Mercados num minuto Abertura dos mercados: Tarifas de Trump pintam bolsas de vermelho e atiram juros para mínimos

Abertura dos mercados: Tarifas de Trump pintam bolsas de vermelho e atiram juros para mínimos

Os investidores continuam a sair do mercado acionista e a penalizar o petróleo perante perspetivas mais sombrias para a economia global. Em contrapartida apostam nas obrigações soberanas, levando os juros da Alemanha a atingir um mínimo histórico.
Abertura dos mercados: Tarifas de Trump pintam bolsas de vermelho e atiram juros para mínimos
Reuters
Nuno Carregueiro 31 de maio de 2019 às 09:40

Os mercados em números
PSI-20 desvaloriza 0,93% para 5.017,45 pontos

Stoxx 600 desce 0,94% para 368,57 pontos

Nikkei desvalorizou 1,63% para 20.601,19 pontos
Juros da dívida portuguesa a dez anos descem 0,4 pontos base para 0,85%

Euro avança 0,1% para 1,1140 dólares
Petróleo em Londres cai 1,87% para 65,62 dólares

 

Trump coloca bolsas no vermelho

Os investidores gostam pouco de surpresas e nas últimas horas receberam uma bem surpreendente por parte de Donald Trump. Habitualmente o presidente dos Estados Unidos ameaça primeiro e toma medidas depois, mas desta vez não foi assim. Sem que nada o fizesse prever, Trump anunciou que os Estados Unidos vão impor tarifas sobre todos os produtos importados do México. A taxa começa a ser aplicada já a 10 de junho nos 5% e pode chegar aos 25% caso o problema da passagem ilegal de imigrantes na fronteira com o México não seja resolvido.
 

Esta medida representa mais uma escalada na guerra comercial de Trump e aumenta os receios dos investidores com a possibilidade de atirar a economia mundial para uma recessão. Na frente do conflito comercial com a China as notícias também não são positivas, já que Pequim está a preparar a restrição na venda de metais raros aos EUA.

Os investidores estão "finalmente a aperceber-se que a narrativa de uma recuperação da economia mundial no segundo semestre está a dissipar-se rapidamente", disse à Reuters Eleanor Creagh, estratega do Saxo Capital Markets Australia, acrescentando que uma "escalada das tensões comerciais a nível global faz com que as expectativas de crescimento tenham que ser recalibradas, a aversão ao risco vai continuar e a volatilidade deverá subir".

O Stoxx 600 desce 0,94% para 368,57 pontos, com as cotadas mais expostas ao comércio mundial a liderar as perdas. É o caso das fabricantes automóveis, com o índice Stoxx Auto a ceder 2,7% para mínimo de cinco meses.

O PSI-20 segue a tendência negativa com uma queda de 0,93% para 5.017,45 pontos. As ações do BCP e Galp Energia são que mais pressionam o índice português.

Dólar atinge máximos de cinco meses

A moeda norte-americana é das que mais beneficia com a instabilidade nos mercados financeiros, pelo que o índice do dólar está a subir 0,3% para máximos de cinco meses. Ainda assim o euro consegue negociar em alta face à divisa norte-americana, com uma subida de 0,1% para 1,1140 dólares. No acumulado de maio a moeda única perde menos de 1%.

Juros da dívida soberana recuam para mínimos

O aumento das tensões comerciais e os receios com uma recessão global estão a acelerar a fuga dos investidores do mercado acionista para as obrigações, o que está a atirar as taxas de juro dos títulos de dívida soberana para mínimos. Esta perceção de maior risco de recessão leva a que os investidores estejam já a descontar uma descida de juros por parte da Reserva Federal e que se acentue a inversão da curva de rendimentos das obrigações norte-americanas.

A yield das obrigações dos EUA a 10 anos está a descer 4,5 pontos base para 2,168%, tendo já tocado em mínimos de 21 meses. Na Austrália e Nova Zelândia as taxas de juro das obrigações também estão em mínimos e o mesmo se passa em vários países europeus.

É o caso da Alemanha, onde a taxa das obrigações a 10 anos caem 2 pontos base para -0,198%, o que representa valor mais baixo de sempre. Na dívida portuguesa os juros dos títulos a 10 anos cedem 0,4 pontos base para 0,85%, recuperando parte do agravamento sentido ontem. A "yield" da dívida portuguesa tem tocado em mínimos históricos em quase todas as sessões desde que quebrou em baixa a barreira de 1%.

 

Petróleo recua para mínimos de março

O petróleo está a ser penalizado pelas tarifas dos Estados Unidos sobre o México, já que a travagem da economia mundial irá afetar o consumo da matéria-prima. O WTI em Nova Iorque desvaloriza 1,38% para 55,81 dólares e o Brent em Londres recua 1,87% para 65,62 dólares, o que corresponde ao nível mais baixo desde março.

No acumulado de maio o petróleo que serve de referência às importações portuguesas marca uma desvalorização próxima de 10%, naquele que é o pior desempenho mensal desde novembro de 2018. Ainda assim, o Brent conserva uma valorização acima de 20% desde o início do ano.

Ouro beneficia com estatuto refúgio

O ouro está a valorizar apesar do dólar estar a ganhar terreno e o metal precioso habitualmente negociar em sentido oposto à moeda norte-americana. Beneficiando com o estatuto de ativo refúgio, o ouro está a ganhar 0,4% para 1.294,32 dólares a onça. Em maio sobe 0,8%.




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