Mercados num minuto Abertura dos mercados: Abordagem da Fed aos juros deixa bolsas, euro, crude e ouro no vermelho

Abertura dos mercados: Abordagem da Fed aos juros deixa bolsas, euro, crude e ouro no vermelho

A possibilidade de a Reserva Federal dos EUA diminuir menos os juros do que chegou a ser antecipado mantém sob pressão as bolsas europeias, assim como o euro e o ouro que desvalorizam face à subida do dólar. Já os juros das dívidas seguem em alta na Zona Euro, exceção feita a Itália.
Abertura dos mercados: Abordagem da Fed aos juros deixa bolsas, euro, crude e ouro no vermelho
EPA
David Santiago 09 de julho de 2019 às 09:26

Os mercados em números

PSI-20 desce 0,25% para 5.161,55 pontos

Stoxx 600 cai 0,44% para 388,18 pontos

Nikkei valorizou 0,14% para 21.565,15 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos crescem 1,3 pontos base para 0,497%

Euro cede 0,04% para 1,1209 dólares

Petróleo em Londres recua 0,25% para 63,95 dólares por barril

 

Bolsas europeias caem pelo terceiro dia com "recuo" da Fed

As principais bolsas europeias iniciaram a sessão desta terça-feira, 9 de julho, a transacionar em terreno negativo, o que acontece pelo terceiro dia consecutivo.

 

O índice de referência europeu cai 0,44% para 388,18 pontos, estando a ser especialmente pressionado pelos setores automóvel e das matérias-primas. Em Lisboa, o PSI-20 perde 0,25% para 5.161,55 pontos.

 

Depois de também as praças asiáticas terem desvalorizado e negociado em torno de mínimos de duas semanas e meia, também na Europa é a perspetiva de que, afinal, a Reserva Federal irá decretar um corte à taxa de juro diretora dos Estados Unidos menos agressiva do que chegou a ser antecipado que está a penalizar o sentimento dos investidores.


Apesar de os mercados continuarem convictos de que a Fed vai diminuir os juros no presente mês de julho, a evolução positiva dos salários nos EUA bem como a criação robusta de novos postos de trabalho contribuem para alimentar a ideia de que o banco central americano não terá necessidade de avançar desde já com um corte significativo dos juros.  

 

Depois dos mínimos, juros gregos sobem

Esta manhã, a tendência é de subida dos juros das dívidas públicas na área do euro. Os juros associados à dívida pública portuguesa sobem pelo quarto dia seguido, sendo que desde meados de abril que não era registada uma série tão longa de subidas. No prazo a 10 anos, a "yield" correspondente aos títulos soberanos de Portugal sobe 1,3 pontos base para 0,497%.

 

Também a taxa de juro relativa às obrigações alemãs ("bunds") a 10 anos avança 1,2 pontos base para -0,358%.

 

Tendência idêntica à registada no mercado de divida secundário pelos títulos soberanos da Grécia, cuja "yield" sobe 5,3 pontos base para 2,091%. Esta subida acontece depois de ontem os juros dívida grega a 10 anos terem recuado para um novo mínimo histórico (1,98%), descida motivada pelo otimismo dos investidores quanto ao novo governo helénico de maioria absoluta do centro-direita.

 

A contrariar o sentimento dominante estão as obrigações transalpinas, que recuam após três sessões de subidas. A "yield" associada aos títulos soberanos de Itália com maturidade a 10 anos cai 1,5 pontos base para 1,767%, o que acontece numa altura em que o executivo transalpino surge mais comprometido em cumprir as metas orçamentais acordadas com Bruxelas que, por sua vez, afastou o cenário de aplicação de um procedimento por défices excessivos a Roma.

 

Euro em mínimos de três semanas contra o dólar

A moeda única europeia segue a perder ténues 0,04% para 1,1209 dólares, estando assim em mínimos de três semanas face ao dólar no terceiro dia seguido a perder terreno relativamente à moeda americana.

 

Já o dólar está a valorizar pelo terceiro dia para máximos de 19 de junho no índice da Bloomberg que mede o desempenho da moeda americana contra um cabaz das principais divisas mundiais. A motivar a valorização do dólar está o facto de os investidores aguardarem agora por uma abordagem menos agressiva por parte da Fed no que diz respeito à descida dos juros, que já não deverá ser tão acentuada quanto chegou a ser inicialmente previsto.

 

Petróleo desvaloriza

O preço do petróleo está a desvalorizar nos mercados internacionais, com o Brent do Mar do Norte, negociado em Londres e utilizado como referência para as importações nacionais, a recuar 0,25% para 63,95 dólares por barril. É a segunda descida seguida para o Brent.

 

Em Nova Iorque, o West Texas Intermediate (WTI) regista a primeira queda em quatro sessões, estando a perder 0,40% para 57,43 dólares por barril.


Numa fase em que as tensões geopolíticas no Médio Oriente continuam a causar apreensão quanto a eventuais impactos negativos na oferta, é o facto de o Irão ter retomado o enriquecimento de urânio, em desrespeito pelo acordo assinado em 2015 e já denunciado pelos EUA, que mais pressiona.

 

A valorização do dólar nos mercados cambiais em virtude da esperada abordagem menos agressiva da Fed também está a pressionar o preço do crude.

 

Ouro em queda há quatro sessões

O metal precioso está a recuar há quatro dias consecutivos, seguindo agora a resvalar 0,19% para 1.392,86 dólares por onça. O ouro recua pelo quarto dia seguido, o que configura o ciclo mais longo a desvalorizar desde maio.

 

Numa fase em que os investidores tentam perceber em que medida a Fed irá baixar os juros nos EUA, o metal dourado apresenta a maior volatilidade desde 2016, escreve a agência Bloomberg.

 




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