Petróleo nos 107 dólares e gás natural a cair 4%. Ouro a caminho da pior semana desde 2020
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta sexta-feira.
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Dólar perde no conjunto da semana contra euro com subida de juros no horizonte do BCE
O dólar segue a negociar sem grandes alterações esta manhã e ainda que registe ligeiras valorizações, a “nota verde” recuou esta semana de máximos de vários meses atingidos anteriormente, à medida que a subida dos preços da energia altera as perspetivas para as taxas de juro ao nível global, ficando a Reserva Federal (Fed) dos EUA como o único grande banco central que não deverá subir as taxas este ano.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – avança 0,05%, para os 99,284 pontos.
Antes do início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, no final de fevereiro, os investidores esperavam duas reduções da taxa de juro por parte da Fed este ano. Já as perspetivas de política monetária para outros grandes bancos centrais tornaram-se mais restritivas. O euro, o iene, a libra, o franco suíço e o dólar australiano ainda seguem a registar ganhos semanais face ao dólar, à medida que os decisores lançaram as bases para taxas de juro mais elevadas como resposta ao conflito no Médio Oriente.
Face ao iene, o dólar sobe 0,48%, para os 158,480 ienes, depois de o Banco do Japão (BoJ) ter mantido as taxas inalteradas na sua reunião de ontem.
Também o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco de Inglaterra decidiram não mexer nos juros diretores na quinta-feira.
Os "traders" descartaram, para já, as expectativas de uma manutenção prolongada das taxas europeias nos 2% para precificar um aumento até junho. Na quinta-feira de manhã, o Banco do Japão deixou a porta aberta a um aumento já em abril, surpreendendo os investidores que tinham apostado numa nova queda do iene.
Pela Europa, a libra perde 0,05%, para os 1,342 dólares e o euro desvaloriza 0,16%, para os 1,157 dólares, com a "nota verde" a fixar uma desvalorização de mais de 1% na semana face à moeda única, ainda assim.
Ouro sobe, mas está perto de fechar pior semana em seis anos
O ouro está a negociar com valorizações nesta manhã, mas segue ainda a caminho da sua maior perda semanal em seis anos, à medida que a guerra no Médio Oriente impulsiona os preços da energia e reduz as expectativas de cortes nas taxas de juro.
A esta hora, o ouro ganha 1,17%, para os 4.704,380 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso soma 0,65%, para os 73,298 dólares por onça.
O metal amarelo regista até agora uma queda de cerca de 7% esta semana, a maior desde março de 2020. A subida vertiginosa dos preços do petróleo bruto, do gás natural e dos combustíveis, desencadeada pelo conflito, está a suscitar preocupações com a inflação, reduzindo as perspetivas de que os bancos centrais baixem as taxas diretoras, fator que prejudica o ouro, por não render juros.
O ouro tem caído todas as semanas desde que os EUA e Israel atacaram o Irão no final mês passado, pressionado, também, por um dólar mais forte. “Não comprem na baixa – há demasiada volatilidade”, disse à Bloomberg Robert Gottlieb, antigo negociador de metais preciosos no JPMorgan. “Até que a volatilidade comece a diminuir e os preços comecem a consolidar-se", poderá haver mais vendas, acrescentou.
A Reserva Federal dos EUA reuniu-se a meio da semana para avaliar a política monetária, optando por manter as taxas inalteradas, como já era amplamente esperado pelos mercados. O presidente da Fed, Jerome Powell, salientou que, para retomar a flexibilização, os responsáveis teriam de ver progressos na redução da inflação.
O desempenho do ouro desde o início da guerra no Irão espelha a queda de 2022, quando a invasão russa da Ucrânia causou um choque energético que se propagou pelos mercados globais. Nesse ano, o ouro registou uma sequência de perdas que se prolongou por sete meses até outubro - a mais longa de sempre.
Mas apesar da recente correção, o ouro continua com uma valorização de cerca de 8% este ano. Os preços tinham atingido um recorde de pouco menos de 5.600 dólares por onça no final de janeiro.
Petróleo desvaloriza mais de 1% e gás cai 4%. Brent e WTI em contramão na semana
Os preços do petróleo negoceiam com desvalorizações esta manhã, após fortes subidas na sessão anterior, à medida que a guerra no Médio Oriente se prolonga e o estreito de Ormuz permanece praticamente fechado. Comentários do primeiro-ministro israelita de que vão evitar fazer mais ataques a infraestruturas energéticas do Irão - depois de South Pars ter sido ontem alvo de ataques – parece, estar a retirar alguma da pressão ascendente sobre os preços.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – cai 1,76%, para os 93,87 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu e que ontem atingiu máximos de fecho de meados de 2022 – cai 1,13% para os 107,42 dólares por barril.
Os esforços dos EUA para controlar os preços, incluindo a libertação de reservas estratégicas que terão de ser devolvidas com juros numa data posterior, ampliaram o diferencial entre o WTI e o Brent para cerca de 14 dólares por barril. Isto criou uma situação invulgar em que o Brent caminha agora para um ganho semanal, enquanto o WTI está a caminho de uma queda superior a 4% na semana.
Em novos desenvolvimentos, depois de ontem a maior refinaria de gás do mundo, em Ras Laffan, no Qatar, ter sido atacada, o Kuwait anunciou que encerrou várias unidades na refinaria de Al Ahmadi na sequência de ataques com drones.
“A tendência dos preços a partir daqui permanece assimétrica, com o Brent a poder manter-se mais elevado enquanto os riscos para as infraestruturas do Golfo e de Ormuz se mantiverem”, disse à Bloomberg Charu Chanana, da Saxo Markets em Singapura. “O WTI poderá apresentar uma evolução mais instável e mais limitada”, sublinhou o mesmo especialista.
No que toca ao gás natural, o preço do gás de referência para os mercados europeus, negociado no TTF – ponto de negociação nos Países Baixos –, cai cerca de 3,91%, para 59,433 euros por megawatt-hora, depois de ontem ter chegado a escalar 35%, para máximos intradiários de janeiro de 2023.
Ásia fecha com maioria de perdas em dia de negociação reduzida. Alibaba perde 6%
Os principais índices asiáticos encerraram a última sessão da semana com uma maioria de perdas, à medida que as praças ao nível global caminham para a terceira semana consecutiva de perdas. E depois do “sell-off” registado ontem, os futuros do Euro Stoxx 50 apontam agora para uma abertura com ganhos e sobem cerca de 0,50%. Já os futuros do norte-americano S&P 500 cedem 0,10%.
O volume de negociação foi reduzido pela Ásia devido aos feriados na Indonésia, na Malásia e nas Filipinas. Os mercados japoneses também estiveram encerrados. Já o sul-coreano Kospi subiu 0,31%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong caiu 0,98% e o Shanghai Composite desvalorizou 1,24%. Por Taiwan, o TWSE cedeu 0,43%.
O petróleo Brent caiu do seu nível de fecho mais alto desde julho de 2022, passando a ser negociado a cerca de 108 dólares por barril e dando algum fôlego aos mercados, depois de na sessão de quinta-feira ter ultrapassado os 119 dólares por barril.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país deixará de atacar infraestruturas energéticas do Irão e acrescentou que a guerra terminará muito mais rapidamente do que as pessoas pensam, uma vez que o Irão já não é capaz de enriquecer urânio nem fabricar mísseis balísticos, segundo Netanyahu.
Entretanto, o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse a jornalistas que “não vai enviar tropas para lado nenhum” quando questionado sobre a possibilidade de mobilizar forças no terreno. Mas “a longa sombra da crise energética está longe de ter desaparecido”, disse à Bloomberg Hebe Chen, da Vantage Global Prime em Sydney. “Seria ingénuo considerar isto mais do que um suspiro de alívio frágil”, acrescentou.
Entre os movimentos do mercado, uma forte queda de mais de 6% da gigante tecnológica Alibaba Group pesou sobre o índice regional MSCI Ásia-Pacífico na sexta-feira. Isto após a empresa ter divulgado vendas abaixo das estimativas, prejudicadas pelo crescimento lento do seu principal negócio de comércio eletrónico.
Por outro lado, as ações chinesas ligadas ao fornecimento de capacidade de computação caíram devido a especulações de que as acusações contra um executivo de uma empresa norte-americana, acusado de contrabando de tecnologia da Nvidia para a China, possam levar a restrições no acesso de algumas empresas a componentes essenciais da tecnológica liderada por Jensen Huang. Nesta medida, os EUA acusaram um cofundador da Super Micro Computer de desviar ilegalmente milhares de milhões de dólares em servidores equipados com tecnologia da Nvidia para a China. A Sharetronic Data Technology (-14,89%), a Super Telecom (-9,99%) e a Business-Intelligence of Oriental Nations (-12,10%) registaram fortes perdas.
“Estas empresas não conseguirão obter os chips da Nvidia tão facilmente se houver mais restrições”, sublinhou Xiang Xiaotian, da Chengzhou Investment Management. “O setor já registou fortes ganhos desde o início do ano, pelo que o mercado está a aproveitar o sentimento atual como uma oportunidade para realizar lucros e liquidar ganhos”, disse.