Ganhos ligeiros dão à Europa novo máximo histórico. Rolls-Royce escala mais de 5%
Juros agravam-se ligeiramente na Zona Euro à espera de Lagarde
Iene recupera terreno após comentários "hawkish" do BoJ. Dólar estável
Ouro em alta com Irão e tarifas no radar
Petróleo faz compasso de espera em antecipação às negociações entre EUA e Irão
Nvidia ainda leva Ásia a máximos mas impulso não chega à Europa e aos EUA
Ganhos ligeiros dão à Europa novo máximo histórico. Rolls-Royce escala mais de 5%
As principais praças europeias estão a negociar maioritariamente no verde, embora com ganhos pouco avultados, num dia em que os investidores digerem uma série de resultados trimestrais mistos na região e em que as contas recorde da Nvidia não foram suficientes para surpreender os mercados. Os receios em torno de uma possível "bolha" na inteligência artificial (IA) e do impacto da tecnologia numa série de modelos de negócio continuam a assombrar a negociação.
A esta hora, o Stoxx 600 avança 0,09% para 634,05 pontos, atingindo um novo máximo histórico nos 634,70 pontos. O índice arrancou a sessão em território negativo, mas já conseguiu reverter o pessimismo, impulsionado pelo setor das viagens, imobiliário e das "utilities" (água, luz e gás). Por sua vez, o setor mineiro é o que mais pesa na negociação, desvalorizando mais de 2%.
Apesar das contas mistas desta quinta-feira, esta época de resultados tem sido positiva para as ações europeias, que acumulam já um saldo anual superior a 7% - bastante acima dos pares norte-americanas, com o S&P 500 a valorizar apenas 1,47%. "Os lucros têm sido, de longe, positivos, o que está a dar um impulso importante às ações europeias", explica Aneeka Gupta, diretora de pesquisa macroeconómica da WisdomTree, à Bloomberg. "Neste momento, os mercados estão mais focados nos resultados financeiros", acrescenta.
As praças europeias preparam-se para fechar o oitavo mês consecutivo de ganhos, impérvias à turbulência que se faz sentir no setor da inteligência artificial, muito devido à fraca exposição que o continente tem a estas tecnológicas. A Europa beneficia, assim, de uma rotação de ativos vinda dos EUA, está ainda a ser penalizado pelas políticas erráticas de Donald Trump - nomeadamente a nível comercial.
Entre as principais movimentações de mercado, as ações da London Stock Exchange Group disparam mais de 6%, após a dona da bolsa de Londres ter anunciado um plano de recompra de ações avaliado em 3 mil milhões de libras (cerca de 3,44 mil milhões de euros). Já a Rolls-Royce escala mais de 5%, depois de ter revisto em alta as suas previsões de lucro para este ano, apoiada num aumento de 40% no resultado líquido em 2025.
Já entre as cotadas que mais perdem, a Ocado afunda mais de 8%, depois de ter anunciado que vai despedir quase 5% da sua força laboral, equivalente a mil postos de trabalho, numa altura em que enfrenta grandes pressões com os custos do seu negócio.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 0,02% e o espanhol IBEX 35 cai 0,33%. Já o italiano FTSEMIB valoriza 0,11%, o francês CAC-40 avança 0,73%, o neerlandês AEX sobe 0,14%, ao passo que o britânico FTSE 100 soma 0,14%.
Juros agravam-se ligeiramente na Zona Euro à espera de Lagarde
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a agravar-se ligeiramente esta quinta-feira, à espera de uma intervenção de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), no Parlamento Europeu, bem como de uma série de dados que vão permitir "medir o pulso" à economia. Será divulgada a evolução da confiança do consumidor no euro de fevereiro, isto depois de um arranque do ano ligeiramente mais otimista sobre a atividade económica.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, referência para o contexto europeu, sobem em 0,6 pontos base para 2,711%, enquanto a "yield" da dívida francesa com a mesma maturidade acelera 0,8 pontos para 3,261%. Já em Itália, o salto é também de 0,8 pontos para 3,314%.
Pela Península Ibérica, os juros das Obrigações do Tesouro português a dez anos sobem 0,4 pontos para 3,049% e, em Espanha, os juros da dívida com a mesma maturidade agravam-se em 0,5 pontos para 3,113%.
Fora da Zona Euro, a tendência é inversa, com os juros das "Gilts" britânicas a aliviar em 0,2 pontos base para 4,314%, num dia em que os investidores estarão atentos ao discurso de Clare Lombardelli, membro do Banco de Inglaterra, que votou a favor de manter as taxas de juro inalteradas na última reunião da autoridade monetária.
Iene recupera terreno após comentários "hawkish" do BoJ. Dólar estável
O iene está a recuperar algum do terreno perdido nas duas últimas sessões, depois de um membro do Banco do Japão (BoJ) ter sublinhado esta quinta-feira a necessidade de voltar a subir as taxas de juro no país. Os comentários acontecem apesar da pressão de Sanae Takaichi, primeira-ministra nipónica, junto da autoridade monetária para esta não aumentar os juros diretores e depois da nomeação de dois nomes considerados "dovish" para o banco central.
A esta hora, o dólar cai 0,19% para 156,08 ienes. Apesar de Takaichi estar confortável com uma desvalorização da moeda, Robert Subbaraman, diretor de mercados globais da Nomura Singapore, acredita que uma maior fragilidade do iene irá traduzir-se num "aumento da probabilidade do BoJ apostar num aumento [das taxas de juro] mais cedo, uma vez que o 'staff' do banco central tem vindo a enfatizar o impacto da queda do iene na inflação".
Também o governado do BoJ tem deixado a porta aberta a um aperto da política monetária no curto prazo. Kazuo Ueda afirmou esta quinta-feira que o banco central vai continuar a acompanhar os mais recentes dados económicos nas reuniões de março e abril e será a evolução de vários indicadores a decidir se há - ou não - um aumento das taxas de juro. Há já membros do banco central que defendem uma subida imediata.
Já o euro desvaloriza 0,06% para 1,1803 dólares, enquanto a libra perde 0,24% para 1,3526 dólares. Os investidores estão convencidos que a próxima reunião da Reserva Federal (Fed) norte-americana não trará grandes surpresas, com o banco central a deixar as taxas de juro inalteradas. Um novo corte deverá acontecer apenas só a meio do ano, entre junho e julho, numa altura em que a inflação nos EUA continua a dar sinais de aceleramento.
Ouro em alta com Irão e tarifas no radar
O ouro está a negociar em território positivo esta quinta-feira, com os investidores a avaliarem os riscos geopolíticos entre EUA e Irão, antes de um importante encontro entre as duas delegações, e os impactos das tarifas norte-americanas no comércio global. Nos próximos dias, Donald Trump deverá aumentar as taxas aduaneiras globais para 15%, cumprindo uma promessa feita no fim de semana, depois de o Supremo Tribunal ter "chumbado" a política comercial do Presidente introduzida no ano passado.
A esta hora, o metal precioso avança 0,41% para 5.185,37 dólares por onça, aproximando-se da barreira dos 5.200 dólares. Só na última semana, os preços do ouro já valorizaram quase 6%, impulsionados por um aumento da presença militar dos EUA no Médio Oriente - a maior desde que os norte-americanos decidiram invadir o Iraque em 2003. Esta semana, os EUA decidiram ainda impor sanções a mais de 30 entidades que compram petróleo e armas iranianas, aumentando a pressão sobre o regime liderado por Ali Khamenei.
Os movimentos mais recentes do ouro refletem "uma reavaliação da nova incerteza tarifária e das preocupações geopolíticas", explica Christopher Wong, estratega da Oversea-Chinese Banking Corporation, à Bloomberg. O analista fala de uma "consolidação bidirecional", com o mercado a digerir as últimas notícias e os possíveis movimentos de política monetária da Reserva Federal (Fed), bem como os movimentos do dólar.
Só este ano, o ouro já valorizou cerca de 20%, conseguindo estabilizar acima dos 5 mil dólares por onça, depois de um "sell-off" abrupto e violento ter afundado os preços do metal precioso, que atingiu máximos históricos de 5.595 dólares no final de janeiro. Depois de sessões tépidas no final do ano passado, o aumento mais recente nas tensões geopolíticas e comerciais veio dar novo vigor ao ouro, numa altura em que os investidores se afastam do dólar e dos títulos do Tesouro norte-americano.
Petróleo faz compasso de espera em antecipação às negociações entre EUA e Irão
O barril de petróleo está a negociar com pequenas flutuações esta quinta-feira, num dia marcado pela terceira ronda de negociações entre EUA e Irão para alcançar um acordo que impeça o último de construir uma arma nuclear. Ao mesmo tempo, vários países do Médio Oriente têm antecipado exportações de crude, receosos que um conflito entre Teerão e Washington possa estalar.
Após dois dias de perdas, o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – negoceia agora com ganhos de 0,14%, para os 65,53 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 0,17% para os 70,97 dólares por barril. Uma delegação norte-americana, que inclui o enviado especial Steve Witkoff, vai encontrar-se esta quinta-feira com o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, em Genebra para encontrar pontos comuns entre os dois países, apesar de os EUA continuarem a aumentar a sua presença militar na região.
"Todos as atenções estão viradas para as negociações entre os EUA e o Irão hoje, com o resultado da reunião a ditar a direção dos preços do petróleo", explica Warren Patterson, diretor de estratégia de "commodities" do ING Groep, à Bloomberg, que estima que os preços do petróleo bruto estejam a negociar com um prémio de risco de até dez dólares por barril. "Até lá, o mercado provavelmente vai permanecer num padrão de espera", acrescenta.
No discurso do Estado da Nação realizado na madrugada de quarta-feira, Trump ressalvou que preferia uma solução diplomática, mas não descartou uma intervenção militar para impedir que o Irão consiga uma arma nuclear. "A minha preferência é resolver este problema através da diplomacia. Mas uma coisa é certa: nunca vou permitir que o principal promotor mundial de terrorismo - que o Irão é de longe - tenha uma arma nuclear", ameaçou.
Com as tensões entre os dois países palpáveis, alguns países do Médio Oriente aproveitam o compasso de espera para antecipar exportações de crude. É o caso da Arábia Saudita, que se prepara para vender o maior volume de crude em três anos num só mês, enquanto o próprio Irão tem enchido rapidamente os petroleiros nos últimos dias. De acordo com a Bloomberg, também os fluxos combinados do Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos estão mais elevados.
Nvidia ainda leva Ásia a máximos mas impulso não chega à Europa e aos EUA
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quinta-feira maioritariamente em alta, ainda a beneficiar de uma recuperação nas ações tecnológicas globais após receios de uma disrupção causada pela inteligência artificial (IA) - que dá agora sinais de abrandamento, em linha com os ótimos resultados da Nvidia. A fabricante de chips norte-americana até conseguiu registar o melhor crescimento homólogo de sempre a nível de receitas, que dispararam 73% para 68,13 mil milhões de dólares no último trimestre fiscal de 2026, mas as expectativas monumentais em torno da empresa deixaram os investidores pouco impressionados com as contas.
Numa reação inicial, as ações da Nvidia chegaram a avançar mais de 2% no mercado "after hours", mas, horas depois, já estavam a negociar com ganhos pouco substanciais. O impulso inicial foi o suficiente para dar novos recordes à Ásia, com o principal índice do continente - o MSCI AC Asia Pacific Index - a atingir máximos históricos -, mas o otimismo não deverá prevalecer na Europa e nos EUA. A negociação de futuros do Euro Stoxx 50 aponta para uma abertura praticamente inalterada, enquanto as bolsas norte-americanas devem arrancar no vermelho.
"As expectativas dos investidores em relação à Nvidia já estavam altamente incorporadas [no mercado], deixando pouco espaço para mais ganhos", explica Dilin Wu, estratega de "research" do Pepperstone Group, à Bloomberg. Embora a Nvidia tenha enfatizado um crescimento robusto na procura por computação de IA e margens temporariamente resilientes, "a potencial ameaça à sua quota de mercado por parte dos chips proprietários [semicondutores desenvolvidos especificamente por uma empresa para o seu próprio ecossistema]" não foi totalmente abordada, acrescenta.
No Japão, mais uma vez, foi dia de recordes, com o Nikkei 225 a acelerar 1,1% e a atingir pela terceira sessão consecutiva um novo máximo histórico, desta vez nos 59.199,31 pontos. O mais recente impulso nas ações nipónicas, apelidado de "Takaichi trade", vem das políticas orientadas para o crescimento económico da primeira-ministra, que os investidores acreditam que darão um impulso às ações, ao mesmo tempo que pressionam o iene através de uma política monetária mais flexível.
O sul-coreano Kospi e o australiano S&P ASX 200 também atingiram novos máximos históricos, ao crescerem 1,68% e 0,8%, respetivamente, enquanto, pela China, a sessão ficou marcada por algum pessimismo. O Hang Seng, de Hong Kong, terminou a negociação no vermelho, com perdas de 0,62%, enquanto o Shanghai Composite encerrou praticamente inalterado, com perdas de 0,01%.
A limitar ganhos está a decisão de Donald Trump, Presidente dos EUA, de aumentar as tarifas globais para 15%. Apesar de o ter anunciado no passado fim de semana, até agora, o líder norte-americano só tinha assinado uma ordem executiva para elevar estas taxas aduaneiras para 10%. No entanto, Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, já disse que esta subida deverá acontecer nos próximos dias.
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