Europa fecha terceira semana consecutiva de perdas. Francês CAC-40 entra em território de correção
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta sexta-feira.
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Europa fecha terceira semana consecutiva de perdas. Francês CAC-40 entra em território de correção
A sessão ainda arrancou com algum otimismo na Europa, mas as perspetivas de um conflito prolongado no Irão levaram os principais índices da região a inverterem o sentido de negociação e a fecharem com perdas de cerca de 2%. A subida sustentada dos preços da energia está a aumentar os receios de uma escalada da inflação, que vai forçar bancos centrais por todo o mundo a serem mais severos na hora de subir as taxas de juro.
O Banco Central Europeu (BCE) pode mesmo vir a apertar a política monetária da Zona Euro já na próxima reunião de abril. O cenário foi alimentado esta sexta-feira pelo presidente do banco central alemão Bundesbank, Joachim Nagel, que diz que a autoridade vai já ter em consideração uma subida nas taxas de juro na reunião do próximo mês, apontando para uma possível deterioração da perspetiva de inflação a médio prazo.
Neste contexto, o Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação europeia - caiu 1,78% para 573,28 pontos, fechando a terceira semana consecutiva de perdas - a maior série em quase um ano. A última vez que as praças europeias tinham sido tão pressionadas foi no rescaldo da apresentação das tarifas "recíprocas" de Donald Trump, Presidente dos EUA. O estalar do conflito no Médio Oriente já atirou o índice francês CAC-40 para território de correção, tendo perdido mais de 10% desde os máximos de fevereiro.
A perspetiva mais pessimista em relação ao futuro da política monetária da Zona Euro levou os juros da dívida soberana alemã a atingir máximos de 2011 e a ultrapassar os 3%. No Reino Unido, o cenário é ainda mais penalizador, com a "yield" das obrigações britânicas a tocar no valor mais elevado desde a crise financeira de 2008.
"O aumento acentuado dos juros das obrigações acabou por afetar os mercados acionistas, que se tinham mostrado demasiado complacentes e agora estão a tentar recuperar o atraso", explica Neil Birrell, diretor de investimentos da Premier Miton Investors, à Bloomberg. "Era provável que chegasse um momento em que os investidores percebessem que talvez as coisas não estivessem tão bem", acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, a CD Projekt disparou 4,2%, depois de a produtora de videojogos polaca ter apresentado resultados ao mercado que ficaram acima das expectativas dos analistas. Já a Bechtle afundou 14%, atingindo mínimos de 2009, após a empresa de tecnologias de informação ter apresentado perspetivas para o próximo trimestre em termos de lucros e vendas que não agradaram os mercados.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perdeu 2,01%, o italiano FTSEMIB desvalorizou 1,97%, o francês CAC-40 recuou 1,82%, ao passo que o britânico FTSE 100 registou quedas de 1,44%, o neerlandês AEX tombou 1,64% e o espanhol IBEX 35 perdeu 1,14%.
Juros de França e Alemanha atingem máximos de 15 anos. Reino Unido toca valor mais elevado desde 2008
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro voltaram a disparar esta sexta-feira e a atingir máximos de vários anos, numa altura em que os investidores aumentam as probabilidades de subida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) face a uma escalada dos preços da energia. A subida sustentando do petróleo e do gás natural vai mergulhar o mundo numa nova crise energética, obrigando bancos centrais por todo o mundo a apertar a sua política monetária.
Esta sexta-feira, o presidente do banco central alemão Bundesbank e membro do conselho de governadores do BCE, Joachim Nagel, afirmou que a autoridade monetária vai já ter em consideração uma subida nas taxas de juro na reunião do próximo mês, apontando para uma possível deterioração da perspetiva de inflação a médio prazo.
"Tal como as coisas estão atualmente, é possível que a perspetiva de inflação a médio prazo se deteriore e que as expectativas de inflação aumentem de forma sustentada, o que significa que será provavelmente necessária uma postura de política monetária mais restritiva", disse à Bloomberg, um dia depois de o BCE ter decidido manter as taxas de juro inalteradas. O mercado de "swaps" já vê o banco central a avançar com três apertos na política monetária este ano.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aceleraram 8,5 pontos base para 3,038%, atingindo máximos de finais de junho de 2011. Já a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade dispararam 11,6 pontos para 3,753%, também máximos de 15 anos, enquanto a das obrigações italianas saltaram 18,6 pontos para 3,961%.
Pela Península Ibérica, os juros da dívida portuguesa na maturidade de referência aceleraram 10,7 pontos base para 3,508%, atingindo máximos de 31 de outubro de 2023, enquanto no país vizinho a subida foi de 11,5 pontos para 3,576% - o valor mais elevado desde novembro de 2023.
Fora da Zona Euro, a "yield" britânica a dez anos escalou 14,8 pontos base para 4,988%, aproximando-se dos 5% e tocando no valor mais elevado desde julho de 2008, ano da crise financeira. Já nos EUA, o agravamento é de 11,4 pontos para 4,364%.
Dólar ganha terreno mas recua ligeiramente na semana
O dólar norte-americano está a valorizar face às restantes divisas esta tarde, mas ainda caminha para uma perda semanal (abaixo de 1%), à medida que os investidores reduzem as apostas em cortes nas taxas de juros pela Reserva Federal dos EUA, dado que o aumento dos preços da energia poderá vir a resultar numa subida da inflação.
“Será que este mercado, que vai entrar em mais um fim de semana de dois dias com um potencial escalada da guerra, realmente quer apostar no otimismo com base nos comentários de ontem de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, que visavam acalmar o mercado, apenas para chegar na segunda-feira de manhã com o petróleo a disparar novamente após alguma escalada nos ativos de energia?”, questionou Jordan Rochester, da Mizuho, à Bloomberg.
O primeiro-ministro israelita, Netanyahu, afirmou que o país não vai mais atacar a infraestrutura energética do Irão, acrescentando que a guerra vai terminar muito mais rápido do que as pessoas pensam, já que o Irão não é capaz de enriquecer urânio ou fabricar mísseis balísticos.
O euro perde 0,23% para 1,1562 dólares e, face à divisa nipónica, a "nota verde" salta 0,92% para 159,23 ienes, enquanto a libra britânica recua 0,63% para 1,3346 dólares. Já o índice do dólar DXY valoriza 0,33% para 99,56 pontos.
Antes do início da guerra entre EUA e Israel contra o Irão, no final de fevereiro, os investidores já tinham incorporado dois cortes de juros pela Fed este ano. Mas agora, a maioria acredita que um único corte de juros pelo banco central é uma perspetiva distante, e outros grandes bancos centrais estão a adotar uma postura ainda mais agressiva em relação às taxas de juros - como é o caso do Banco de Inglaterra.
Já o Banco Central Europeu deixou pistas de que poderia vir a aumentar os juros na reunião de abril, impulsionado a moeda única para uma valorização semanal de mais de 1%. Também o iene ganha cerca de 0,5% na semana.
Ouro vive pior ano em seis anos. Investidores já veem juros a subir nos EUA
O ouro prepara-se para fechar a pior semana em seis anos, numa altura em que a escalada dos preços da energia está a levar os investidores a considerarem mesmo uma subida nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana - interrompendo o ciclo de alívio da política monetária iniciado em setembro de 2024. O mercado de "swaps" já vê uma probabilidade de 50% do banco central avançar com um aperto de 25 pontos base em outubro.
O metal amarelo chegou a cair 2,1% esta sexta-feira, mas, entretanto, reduziu as perdas para 1,61%, negociando nos 4.575 dólares por onça. Mesmo assim, deve fechar a semana com perdas de mais de 8% - o valor mais elevado desde 2020, quando a pandemia da covid-19 abalou os mercados financeiros e atirou o ouro para o pior desempenho semanal desde 1983. Por sua vez, a prata afunda 4,40% para 69,58 dólares por onça, enquanto a platina até sobe 1,10% para 1.9774 dólares por onça.
Apesar de ser visto como o ativo de refúgio predileto dos investidores, o metal precioso tem desvalorizado todas as semanas desde que o conflito no Médio Oriente estalou no último dia de fevereiro. Os "traders" estão a optar por procurar segurança noutros ativos, como é o caso do dólar, numa altura em que se antecipa um aperto da política monetária e os investidores vendem ouro para conseguirem cobrir as perdas no mercado acionista.
Esta desvalorização do ouro ecoa o seu desempenho após a invasão da Ucrânia por parte da Rússia. O conflito mergulhou o mundo numa crise energética, fez disparar os preços da energia e a inflação e obrigou bancos centrais por todo o mundo a subir as taxas de juro. Nesse ano, o metal amarelo viveu sete meses de perdas consecutivas - a pior série de desvalorizações desde que há registo.
No entanto, se a guerra se prolongar, Yuxuan Tang, estretega de câmbio do JPMorgan Private Bank, explicou à Bloomberg que "o foco do mercado provavelmente passará das preocupações com a inflação para os riscos de recessão - um cenário em que as características de refúgio seguro do ouro poderão, mais uma vez, passar para o primeiro plano".
Petróleo acelera e encaminha-se para fechar a semana com ganhos de mais de 5%
O preço do barril de petróleo está a negociar com avanços de cerca de 2%, encaminhando-se para mais um ganho semanal, numa altura em os ataques no Médio Oriente continuam a fustigar infraestrutura energética e o estreito de Ormuz praticamente encerrado. Os sinais continuam a apontar para um conflito duradouro, apesar das promessas do Presidente dos EUA e do primeiro-ministro israelita de que a guerra acabará no curto-prazo.
A esta hora, o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 2,70%, para os 98,14 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu e que ontem atingiu máximos de fecho de meados de 2022 – avança 1,91% para os 110,80 dólares por barril. Os dois "benchmarks" ainda arrancaram a sessão com perdas, mas rapidamente inverteram a tendência depois de uma nova vaga de ataques vinda do Irão.
Apesar de Israel ter assegurado que não ia voltar a atacar infraestruturas energéticas iranianas, Teerão voltou à carga e apontou a mira para mais uma série de países pertencentes ao Golfo Pérsico - incluindo uma refinaria de petróleo do Kuwait. A República Islâmica continua, assim, a retaliar os ataques de Tel Aviv ao seu campo de exploração de gás de South Pars a meio da semana, que levou os preços do petróleo a tocarem num dos valores mais elevados desde a invasão da Ucrânia por parte da Rússia.
"O Brent está a ser negociado perto dos 110 dólares por barril. Isso está em consonância com o cenário de o Irão bloquear o Estreito de Ormuz até 20 de abril, mas depois reabri-lo totalmente devido a algum tipo de iniciativa dos EUA e de Israel. Embora ninguém saiba realmente o quê nem como", explica Bjarne Schieldrop, analista-chefe de matérias-primas da SEB AB, à Bloomberg.
Só esta semana, o crude de referência para a Europa acelerou mais de 5%, contribuindo para uma valorização de quase 50% desde o estalar do conflito no Médio Oriente no final de fevereiro. A escalada dos preços levou a Agência Internacional de Energia (AIE) a proceder com uma libertação histórica das suas reservas estratégicas de petróleo - 400 milhões de barris. Caso o conflito se estenda no tempo, a AIE pôs em cima da mesa uma nova libertação.
BCE e Irão levam juros das "Bunds" alemãs a atingirem máximos de 15 anos
O conflito no Irão não dá sinais de estar próximo do fim e, confrontados com uma possível escalada da inflação e um ambiente monetário mais restritivo, os investidores estão a vender obrigações a toda a força. O "sell-off" levou os juros das "Bunds" alemãs a atingir o valor mais elevado desde finais de junho de 2011, numa altura em que o mercado de "swaps" já antecipa três subidas nas taxas de juro de 25 pontos base este ano.
A pouco mais de uma hora do fecho da sessão, os juros da dívida soberana a dez anos - maturidade de referência para a Zona Euro - disparam 7,8 pontos base para 3,031%, o valor mais elevado em 15 anos e que segue uma tendência de grandes agravamentos registada esta sexta-feira no mercado obrigacionista europeu.
Os movimentos acabaram por ser agravados pelas palavras do presidente do banco central alemão Bundesbank e membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE). Joachim Nagel afirmou que a autoridade monetária vai já ter em consideração uma subida nas taxas de juro na reunião do próximo mês, apontando para uma possível deterioração da perspetiva de inflação a médio prazo.
"Tal como as coisas estão atualmente, é possível que a perspetiva de inflação a médio prazo se deteriore e que as expectativas de inflação aumentem de forma sustentada, o que significa que será provavelmente necessária uma postura de política monetária mais restritiva", disse à Bloomberg, um dia depois de o BCE ter decidido manter as taxas de juro inalteradas.
Escalada do conflito no Irão volta a atirar Wall Street para o vermelho. Super Micro afunda 28%
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta sexta-feira em território negativo, num dia em que o conflito no Médio Oriente voltou a escalar. Apesar de Israel ter assegurado que não ia voltar a atacar infraestruturas energéticas iranianas, Teerão voltou à carga e apontou a mira para mais uma série de países pertencentes ao Golfo Pérsico - incluindo uma refinaria de petróleo do Kuwait.
A esta hora, o S&P 500 está a recuar 0,33% para 6.584,71 pontos, enquanto o industrial Dow Jones cede 0,22% para 45.921,74 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite perde 0,58% para 21.961,69 pontos. O VIX - conhecido por ser o "índice do medo" de Wall Street - voltou a subir esta sexta-feira, continuando a negociar bastante próximo dos máximos atingidos em abril do ano passado, quando as infames tarifas "recíprocas" de Donald Trump, Presidente dos EUA, foram apresentadas.
Com o conflito próximo de completar a sua terceira semana, não existem muitos sinais de que possa existir um apaziguamento. Esta sexta-feira, a publicação norte-americana Axios revelou que a Administração Trump está a considerar planos para ocupar ou bloquear a ilha de Kharg, o maior ponto de exportação de petróleo do Irão, como forma de pressionar os iranianos a abrirem a passagem no estreito de Ormuz. Qualquer escalada no conflito tem sido recebida com um disparo nos preços da energia.
"Penso que o mercado está neste momento a tomar consciência da realidade de que os preços mais elevados da energia vão persistir por mais tempo do que o esperado", afirmou Mark Malek, diretor de investimentos da Siebert Financial, à Bloomberg. "É evidente que o regime iraniano recorreu à última página do seu livro de estilo: a destruição mútua garantida", acrescenta.
A ajudar a volatilidade, esta sexta-feira é dia de bruxaria quádrupla. Ou seja, dia do vencimento simultâneo de quatro contratos de futuros e opções, desta vez avaliados em cerca de 5,7 biliões de dólares, que leva a um elevado volume de títulos a mudar de mãos. Isto porque os investidores que precisam de ajustar ou fechar posições podem movimentar o mercado a qualquer preço, levando as cotações a oscilarem significativamente.
Entre as principais movimentações de mercado, a Super Micro afunda 28,08% para 22,14 dólares, depois de um dos cofundadores da empresa e duas outras pessoas terem sido acusadas de desviar servidores dos EUA para a China, com semicondutores da Nvidia incluídos, numa clara violação das restrições impostas pelo Governo norte-americano às exportações para o país asiático.
Por sua vez, a FedEx acelera 2,39%, depois de a empresa de entregas ter registado resultados que superaram as expectativas dos analistas. No seu terceiro trimestre fiscal, a FedEx conseguiu alcançar um lucro por ação de 5,25 dólares e receitas de 24 mil milhões - valores bastante acima do que era apontado pelo mercado, que via a empresa a ficar-se pelos 4,09 dólares por ação e vendas de 23,43 mil milhões.
Repôr fluxos de gás e petróleo do Golfo pode levar seis meses, alerta AIE
A Agência Internacional de Energia (AIE) já tinha dito que esta é a maior ameaça energética de sempre e agora veio contabilizar o tempo que pode demorar até que se restabeleçam os fluxos do Golfo, que estão suspensos ou muito limitados.
"Vai levar muito tempo para termos o petróleo e o gás reabilitados. Vai levar seis meses para algumas [instalações] voltarem a estar operacionais, outras muito mais tempo", mesmo que a guerra termine em breve, disse Fatih Birol, presidente executivo da AIE, em entrevista ao Financial Times.
Birol explica que mais crude foi imobilizado do que durante o choque petrolífero dos anos 1970, e o dobro do gás que em 2022 a Europa deixou de receber da Rússia. O líder da AIE considera que a classe política está a subestimar a escala da perturbação no Médio Oriente. "As pessoas percebem que é um enorme desafio, mas não estou certo que a dimensão e as consequências da situação são totalmente compreendidas", afirmou.
Taxas Euribor sobem e a de 12 meses para máximo desde outubro de 2024
A taxa Euribor subiu esta sexta-feira a três, a seis e a 12 meses e no prazo mais longo para um máximo desde outubro de 2024, depois de o BCE ter mantido as taxas diretoras pela sexta reunião consecutiva.
Com esta alterações, a taxa a três meses, que avançou para 2,111%, continuou abaixo das taxas a seis (2,406%) e a 12 meses (2,658%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou, ao ser fixada em 2,406%, mais 0,080 pontos do que na quinta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a janeiro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,93% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,78% e 24,98%, respetivamente.
No mesmo sentido, no prazo de 12 meses, a taxa Euribor avançou, para 2,658%, mais 0,134 pontos do que na sessão anterior e um novo máximo desde outubro de 2024.
A Euribor a três meses também subiu, ao ser fixada em 2,111%, mais 0,003 pontos.
Rendibilidade das "gilts" em máximos de 2008 com subida de juros no horizonte
No Reino Unido, os juros das obrigações com maturidade a dez anos atingiram o seu nível mais elevado desde 2008, à medida que os mercados antecipam taxas de juro mais elevadas em resposta às preocupações com a inflação.
Mas também a rendibilidade das obrigações dos países da Zona Euro estão a agravar-se nesta sexta-feira. Leia a notícia completa aqui.
Europa recupera terreno mas prepara-se para terceira semana seguida de perdas
Os principais índices europeus negoceiam com ganhos nesta manhã, depois de ontem terem registado a segunda pior sessão desde o início da guerra entre os Estados Unidos (EUA) e Israel contra o Irão. Um breve recuo dos preços do Brent – que entretanto já valoriza mais de 1% - deu esta manhã algum fôlego aos investidores.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – soma 0,50%, para os 586,53 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX sobe 0,64%, o espanhol IBEX 35 avança 1,01%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,73%, o francês CAC-40 ganha ligeiros 0,02%, ao passo que o neerlandês AEX se mantém inalterado e o britânico FTSE 100 soma 0,27%.
O índice de referência continua, ainda assim, a caminho de registar a terceira semana consecutiva de perdas, a mais longa desde abril do ano passado.
Em novos desenvolvimentos, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que as forças israelitas deixariam de atacar infraestruturas energéticas iranianas, enquanto o Presidente Donald Trump disse que não iria enviar tropas para o terreno.
Os preços da energia, que se têm mantido persistentemente elevados, continuam a alimentar preocupações com uma inflação mais alta, o que pode vir a limitar a capacidade de os bancos centrais estimularem o crescimento económico.
Nesta linha, Joachim Nagel, membro do Conselho do Banco Central Europeu, afirmou que um aumento das taxas de juro poderia ser considerado já no próximo mês, caso as pressões sobre os preços continuem a aumentar. Isto depois de o BCE ter ontem mantido as taxas de juro inalteradas, conforme já era previsto pelos mercados. Também o Banco de Inglaterra, o Banco Nacional Síço, a Reserva Federal norte-americana e o Banco do Japão não mexeram nos juros diretores nas suas reuniões desta semana.
“Os investidores venderam a descoberto esta semana para proteger as suas carteiras, pelo que há boas hipóteses de agora recomprarem as suas posições caso haja boas notícias sobre o conflito durante o fim de semana”, disse à Bloomberg David Kruk, da La Financière de l’Echiquier.
Quanto aos setores, o da construção (+1,80%), da banca (+1,26%) e do turismo (+1,23%) lideram os ganhos. Por outro lado, apenas o dos media (-0,59%) e o do petróleo e gás (-0,58%) desvalorizam.
Entre os movimentos do mercado, a CD Projekt – produtora de videojogos - sobe mais de 7% depois de a empresa polaca ter divulgado resultados que superaram as estimativas. Já a Unilever soma mais de 1%, após a empresa anglo-neerlandesa de bens de consumo ter dito que está em negociações para vender o seu negócio alimentar à McCormick.
Dólar perde no conjunto da semana contra euro com subida de juros no horizonte do BCE
O dólar segue a negociar sem grandes alterações esta manhã e ainda que registe ligeiras valorizações, a “nota verde” recuou esta semana de máximos de vários meses atingidos anteriormente, à medida que a subida dos preços da energia altera as perspetivas para as taxas de juro ao nível global, ficando a Reserva Federal (Fed) dos EUA como o único grande banco central que não deverá subir as taxas este ano.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – avança 0,05%, para os 99,284 pontos.
Antes do início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, no final de fevereiro, os investidores esperavam duas reduções da taxa de juro por parte da Fed este ano. Já as perspetivas de política monetária para outros grandes bancos centrais tornaram-se mais restritivas. O euro, o iene, a libra, o franco suíço e o dólar australiano ainda seguem a registar ganhos semanais face ao dólar, à medida que os decisores lançaram as bases para taxas de juro mais elevadas como resposta ao conflito no Médio Oriente.
Face ao iene, o dólar sobe 0,48%, para os 158,480 ienes, depois de o Banco do Japão (BoJ) ter mantido as taxas inalteradas na sua reunião de ontem.
Também o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco de Inglaterra decidiram não mexer nos juros diretores na quinta-feira.
Os "traders" descartaram, para já, as expectativas de uma manutenção prolongada das taxas europeias nos 2% para precificar um aumento até junho. Na quinta-feira de manhã, o Banco do Japão deixou a porta aberta a um aumento já em abril, surpreendendo os investidores que tinham apostado numa nova queda do iene.
Pela Europa, a libra perde 0,05%, para os 1,342 dólares e o euro desvaloriza 0,16%, para os 1,157 dólares, com a "nota verde" a fixar uma desvalorização de mais de 1% na semana face à moeda única, ainda assim.
Ouro sobe, mas está perto de fechar pior semana em seis anos
O ouro está a negociar com valorizações nesta manhã, mas segue ainda a caminho da sua maior perda semanal em seis anos, à medida que a guerra no Médio Oriente impulsiona os preços da energia e reduz as expectativas de cortes nas taxas de juro.
A esta hora, o ouro ganha 1,17%, para os 4.704,380 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso soma 0,65%, para os 73,298 dólares por onça.
O metal amarelo regista até agora uma queda de cerca de 7% esta semana, a maior desde março de 2020. A subida vertiginosa dos preços do petróleo bruto, do gás natural e dos combustíveis, desencadeada pelo conflito, está a suscitar preocupações com a inflação, reduzindo as perspetivas de que os bancos centrais baixem as taxas diretoras, fator que prejudica o ouro, por não render juros.
O ouro tem caído todas as semanas desde que os EUA e Israel atacaram o Irão no final mês passado, pressionado, também, por um dólar mais forte. “Não comprem na baixa – há demasiada volatilidade”, disse à Bloomberg Robert Gottlieb, antigo negociador de metais preciosos no JPMorgan. “Até que a volatilidade comece a diminuir e os preços comecem a consolidar-se", poderá haver mais vendas, acrescentou.
A Reserva Federal dos EUA reuniu-se a meio da semana para avaliar a política monetária, optando por manter as taxas inalteradas, como já era amplamente esperado pelos mercados. O presidente da Fed, Jerome Powell, salientou que, para retomar a flexibilização, os responsáveis teriam de ver progressos na redução da inflação.
O desempenho do ouro desde o início da guerra no Irão espelha a queda de 2022, quando a invasão russa da Ucrânia causou um choque energético que se propagou pelos mercados globais. Nesse ano, o ouro registou uma sequência de perdas que se prolongou por sete meses até outubro - a mais longa de sempre.
Mas apesar da recente correção, o ouro continua com uma valorização de cerca de 8% este ano. Os preços tinham atingido um recorde de pouco menos de 5.600 dólares por onça no final de janeiro.
Petróleo desvaloriza mais de 1% e gás cai 4%. Brent e WTI em contramão na semana
Os preços do petróleo negoceiam com desvalorizações esta manhã, após fortes subidas na sessão anterior, à medida que a guerra no Médio Oriente se prolonga e o estreito de Ormuz permanece praticamente fechado. Comentários do primeiro-ministro israelita de que vão evitar fazer mais ataques a infraestruturas energéticas do Irão - depois de South Pars ter sido ontem alvo de ataques – parece, estar a retirar alguma da pressão ascendente sobre os preços.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – cai 1,76%, para os 93,87 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu e que ontem atingiu máximos de fecho de meados de 2022 – cai 1,13% para os 107,42 dólares por barril.
Os esforços dos EUA para controlar os preços, incluindo a libertação de reservas estratégicas que terão de ser devolvidas com juros numa data posterior, ampliaram o diferencial entre o WTI e o Brent para cerca de 14 dólares por barril. Isto criou uma situação invulgar em que o Brent caminha agora para um ganho semanal, enquanto o WTI está a caminho de uma queda superior a 4% na semana.
Em novos desenvolvimentos, depois de ontem a maior refinaria de gás do mundo, em Ras Laffan, no Qatar, ter sido atacada, o Kuwait anunciou que encerrou várias unidades na refinaria de Al Ahmadi na sequência de ataques com drones.
“A tendência dos preços a partir daqui permanece assimétrica, com o Brent a poder manter-se mais elevado enquanto os riscos para as infraestruturas do Golfo e de Ormuz se mantiverem”, disse à Bloomberg Charu Chanana, da Saxo Markets em Singapura. “O WTI poderá apresentar uma evolução mais instável e mais limitada”, sublinhou o mesmo especialista.
No que toca ao gás natural, o preço do gás de referência para os mercados europeus, negociado no TTF – ponto de negociação nos Países Baixos –, cai cerca de 3,91%, para 59,433 euros por megawatt-hora, depois de ontem ter chegado a escalar 35%, para máximos intradiários de janeiro de 2023.
Ásia fecha com maioria de perdas em dia de negociação reduzida. Alibaba perde 6%
Os principais índices asiáticos encerraram a última sessão da semana com uma maioria de perdas, à medida que as praças ao nível global caminham para a terceira semana consecutiva de perdas. E depois do “sell-off” registado ontem, os futuros do Euro Stoxx 50 apontam agora para uma abertura com ganhos e sobem cerca de 0,50%. Já os futuros do norte-americano S&P 500 cedem 0,10%.
O volume de negociação foi reduzido pela Ásia devido aos feriados na Indonésia, na Malásia e nas Filipinas. Os mercados japoneses também estiveram encerrados. Já o sul-coreano Kospi subiu 0,31%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong caiu 0,98% e o Shanghai Composite desvalorizou 1,24%. Por Taiwan, o TWSE cedeu 0,43%.
O petróleo Brent caiu do seu nível de fecho mais alto desde julho de 2022, passando a ser negociado a cerca de 108 dólares por barril e dando algum fôlego aos mercados, depois de na sessão de quinta-feira ter ultrapassado os 119 dólares por barril.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país deixará de atacar infraestruturas energéticas do Irão e acrescentou que a guerra terminará muito mais rapidamente do que as pessoas pensam, uma vez que o Irão já não é capaz de enriquecer urânio nem fabricar mísseis balísticos, segundo Netanyahu.
Entretanto, o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse a jornalistas que “não vai enviar tropas para lado nenhum” quando questionado sobre a possibilidade de mobilizar forças no terreno. Mas “a longa sombra da crise energética está longe de ter desaparecido”, disse à Bloomberg Hebe Chen, da Vantage Global Prime em Sydney. “Seria ingénuo considerar isto mais do que um suspiro de alívio frágil”, acrescentou.
Entre os movimentos do mercado, uma forte queda de mais de 6% da gigante tecnológica Alibaba Group pesou sobre o índice regional MSCI Ásia-Pacífico na sexta-feira. Isto após a empresa ter divulgado vendas abaixo das estimativas, prejudicadas pelo crescimento lento do seu principal negócio de comércio eletrónico.
Por outro lado, as ações chinesas ligadas ao fornecimento de capacidade de computação caíram devido a especulações de que as acusações contra um executivo de uma empresa norte-americana, acusado de contrabando de tecnologia da Nvidia para a China, possam levar a restrições no acesso de algumas empresas a componentes essenciais da tecnológica liderada por Jensen Huang. Nesta medida, os EUA acusaram um cofundador da Super Micro Computer de desviar ilegalmente milhares de milhões de dólares em servidores equipados com tecnologia da Nvidia para a China. A Sharetronic Data Technology (-14,89%), a Super Telecom (-9,99%) e a Business-Intelligence of Oriental Nations (-12,10%) registaram fortes perdas.
“Estas empresas não conseguirão obter os chips da Nvidia tão facilmente se houver mais restrições”, sublinhou Xiang Xiaotian, da Chengzhou Investment Management. “O setor já registou fortes ganhos desde o início do ano, pelo que o mercado está a aproveitar o sentimento atual como uma oportunidade para realizar lucros e liquidar ganhos”, disse.
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