de o distribuidor britânico de produtos eletrónicos e industriais ter alertado que as suas vendas deverão diminuir no ano fiscal que termina em março.
Juros com fortes alívios. Mercados reduzem apostas quanto a subida de juros pelo BCE
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a registar alívios em toda a linha na sessão de hoje, à medida que os mercados reduzem as apostas quanto a subidas das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu, depois de a presidente Christine Lagarde ter afirmado que o banco central poderia ignorar um choque energético limitado e de curta duração. Os “swaps” apontam agora para subidas de 14 pontos-base nas taxas diretoras do BCE no próximo mês e de 66 pontos-base até ao final do ano, em comparação com 23 pontos-base e 78 pontos-base, respetivamente, que eram esperados na terça-feira.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aliviam 5,2 pontos base para 2,972%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade cai 7,9 pontos para 3,676%. Já em Itália, os juros recuam 9 pontos para os 3,859%.
Pela península Ibérica, regista-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a aliviar 7,6 pontos base para 3,430%. A “yield” das obrigações espanholas, por sua vez, cede 7,2 pontos, para 3,487% a esta hora.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, aliviam 7,1 pontos base, para 4,883%.
Dólar sem grandes alterações com "traders" a assumirem postura cautelosa face ao conflito
O dólar negoceia sem rumo definido nesta quarta-feira, ainda que registe algumas perdas à medida que os preços do crude seguem a negociar em baixa, com os "traders" a manterem uma postura de cautela face aos esforços do Presidente dos EUA, Donald Trump, de pôr fim à guerra com o Irão.
Enquanto Trump disse a jornalistas na Casa Branca que os EUA estavam a fazer progressos nas conversações com o Irão, Teerão negou que tivessem ocorrido negociações diretas, mantendo os investidores em alerta.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – recua 0,19%, para os 99,250 pontos.
Face ao iene, o dólar sobe 0,05%, para os 158,770 ienes, depois de a divulgação da ata da reunião de política monetária de janeiro do Banco do Japão (BoJ) ter revelado que muitos dos membros do BoJ consideravam necessário continuar a aumentar as taxas de juro, sem ter em mente um ritmo específico.
Já pela Europa, a libra cede 0,01%, para os 1,341 dólares, depois de dados terem revelado que a inflação nos preços do consumidor britânico se manteve nos 3% em fevereiro, em termos homólogos, inalterada em relação aos valores de janeiro. No entanto, espera-se, de um modo geral, que a inflação acelere à medida que a guerra no Médio Oriente eleva os preços da energia.
Quanto ao euro, a moeda única regista uma descida ligeira de 0,02% para 1,161 dólares.
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