Contas da Nvidia deixam Europa sem rumo. ASML cai 4%
Juros da dívida soberana aliviam na Zona Euro
Dólar sobe após dados do desemprego dos EUA melhores que o esperado
Ouro com pequenos ganhos à espera de final de encontro EUA-Irão
Petróleo salta mais de 1% com tensão entre EUA e Irão
Wall Street negoceia sem rumo depois dos resultados da Nvidia
Taxa Euribor sobe a três e a 12 meses e desce a seis meses
Ganhos ligeiros dão à Europa novo máximo histórico. Rolls-Royce escala mais de 5%
Juros agravam-se ligeiramente na Zona Euro à espera de Lagarde
Iene recupera terreno após comentários "hawkish" do BoJ. Dólar estável
Ouro em alta com Irão e tarifas no radar
Petróleo faz compasso de espera em antecipação às negociações entre EUA e Irão
Nvidia ainda leva Ásia a máximos mas impulso não chega à Europa e aos EUA
Contas da Nvidia deixam Europa sem rumo. ASML cai 4%
As bolsas europeias terminaram a sessão sem uma tendência definida, com os investidores a retirarem as suas posições de ações ligadas à inteligência artificial e software, depois de os resultados trimestrais da gigante norte-americana Nvidia não terem reacendido a esperança no setor de IA, como se esperava.
O Stoxx 600, que reúne as principais ações do bloco, cedeu ligeiros 0,05% para 633,18 pontos, depois de na sessão anterior ter atingido máximos históricos. As ações de matérias-primas e telecomunicações foram das que mais pressionaram, com quedas de 3% e 1,84%, respetivamente. Já a impedir maiores quedas do "benchmark" estiveram os setores de media e viagens e lazer, com subidas de 2% cada.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX ganhou 0,45%, o espanhol IBEX 35 subiu 0,19%, o italiano FTSEMIB valorizou 0,54%, o francês CAC-40 avançou 0,72%, o neerlandês AEX recuou 0,74%, ao passo que o britânico FTSE 100 somou 0,37%.
Os investidores estão ainda de olho no terceiro encontro entre Estados Unidos e o Irão, que discutem um acordo nuclear. As duas partes podem chegar a um acordo preliminar se Washington separar as "questões nucleares das não nucleares", disse um responsável iraniano, acrescentando que as restantes divergências precisam de ser sanadas durante a terceira ronda de negociações, em Genebra, que decorre esta tarde.
Entre os principais movimentos de mercado, a ASML tombou 4,3%, contagiada pelo sentimento negativo em torno das ações da Nvidia, que caem esta tarde em Wall Street 4,22%.
A Rolls-Royce chegou a subir 8,4% esta quinta-feira e tocou num novo recorde após anunciar uma recompra de ações. Terminou o dia com uma valorização de 4,8%.
A Indra Sistems disparou 21%, após os resultados do quarto trimestre da empresa de tecnologias de informação terem superado as expectativas em todos os aspetos, de acordo com o Morgan Stanley.
As ações do Ocado Group caíram 6,4%, isto depois de a empresa de software ter divulgado resultados preliminares e ter afirmado que vai cortar um número “significativo” de postos de trabalho.
Por fim, as ações da Hikma Pharmaceuticals caíram 15,5% após a divulgação dos resultados trimestrais.
Juros da dívida soberana aliviam na Zona Euro
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro registaram alívios esta quinta-feira, numa altura de maior procura por obrigações, enquanto decorre a terceira reunião entre os EUA e o Irão para se chegar a um acordo sobre a questão nuclear.
Os juros das obrigações alemãs a dez anos, referência para o contexto europeu, desceram 1,6 pontos-base para 2,689%, enquanto a rendibilidade da dívida francesa com a mesma maturidade caiu 0,7 pontos-base para 3,247%. Em Itália, o alívio foi de 0,8 pontos-base para 3,299%.
Pela Península Ibérica, a "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas e a rendibilidade da dívida espanhola a 10 anos cederam 1,2 pontos-base para 3,033% e 3,096%, respetivamente.
Fora da Zona Euro, no Reino Unido os juros das "Gilts" foram os que mais desceram, ao registarem uma queda de 4,3 pontos-base para 4,273%.
Dólar sobe após dados do desemprego dos EUA melhores que o esperado
O dólar segue com ganhos esta quinta-feira depois de os pedidos de subsídio de desemprego semanais dos EUA terem subido menos que o esperado, o que reforça as previsões de um corte das taxas de juro da Reserva Federal (Fed) no segundo semestre.
O índice do dólar DXY sobe 0,21% para 97,91, enquanto o euro recua 0,28% para 1,1778 dólares.
Na semana que terminou a 21 de fevereiro, foram apresentadas 212.000 candidaturas ao subsídio de desemprego, uma subida de 4.000 face à semana anterior, de acordo com dados do Departamento do Trabalho dos EUA. Economistas sondados pelo Wall Street Journal esperavam uma subida mais acentuada para 215.000.
“Isto reforça a ideia de que o foco tem de estar na inflação em vez de no mercado de trabalho, o que suporta um corte no segundo semestre”, referiu Andrew Hazlett, trader de câmbio da Monex Inc., à Bloomberg.
O mercado aponta agora para um corte de 25 pontos base apenas em setembro, de acordo com dados da LSEG citados pelo WSJ.
Também a suportar a nota verde, está a procura de ativos seguros e o ajuste das carteiras de investimento do final do mês, numa sessão em que as ações estão a cair e os preços do petróleo sobem.
Já o iene recupera de dois dias de perdas, depois de o elemento mais “hawkish” - favorável a taxas de juro mais elevadas – do Banco do Japão, Hajime Takata, ter renovado os apelos a uma subida da taxa diretora. O dólar cai 0,04% para 156,38 ienes.
Ouro com pequenos ganhos à espera de final de encontro EUA-Irão
Os preços do ouro seguem estáveis, com ligeiros ganhos esta tarde, numa altura em que os investidores aguardam por desenvolvimentos do terceiro encontro entre os EUA e o Irão desta quinta-feira, que discutem um acordo nuclear. Há ainda uma parte do mercado que se foca no impacto da política comercial da Casa Branca, que segue incerta.
A onça de metal amarelo avança 0,36% para 5.186,8 dólares, tendo subido cerca de 6% nas últimas seis sessões. O ouro tem também ganhado terreno com a descida do dólar norte-americano, pressionado pela postura mais "dovish" da Reserva Federal quanto à política monetária.
O aumento das forças norte-americanas no Médio Oriente tem deixado os investidores receosos de que uma guerra entre os EUA e o Irão possa começar a qualquer momento, o que tende a beneficiar o ouro como ativo-refúgio.
O Presidente Donald Trump deu, na semana passada, um prazo a Teerão para assinar um acordo: 1 a 6 de março. Se não for dado o "aperto de mão", Washington ameaçou já com uma ação militar.
Ao mesmo tempo, a guerra comercial prossegue. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse que Trump vai assinar uma diretiva para aumentar a tarifa global para 15% "onde for apropriado". Uma taxa de 10% entrou em vigor esta terça-feira, 24 de fevereiro, após o Supremo Tribunal ter decidido considerar as "tarifas recíprocas" ilegais.
Numa nota a que o Negócios teve acesso, Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, explica que há um braço de ferro entre forças opostas que impedem uma subida maior do ouro.
"Por um lado, a subida das yields das obrigações e o aumento do apetite pelo risco nos mercados acionistas estão a limitar o potencial de valorização deste ativo não remunerado. Por outro, a persistente turbulência geopolítica, agravada pela crescente probabilidade de um confronto militar em larga escala entre os EUA e o Irão, está a reforçar o estatuto do ouro como ativo de refúgio", disse na nota.
Os investidores estarão atentos aos dados do emprego e da inflação nos EUA, publicados no final da semana.
Noutros metais preciosos, a prata mergulha 1,92% para 87,51 dólares por onça.
Petróleo salta mais de 1% com tensão entre EUA e Irão
Os preços do petróleo estão a valorizar esta tarde, ao mesmo tempo que os EUA e o Irão se encontram pela terceira vez para discutir um acordo nuclear e os investidores veem sinais de que as conversas continuam "tensas", aumentando os receios de que um conflito entre as duas partes possa acontecer, interrompendo o abastecimento de crude por parte do Irão.
O West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – negoceia agora com ganhos de 1,67%, para os 66,5 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 1,89% para os 72,19 dólares por barril.
A tensão aumentou quando a imprensa estatal iraniana indicou que o Terrão não vai permitir que urânio enriquecido saia do país. Além disso, o prazo de 10 dias que Donald Trumo estabeleceu a semana passada para que houvesse um acordo assinado está a chegar ao fim, o que deixa os mercados "on edge" e com receio de que os EUA possam atacar o Irão.
A Bloomberg avança também que há um grande incêndio numa unidade do parque industrial de Abadan, próximo de uma refinaria de petróleo, perto da costa do Golfo Pérsico - uma área crucial no Médio Oriente para o comércio de "ouro negro".
Wall Street negoceia sem rumo depois dos resultados da Nvidia
Os principais índices norte-americanos negoceiam sem rumo definido, com os resultados da Nvidia a não serem capazes de impulsionar a recuperação das tecnológicas, à medida que os investidores parecem não querer fazer grandes apostas antes da terceira ronda de negociações entre Washington e Teerão, em Genebra.
O “benchmark” S&P 500 cede 0,18% para os 6.933,93 pontos. Já o Nasdaq Composite perde 0,66% para os 22.998,38 pontos. O Dow Jones, por sua vez, valoriza 0,61% para os 49.785,82 pontos.
Quanto a dados económicos, o departamento de estatísticas laborais norte-americano revelou que os pedidos iniciais de subsídio de desemprego nos EUA aumentaram ligeiramente em 4 mil na terceira semana de fevereiro, para um total de 212 mil. O valor ficou abaixo das expectativas do mercado, que apontavam para um crescimento dos pedidos para 215 mil.
O S&P 500 está agora a perder força depois de ter conseguido recuperar as fortes perdas registadas na segunda-feira, provocadas, em grande medida, por um relatório da Citrini Research que descrevia cenários hipotéticos de disrupção causada pela IA em diversos setores.
Neste momento, os resultados apresentados pela Salesforce, que já perdeu quase 30% da sua capitalização bolsista desde o arranque do ano, estão a reavivar as preocupações de que as gigantes do software poderão vir a perder terreno na era da IA. A empresa apresentou uma previsão moderada para o crescimento das vendas no novo ano fiscal, alimentando as preocupações de Wall Street. Ainda assim, está a conseguir valorizar mais de 1% esta tarde.
Já no que toca à Nvidia, as receitas da fabricante de chips dispararam 73% para 68,13 mil milhões de dólares no último trimestre fiscal de 2026, contra as expectativas de 65,91 mil milhões dos analistas consultados pela Bloomberg.
Os resultados representam vendas recorde e o maior crescimento homólogo registado pela empresa. Mas apesar dos números acima das expectativas, as ações da empresa seguem a recuar mais de 3% na sessão desta quinta-feira. O movimento da Nvidia em bolsa é “bastante instrutivo, especialmente no contexto de uma das outras empresas que divulgou resultados — a Salesforce”, disse à Bloomberg Gary Paulin, da Northern Trust Asset Management. “A preocupação é que quanto mais sucesso a Nvidia tem, mais preocupação há no mercado de que haja mais perturbações [noutros setores devido à adoção da IA]”, explicou o especialista.
Entre as restantes "big tech”, a Apple soma 0,15%, a Alphabet desvaloriza 1,72%, a Amazon cede 0,65%, a Meta avança 0,98% e a Microsoft ganha 1,22%.
Taxa Euribor sobe a três e a 12 meses e desce a seis meses
A taxa Euribor subiu esta quinta-feira a três e a 12 meses e desceu a seis meses em relação a quarta-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que avançou para 2,013%, continuou abaixo das taxas a seis (2,134%) e a 12 meses (2,217%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, recuou, ao ser fixada em 2,134%, menos 0,005 pontos do que na quarta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a dezembro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,77% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,85% e 25,09%, respetivamente.
Em sentido contrário, no prazo de 12 meses, a taxa Euribor avançou para 2,217%, mais 0,009 pontos.
A Euribor a três meses também subiu ao ser fixada em 2,013%, mais 0,002 pontos.
Em 5 de fevereiro, o BCE manteve as taxas diretoras, de novo, pela quinta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 18 e 19 de março em Frankfurt, Alemanha.
Em relação à média mensal da Euribor em janeiro, esta baixou a três, a seis e a 12 meses, de forma mais acentuada no prazo mais longo.
A média mensal da Euribor em janeiro desceu 0,020 pontos para 2,028% a três meses e 0,002 pontos para 2,137% a seis meses.
Já a 12 meses a média da Euribor recuou 0,022 pontos para 2,245% em janeiro.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Ganhos ligeiros dão à Europa novo máximo histórico. Rolls-Royce escala mais de 5%
As principais praças europeias estão a negociar maioritariamente no verde, embora com ganhos pouco avultados, num dia em que os investidores digerem uma série de resultados trimestrais mistos na região e em que as contas recorde da Nvidia não foram suficientes para surpreender os mercados. Os receios em torno de uma possível "bolha" na inteligência artificial (IA) e do impacto da tecnologia numa série de modelos de negócio continuam a assombrar a negociação.
A esta hora, o Stoxx 600 avança 0,09% para 634,05 pontos, atingindo um novo máximo histórico nos 634,70 pontos. O índice arrancou a sessão em território negativo, mas já conseguiu reverter o pessimismo, impulsionado pelo setor das viagens, imobiliário e das "utilities" (água, luz e gás). Por sua vez, o setor mineiro é o que mais pesa na negociação, desvalorizando mais de 2%.
Apesar das contas mistas desta quinta-feira, esta época de resultados tem sido positiva para as ações europeias, que acumulam já um saldo anual superior a 7% - bastante acima dos pares norte-americanas, com o S&P 500 a valorizar apenas 1,47%. "Os lucros têm sido, de longe, positivos, o que está a dar um impulso importante às ações europeias", explica Aneeka Gupta, diretora de pesquisa macroeconómica da WisdomTree, à Bloomberg. "Neste momento, os mercados estão mais focados nos resultados financeiros", acrescenta.
As praças europeias preparam-se para fechar o oitavo mês consecutivo de ganhos, impérvias à turbulência que se faz sentir no setor da inteligência artificial, muito devido à fraca exposição que o continente tem a estas tecnológicas. A Europa beneficia, assim, de uma rotação de ativos vinda dos EUA, está ainda a ser penalizado pelas políticas erráticas de Donald Trump - nomeadamente a nível comercial.
Entre as principais movimentações de mercado, as ações da London Stock Exchange Group disparam mais de 6%, após a dona da bolsa de Londres ter anunciado um plano de recompra de ações avaliado em 3 mil milhões de libras (cerca de 3,44 mil milhões de euros). Já a Rolls-Royce escala mais de 5%, depois de ter revisto em alta as suas previsões de lucro para este ano, apoiada num aumento de 40% no resultado líquido em 2025.
Já entre as cotadas que mais perdem, a Ocado afunda mais de 8%, depois de ter anunciado que vai despedir quase 5% da sua força laboral, equivalente a mil postos de trabalho, numa altura em que enfrenta grandes pressões com os custos do seu negócio.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 0,02% e o espanhol IBEX 35 cai 0,33%. Já o italiano FTSEMIB valoriza 0,11%, o francês CAC-40 avança 0,73%, o neerlandês AEX sobe 0,14%, ao passo que o britânico FTSE 100 soma 0,14%.
Juros agravam-se ligeiramente na Zona Euro à espera de Lagarde
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a agravar-se ligeiramente esta quinta-feira, à espera de uma intervenção de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), no Parlamento Europeu, bem como de uma série de dados que vão permitir "medir o pulso" à economia. Será divulgada a evolução da confiança do consumidor no euro de fevereiro, isto depois de um arranque do ano ligeiramente mais otimista sobre a atividade económica.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, referência para o contexto europeu, sobem em 0,6 pontos base para 2,711%, enquanto a "yield" da dívida francesa com a mesma maturidade acelera 0,8 pontos para 3,261%. Já em Itália, o salto é também de 0,8 pontos para 3,314%.
Pela Península Ibérica, os juros das Obrigações do Tesouro português a dez anos sobem 0,4 pontos para 3,049% e, em Espanha, os juros da dívida com a mesma maturidade agravam-se em 0,5 pontos para 3,113%.
Fora da Zona Euro, a tendência é inversa, com os juros das "Gilts" britânicas a aliviar em 0,2 pontos base para 4,314%, num dia em que os investidores estarão atentos ao discurso de Clare Lombardelli, membro do Banco de Inglaterra, que votou a favor de manter as taxas de juro inalteradas na última reunião da autoridade monetária.
Iene recupera terreno após comentários "hawkish" do BoJ. Dólar estável
O iene está a recuperar algum do terreno perdido nas duas últimas sessões, depois de um membro do Banco do Japão (BoJ) ter sublinhado esta quinta-feira a necessidade de voltar a subir as taxas de juro no país. Os comentários acontecem apesar da pressão de Sanae Takaichi, primeira-ministra nipónica, junto da autoridade monetária para esta não aumentar os juros diretores e depois da nomeação de dois nomes considerados "dovish" para o banco central.
A esta hora, o dólar cai 0,19% para 156,08 ienes. Apesar de Takaichi estar confortável com uma desvalorização da moeda, Robert Subbaraman, diretor de mercados globais da Nomura Singapore, acredita que uma maior fragilidade do iene irá traduzir-se num "aumento da probabilidade do BoJ apostar num aumento [das taxas de juro] mais cedo, uma vez que o 'staff' do banco central tem vindo a enfatizar o impacto da queda do iene na inflação".
Também o governado do BoJ tem deixado a porta aberta a um aperto da política monetária no curto prazo. Kazuo Ueda afirmou esta quinta-feira que o banco central vai continuar a acompanhar os mais recentes dados económicos nas reuniões de março e abril e será a evolução de vários indicadores a decidir se há - ou não - um aumento das taxas de juro. Há já membros do banco central que defendem uma subida imediata.
Já o euro desvaloriza 0,06% para 1,1803 dólares, enquanto a libra perde 0,24% para 1,3526 dólares. Os investidores estão convencidos que a próxima reunião da Reserva Federal (Fed) norte-americana não trará grandes surpresas, com o banco central a deixar as taxas de juro inalteradas. Um novo corte deverá acontecer apenas só a meio do ano, entre junho e julho, numa altura em que a inflação nos EUA continua a dar sinais de aceleramento.
Ouro em alta com Irão e tarifas no radar
O ouro está a negociar em território positivo esta quinta-feira, com os investidores a avaliarem os riscos geopolíticos entre EUA e Irão, antes de um importante encontro entre as duas delegações, e os impactos das tarifas norte-americanas no comércio global. Nos próximos dias, Donald Trump deverá aumentar as taxas aduaneiras globais para 15%, cumprindo uma promessa feita no fim de semana, depois de o Supremo Tribunal ter "chumbado" a política comercial do Presidente introduzida no ano passado.
A esta hora, o metal precioso avança 0,41% para 5.185,37 dólares por onça, aproximando-se da barreira dos 5.200 dólares. Só na última semana, os preços do ouro já valorizaram quase 6%, impulsionados por um aumento da presença militar dos EUA no Médio Oriente - a maior desde que os norte-americanos decidiram invadir o Iraque em 2003. Esta semana, os EUA decidiram ainda impor sanções a mais de 30 entidades que compram petróleo e armas iranianas, aumentando a pressão sobre o regime liderado por Ali Khamenei.
Os movimentos mais recentes do ouro refletem "uma reavaliação da nova incerteza tarifária e das preocupações geopolíticas", explica Christopher Wong, estratega da Oversea-Chinese Banking Corporation, à Bloomberg. O analista fala de uma "consolidação bidirecional", com o mercado a digerir as últimas notícias e os possíveis movimentos de política monetária da Reserva Federal (Fed), bem como os movimentos do dólar.
Só este ano, o ouro já valorizou cerca de 20%, conseguindo estabilizar acima dos 5 mil dólares por onça, depois de um "sell-off" abrupto e violento ter afundado os preços do metal precioso, que atingiu máximos históricos de 5.595 dólares no final de janeiro. Depois de sessões tépidas no final do ano passado, o aumento mais recente nas tensões geopolíticas e comerciais veio dar novo vigor ao ouro, numa altura em que os investidores se afastam do dólar e dos títulos do Tesouro norte-americano.
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