Europa fecha mista com banca a liderar quedas
Acompanhe aqui, minuto a minuto, o desempenho dos mercados esta quinta-feira.
- Europa aponta para o vermelho. Ásia toca máximos de duas semanas
- Petróleo recua com comentários de Powell e Yellen. Gás valoriza
- Ouro sobe ligeiramente
- Dólar sob pressão negoceia em mínimos de um mês
- Juros aliviam na Zona Euro
- Europa abre no vermelho em rescaldo de decisão da Fed
- Euribor cai a três meses e sobe a seis e 12 meses
- Wall Street mede palavras de Powell e abre pintada de verde
- Powell não apaga esperança do mercado e ouro brilha
- Petróleo sobe com queda do dólar e maior procura por gasolina
- Libra e franco suíço ganham contra o dólar, depois de bancos centrais subirem juros diretores
- Juros aliviaram na Zona Euro
- Europa fecha mista com banca a liderar quedas
Os principais índices europeus estão a apontar para uma negociação em terreno negativo, influenciados por comentários da secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, que deixou claro esta quarta-feira que não está a trabalhar para que a agência federal responsável assegure todos os depósitos.
Ainda a influenciar a negociação está o rescaldo de uma decisão de política monetária da Reserva Federal norte-americana em subir os juros em 25 pontos base, com os investidores mais focados nas palavras do presidente, Jerome Powell, que afastou cortes nas taxas de juro ainda este ano e reiterou que, se necessário, a Fed voltará a aumentar os juros diretores.
Após uma negociação negativa em Wall Street, com os índices a perderem mais de 1%, os futuros sobre o Euro Stoxx 50 perdem 0,4%.
Na Ásia, a negociação foi positiva, com o índice agregador da região, o MSCI Asia Pacific, a subir mais de 1%, chegando a tocar um máximo de duas semanas. Hong Kong esteve entre as maiores subidas depois de a Tencent ter revelado receitas melhores do que o esperado.
A influenciar a negociação esteve a subida das moedas asiáticas face ao dólar, com a Fed a optar por uma subida de 25 pontos base, face aos anteriores 50. Um dólar mais fraco tende a ser benéfico para as ações asiáticas, uma vez que sinaliza maior apetite pelo risco e é visto como positivo para as economias emergentes, muitas das quais realizam importações de grande quantidade cujo preço está fixo em dólares.
"A reação do dólar à Fed parece não existir, o que pode reduzir a pressão nas divisas asiáticas", afirmou o analista da Bloomberg Intelligence, Marvin Chen.
"O foco deve estar no impacto do dólar, à medida que nos aproximamos do pico das taxas de juro", completou.
Pela China, Xangai somou 0,64% e, em Hong Kong, o tecnológico Hang Seng ganhou 1,99%. No Japão, o Nikkei recuou 0,17% e o Topix desceu 0,29%. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,31%.
O petróleo está a desvalorizar esta quinta-feira, com os investidores a avaliarem as perspetivas da Reserva Federal norte-americana no que toca à política monetária, depois de ontem a Fed ter subido os juros diretores em 25 pontos base.
O West Texas Intermediate (WTI) - negociado em Nova Iorque - recua 0,34% para os 70,66 dólares por barril, enquanto o Brent do Mar do Norte - referência para as importações europeias - cede 0,22% para 76,52 dólares por barril.
A possibilidade de manutenção das taxas de juro em terreno restritivo e as declarações da secretária do Tesouro, Janet Yellen, que referiu que não vai assegurar todos os depósitos bancários, estão a colocar pressão na negociação das "commodities".
O crude está assim a caminho da maior queda trimestral desde 2020, quando a pandemia reduziu drasticamente o consumo.
"Claramente, a visão macro vai continuar a ser o condutor para os preços no curto-prazo", afirmou o analista do ING Warren Patterson à Bloomberg.
"Os comentários de Yellen relacionados com os seguros nos depósitos parecem ter colocado pressão renovada nos ativos de risco, incluindo o petróleo", salientou.
No mercado do gás, os futuros estão a valorizar ligeiramente, com a possibilidade do retorno de temperaturas mais baixas na próxima semana, aumentar o consumo por parte das famílias.
O gás negociado em Amesterdão (TTF) sobe 2,36% para 40,8 euros por megawatt-hora.
O ouro está a valorizar ligeiramente, com os investidores a avaliarem indicações da Fed de que o endurecimento mais agressivo da política monetária poderá estar a chegar ao fim, depois de o presidente da Reserva Federal dos EUA, Jerome Powell, ter revelado que os governadores tinham considerado uma pausa na subida de juros devido à recente turbulência na banca.
O metal amarelo sobe 0,28% para 1.975,64 dólares por onça.
"Na presença de elevado 'medo' e aumento dos riscos de uma recessão, a possibilidade de perda do ouro no caso de uma aterragem suave ou maior agressividade da Fed é significativamente menor, face aos possíveis ganhos do ouro no caso de choque de crescimento que empurre a economia para uma recessão", escrevem analistas do Golman Sachs, vista pela Bloomberg, isto numa altura em que o mercado de futuros prevê uma recessão e um corte nos juros pela Fed já este ano.
O dólar segue a negociar em baixa e no valor mais baixo num mês, com os investidores a avaliarem a possibilidade de um corte nas taxas de juro pela Fed, mesmo depois de Jerome Powell ter reiterado que seguia a postos caso fosse necessário subir novamente os juros diretores.
O dólar recua 0,22% para 0,9179 euros, ao passo que o índice do dólar da Bloomberg – que compara a força da nota verde contra 10 divisas rivais - recua 0,16% para 102,144 pontos.
"Com a crise no setor da banca ainda recente, a Fed foi mais 'dovish' do que na reunião anterior e isso está a pressionar as 'yields' dos juros e o dólar", indicou o analista Daisuke Uno, da Sumitomo Mitsiu Banking, à Bloomberg.
Já a libra sobe face ao dólar (0,38%) e relativamente ao euro (0,19%), com os investidores na expectativa de que o Banco de Inglaterra, que tem hoje a sua reunião de política monetária, suba os juros em 50 pontos base.
Os juros estão a aliviar na Zona Euro, após a Fed ter decidido aumentar os juros diretores em 25 pontos base, mas ter sinalizado que alguns responsáveis consideraram uma pausa devido à turbulência no setor bancário.
A "yield" das Bunds alemãs com maturidade a dez anos, referência para a região, recuam 4,5 pontos base para 2,276%, enquanto os juros da dívida italiana descem 4,6 pontos base para 4,115%.
Os juros da dívida pública portuguesa aliviam 5,3 pontos base para 3,111%, os juros da dívida francesa decrescem 4,7 pontos base para 2,79% e os juros da dívida espanhola recuam 5,5 pontos base para 3,303%.
Fora da região, os juros da dívida britânica aliviam 2 pontos base para 3,422%, no dia em que o Banco de Inglaterra toma uma decisão de política monetária.
As principais praças europeias estão a negociar no vermelho, com os investidores a avaliarem o discurso de ontem do presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana, Jerome Powell, antes da decisão do Banco de Inglaterra esta quinta-feira.
O índice de referência europeu, Stoxx 600, perde 0,41% para 445,32 pontos, com o setor da banca e dos media a registar as maiores perdas.
Os índices europeus estão a tentar recuperar de perdas vividas no início do mês, causadas pela crise na banca nos Estados Unidos e que depois se alastrou para a Europa, culminando na venda do Credit Suisse ao UBS.
Numa nota vista pela Bloomberg, os analistas do Citigroup reduziram o "target" para o final de 2023, referindo que era mais provável que os investidores se focassem na desaceleração económica e deterioração dos fundamentais. Ao mesmo, colocaram o setor da banca em neutro e aumentaram a tecnologia para "overweight".
"Eu ainda seria cauteloso hoje", afirmou Marija Veitmane, estratega da State Street Global Markets, à Bloomberg.
"O mercado entendeu a mensagem da Fed como 'dovish', devido aos membros da Fed terem reconhecido o aperto das condições financeiras do stress dos bancos. No entanto, para mim o mais importante é que a Fed não está a planear um corte das taxas de juro este ano", completou.
Entre os principais índices da Europa Ocidental, o alemão Dax cede 0,1%, o francês CAC-40 desvaloriza 0,15%, o italiano FTSEMIB recua 0,05%, o britânico FTSE 100 perde 0,42% e o espanhol IBEX 35 cai 0,2%. Em Amesterdão, o AEX registou um decréscimo de 0,26%.
A taxa Euribor desceu hoje a três meses e subiu a seis e a 12 meses face a quarta-feira.
A taxa Euribor a 12 meses, que atualmente é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje, ao ser fixada em 3,578%, mais 0,110 pontos e contra o máximo desde novembro de 2008, de 3,978%, verificado em 9 de março.
Segundo o Banco de Portugal, a Euribor a 12 meses já representa 43% do 'stock' de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável, enquanto a Euribor a seis meses representa 32%.
Após ter disparado em 12 de abril de 2022 para 0,005%, pela primeira vez positiva desde 5 de fevereiro de 2016, a Euribor a 12 meses está em terreno positivo desde 21 de abril de 2022.
A média da Euribor a 12 meses avançou de 3,338% em janeiro para 3,534% em fevereiro, mais 0,196 pontos.
No prazo de seis meses, a taxa Euribor, que entrou em terreno positivo em 6 de junho, também subiu hoje, para 3,290%, mais 0,076 pontos, contra o máximo desde novembro de 2008, de 3,461%, verificado também em 9 de março.
A Euribor a seis meses esteve negativa durante seis anos e sete meses (entre 6 de novembro de 2015 e 3 de junho de 2022).
A média da Euribor a seis meses subiu de 2,864% em janeiro para 3,135% em fevereiro, mais 0,271 pontos.
Em sentido contrário, a Euribor a três meses, que entrou em 14 de julho em terreno positivo pela primeira vez desde abril de 2015, recuou hoje, ao ser fixada em 2,990%, menos 0,012 pontos e contra o máximo desde dezembro de 2008, de 3,002%, verificado em 22 de março.
A taxa Euribor a três meses esteve negativa entre 21 de abril de 2015 e 13 de julho último (sete anos e dois meses).
A média da Euribor a três meses subiu de 2,354% em janeiro para 2,640% em fevereiro, ou seja, um acréscimo de 0,286 pontos.
As Euribor começaram a subir mais significativamente desde 4 de fevereiro de 2022, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter admitido que poderia subir as taxas de juro diretoras este ano devido ao aumento da inflação na zona euro e a tendência foi reforçada com o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022.
Na última reunião de política monetária, em 16 de março, o BCE voltou a subir em 50 pontos base as taxas de juro diretoras, acréscimo igual ao efetuado em 2 de fevereiro e em 15 de dezembro, quando começou a desacelerar o ritmo das subidas em relação às duas registadas anteriormente, que foram de 75 pontos base, respetivamente em 27 de outubro e em 8 de setembro.
Em 21 de julho de 2022, o BCE aumentou, pela primeira vez em 11 anos, em 50 pontos base, as três taxas de juro diretoras.
As taxas Euribor a três, a seis e a 12 meses registaram mínimos de sempre, respetivamente, de -0,605% em 14 de dezembro de 2021, de -0,554% e de -0,518% em 20 de dezembro de 2021.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 57 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Lusa
Os principais índices norte-americanos estão a negociar em terreno positivo, sinalizando uma recuperação face à negociação de ontem em que foram fortemente penalizados pelas palavras do presidente da Fed, Jerome Powell, e da secretária do Tesouro, Janet Yellen.
O industrial Dow Jones valoriza 0,63% para 32.230,55 pontos, enquanto o Standard & Poor's 500 (S&P 500) soma 0,83% para 3.969,51 pontos. Por sua vez, o tecnológico Nasdaq Composite pula 1,29% para 11.820,98 pontos.
Apesar de Jerome Powell ter reiterado que a Fed iria continuar a subir as taxas de juro caso fosse necessário, os investidores parecem estar a considerar a possibilidade de um corte nos juros diretores ainda este ano.
"A Fed tem mesmo de ser cuidadosa dada a situação no setor da banca, bem como outros dados económicos, que estão a mostrar que não é só um problema de Wall Street a pesar nos mercados", argumenta o analista Greg Bassuk, CEO da AXS Investments, à CNBC.
O ouro soma 0,54% para 1.980,74 dólares por onça, à medida que o indicador de força do dólar contra várias divisas perde força.
O movimento ocorre após as reuniões de vários bancos centrais, incluindo a Fed, que decidiu subir a taxa de juro diretora em mais 25 pontos base.
Apesar de o presidente do banco central, Jerome Powell, ter assegurado que irá subir as taxas de juro "se for necessário", o mercado continua a apontar para a possibilidade de cortes na taxa de juro diretora este ano.
O "dot plot" da Fed coloca o pico da taxa de juro dos fundos federais em 5,1% este ano, sendo que os juros diretores estão atualmente num intervalo entre 4,75% e 5%.
"Perante o medo e o risco de recessão, a vantagem dada ao ouro por um choque no crescimento que empurre a economia para uma recessão, é maior que uma possível desvantagem provocada por uma aterragem suave ou uma política monetária ‘hawkish’ da Fed", considera o Goldman Sachs.
Assim, o banco de investimento aponta para que o ouro possa alcançar os 2.050 dólares por onça nos próximos 12 meses.
Os preços do "outo negro" seguem em alta nos principais mercados internacionais, dias depois de terem atingido o nível mais baixo desde dezembro de 2021.
A animar a negociação desta quinta-feira está o aumento da procura por gasolina nos Estados Unidos, bem como a depreciação do dólar – o que torna os ativos denominados na nota verde, como é o caso do petróleo, mais atrativos para quem negoceia com outras moedas.
O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, soma 0,37% para 71,16 dólares por barril.
Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, ganha 0,42% para 77,01 dólares.
A libra negoceia em máximos de quase dois meses face à divisa norte-americana, estando a somar 0,38% para 1,2325 dólares. Face à moeda única, a libra negoceia na linha de água (0,05%) para 1,1301 euros.
Estes movimentos ocorrem horas depois de o Banco de Inglaterra ter aumentado a taxa de juro de referência em 25 pontos base para 4,25%, o valor mais elevado desde outubro de 2008.
Além do BoE, também o Banco Nacional da Suíça subiu esta quinta-feira as taxas de juro, em concreto em 50 pontos base. Após esta decisão, o franco suíço negoceia na linha de água (0,04%) para 1,0041 euros e ganha 0,37% para 1,0951 dólares.
A moeda única cresce 0,34% para 1,0907 dólares.
Por fim, o indicador de força do dólar da Bloomberg – que mede a força da nota verde contra 10 divisas – desliza 0,24% para 102,10 pontos, negociando em mínimos de dois de fevereiro.
Apenas um dia depois da reunião da Fed, em que o banco central deixou claro que está disposto a subir mais as taxas de juro se for necessário, as apostas do mercado apontam para uma probabilidade de 57,9% de a Fed não mexer nos juros diretores na próxima reunião, enquanto 42,1% aponta para uma subida adicional de 25 pontos base, segundo o FedWatch do CME Group.
O "dot plot" da Fed aponta para um pico da taxa dos fundos federais em 5,1%, o qual deve ser alcançado já este ano.
Os juros da dívida soberana na Zona Euro aliviaram, na primeira sessão após a Reserva Federal norte-americana ter anunciado uma nova subida das taxas de juro em 25 pontos base para um intervalo entre 4,75% e 5%. Apesar de ter optado por um novo aumento, o "dot plot" da Fed coloca o pico da taxa de juro dos fundos federais em 5,1%, o que dá a entender aos investidores que o fim do ciclo de subidas poderá estar para breve.Além disso, o discurso do presidente da Fed, Jerome Powell, foi visto como "dovish", ou seja, menos duro. O responsável sinalizou ainda que alguns dos membros da autoridade monetária consideraram mesmo pausar as subidas das taxas de juro.
A "yield" das Bunds alemãs a 10 anos aliviaram 13,2 pontos base para 2,189%, enquanto os juros da dívida italiana desceram 10,5 pontos base para 4,057%.
Os juros da dívida portuguesa cederam 11,6 pontos base para 3,048%, os juros da dívida espanhola recuaram 12,2 pontos base para 3,236% e os juros da dívida francesa perderam 12,2 pontos base para 2,715%.
Fora da região, os juros da dívida britânica caíram 8,9 pontos base para 3,353%.
As bolsas europeias fecharam mistas, após ontem a Reserva Federal norte-americana ter subido as taxas de juro e, já hoje, o Banco de Inglaterra ter decidido igualmente aumentar as taxas diretoras. O alívio dos juros das dívidas soberanas na Zona Euro, aliada à queda de grande parte das bolsas europeias indicam que os investidores estão a privilegiar ativos mais seguros, como as obrigações e o ouro.
O Stoxx 600, índice de referência para a região, cedeu 0,21% para 446,22 pontos. Dos 20 setores que compõem o índice, o da banca foi o que mais tombou (-2,53%), enquanto o da tecnologia liderou as subidas (2,18%), com os investidores a preferirem as ações de setores de crescimento, como é o caso das tecnológicas.
Entre as principais movimentações, a Jerónimo Martins recuou 4,25%, um dia após ter apresentado contas. As receitas da dona do Pingo Doce no quarto trimestre ficaram abaixo da expectativa dos analistas. No conjunto do ano, a Jerónimo Martins fechou com lucros líquidos de 590 milhões de euros, o que representa um aumento de 27,5% face ao ano anterior.
Nas principais praças europeias, o alemão Dax recuou 0,04%, o espanhol Ibex desceu 0,44%, o italiano FTSE Mib desvalorizou 0,16% e o britânico FTSE 100 perdeu 0,89%. Já o francês CAC-40 somou 0,11% e o Aex, em Amesterdão, valorizou 0,24%.
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