Caçadores de pechinchas dão ganhos à Europa. Petróleo prossegue em queda
Acompanhe aqui minuto a minuto o desempenho dos mercados.
- Ásia fecha no vermelho com receio de novos confinamentos. Europa aponta para o verde
- Analistas desvalorizam impacto do receio da recessão no petróleo
- Ouro recupera muito ligeiramente. Euro enfrenta prova de fogo
- Portugal com agravamento menos expressivo dos juros na Zona Euro
- "Caçadores de pechinchas" recuperam Europa. Just Eat dispara 17%
- Wall Street abre no verde à espera das atas da Fed
- Receios de recessão continuam a pressionar petróleo
- Ouro renova de mínimos de nove meses
- "Caçadores de pechinchas" colocam Europa no verde
Os futuros sobre os principais índices europeus apontam para um arranque de sessão em terreno positivo, à medida que o mercado tenta corrigir as perdas da última sessão.
Já a Ásia fechou no vermelho, numa altura que os investidores temem o agravamento da política "zero covid-19" e aumentam os receios em relação à possibilidade do advento de uma recessão.
Os futuros sobre o Euro Stoxx 50 sobem 1,8%, a corrigir as perdas de terça-feira, quando o Stoxx 600 terminou o dia a cair 2,1%.
Na sessão europeia, os investidores vão estar atentos à divulgação dos números da venda a retalho na Zona Euro em maio.
Na Ásia, pela China o tecnológico Hang Seng recuou 1,4% e Xangai cedeu 1,3%. Na Coreia do Sul o Kospi derrapou 1%, enquanto pelo Japão o Topix caiu 1% e o Nikkei desvalorizou 1,08%.
Xangai ordenou a realização de testes em massa da covid-19 em nove regiões depois de detetar novos casos nos últimos dois dias, alimentando a preocupação de que o centro financeiro chinês possa mais uma vez voltar a entrar num apertado confinamento.
Depois de o petróleo negociado em Nova Iorque ter caído ligeiramente abaixo da fasquia dos 100 dólares, segue agora a recuperar a par do Brent do Mar do Norte, após o Goldman Sachs e outros bancos de investimento de peso terem defendido que o tombo do petróleo face aos receios de recessão foi exagerado e que as perspetivas de consumo da China – o maior importador de petróleo do mundo – melhoraram significativamente.
O West Texas Intermediate – referência para os EUA – valoriza 0,51% para 100,01 dólares por barril, depois de às 7h10 de Lisboa ter caído para os 99,75 dólares. Já o Brent do Mar do Norte – negociado em Londres – cresce 1,01% para 103,81 dólares por barril.
O petróleo arrancou o terceiro trimestre de forma (ainda mais) voltátil, pressionado pelos receios de uma recessão e na última semana pelo "rally" do dólar que tornou a matéria-prima negociada na nota verde mais cara.
Ainda assim, "embora a possibilidade de uma recessão esteja a aumentar é prematuro que o mercado do petróleo caia devido a tais preocupações", defendem os analistas do Goldman Sachs, numa nota de "research" citada pela Bloomberg. "A economia ainda está a crescer com o aumento da procura de petróleo pronto para superar significativamente o crescimento do PIB", acrescentam os especialistas.
Por sua vez na China, que emerge agora do confinamento contra a covid-19, o consumo de gasolina e diesel ficou no mês passado a 90% dos níveis de junho de 2019, de acordo com fontes conhecedoras do assunto do setor da energia, contactadas pela Bloomberg.
O ouro continua perto de mínimos de seis meses, pressionado pelo "rally" do dólar que está neste momento a funcionar como refúgio, numa altura em que os investidores temem uma recessão e assistem ao endurecimento da política monetária da Reserva Federal norte-americana (Fed).
O metal amarelo sobe 0,21% para 1.768,51 dólares por onça, mantendo-se no entanto muito perto de mínimos de 15 de dezembro do ano passado (1.764,07 dólares). Por sua vez o índice do dólar da Bloomberg – que compara a força da nota verde contra 10 divisas rivais – está em máximos de março de 2020, a negociar na linha d’ água (0,03%) para 106,48.
"O ouro parece estar em segundo lugar face ao dólar", comentou Gavin Wendt à Bloomberg. O analista sénior da MineLife explica que "o ouro teve um bom desempenho este ano, mas recentemente os ganhos do dólar tiverem um impacto negativo no ouro que é cotado em dólares".
Esta quarta-feira, os investidores vão estar atentos à divulgação das minutas relativas à última reunião da Fed, numa altura em que o mercado procura pistas sobre a possibilidade de o banco central subir a taxa de juro diretora entre 50 e 75 pontos base na próxima reunião agendada para os próximos dias 26 e 27 de julho.
Na Zona Euro, a moeda única está na linha d´água contra o dólar (0,07%) em 1,026 dólares continuando no entanto em mínimos de 20 anos contra a nota verde. Esta semana, o par euro dólar enfrenta uma prova de fogo à medida que os analistas acreditam que é apenas uma questão de tempo até que o euro entre em paridade com o dólar, havendo até quem admita que uma moeda única possa valer menos que um dólar.
"É apenas uma questão de tempo até que o euro entre na paridade com o dólar", defendeu Neil Jones, responsável pelo departamento de câmbio da Mizuho,citado pela Bloomberg. Mário Martins, analista da ActivTrades vai mais longe e, em declarações ao Negócios, admite mesmo que "é absolutamente possível o euro ficar a valer menos do que o dólar. Não é um caso absoluto porque ainda não aconteceu, mas é quase inevitável neste momento. Muito possivelmente esta semana."
Os juros das dívidas soberanas na Zona Euro estão a agravar, num dia marcado pelo aumento de apetite pelo mercado de risco.
A yield das Bunds alemãs a dez anos – "benchmark" para os países da moeda única – agrava 3,3 pontos base para 1,244%. Desde o passado dia 5 de maio que os juros da dívida germânica estão acima de 1%.
Por sua vez a yield das obrigações italianas a dez anos somam 1,3 pontos base para 3,147%, enquanto os juros da dívida francesa com a mesma maturidade agravam 2,9 pontos base para 1,809%.
Na Península Ibérica, os juros da dívida nacional a dez anos sobem 1,1 pontos base – o agravamento menos expressivo da Zona Euro – para 2,283%. Desde o passado dia 29 de abril que os juros das obrigações portuguesas com esta maturidade estão a ser negociadas acima dos 2%.
Esta quarta-feira, o IGCP – Agência de Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública vai realizar a primeira troca de dívida deste ano. A operação vai permitir adiar o reembolso de obrigações em mais cinco e onze anos.
Por fim, a yield da dívida espanhola a dez anos soma 1,9 pontos base para 2,295%.
A Europa arrancou a sessão no verde, estando a recuperar depois de na última sessão ter renovado mínimos de janeiro do ano passado. Mais uma vez, os "caçadores de pechinchas" voltaram a dominar a sessão, ou seja investidores à procura de ações com avaliações mais baratas, antes do arranque da época de resultados.
O "benchmark" europeu por excelência, Stoxx 600, soma 1,34% para 406,3 pontos, depois de ter encerrado a última sessão a perder 2,1%. Viagens e lazer, media e retalho lideram os ganhos. O destaque vai ainda para as tecnológicas que acompanharam a tendência vivida no fim da sessão em Wall Street e que ganham 2,08%.
Nas restantes praças europeias, Londres soma 1,35% apesar da instabilidade política que se vive no Reino Unido, devido à demissão dos ministros da Saúde e das Finanças do Governo de Boris Johnson, já depois da sessão de ontem. Por sua vez, Madrid acumula 0,79%, Frankfurt valoriza 1,53% e Paris arrecada 1,94%. Amesterdão ganha 2,20% e Milão valoriza 1,14%. Por cá Lisboa acompanha a tendência europeia e soma 0,60%.
Entre os principais movimentos de mercado, a Just East sobe 17,41% como não era visto desde dezembro de 2018, depois de a empresa de entregas ter dado conta que a Amazon concordou em participar no negócio da subsidiária norte-americana Grubhub.
As ações europeias foram pressionadas este ano pela guerra na Ucrâna e a inflação e mais recentemente o medo sobre uma recessão económica. Os investidores estão agora de olhos postos no início da "earnings season" europeia, tentando perceber se os resultados do segundo trimestre podem ter resistido à subida dos custos e ao enfraquecimento do sentimento do consumidor.
Wall Street arranca a sessão no verde, num dia marcado pelo alívio das yields no mercado da dívida soberana, enquanto os investidores aguardam a divulgação das atas relativas à última reunião da Reserva Federal norte-americana (Fed).
O industrial Dow Jones sobe 0,15% para 31.010,96 pontos, enquanto o S&P 500 ganha 0,13% para 3.834,63 pontos. Já o tecnológico Nasdaq Composite negoceia na linha d’ água (0,03%) para 11.322,86 pontos.
Entre os principais movimentos de mercado, as ações da Microsoft valorizam 0,88% apesar da notícia de que o regulador britânico para a concorrência está a estudar a aquisição da Activision por 69 mil milhões de dólares. Por sua vez, os títulos da Amazon valorizam 0,26% depois de ter sido revelada a sua entrada no capital da Grubhub.
Esta quarta-feira, os investidores vão estar atentos à divulgação das atas relativas à última reunião da Fed, numa altura em que o mercado procura pistas sobre a possibilidade de o banco central subir a taxa de juro diretora entre 50 e 75 pontos base na próxima reunião agendada para os próximos dias 26 e 27 de julho.
O mercado está à procura de sinais numa altura que as ações parecem começar a incorporar a possibilidade uma recessão, à medida que se propagam novos casos de covid-19 na China, levando a suspeitas de novos confinamentos e a receios de que a crise de gás se agrave na Europa.
Atualmente há uma probabilidade de 38% de uma recessão dos EUA no próximo ano, de acordo com as últimas previsões da Bloomberg Economics.
Os preços do "ouro negro" estiveram a recuperar, durante a manhã, das fortes quedas de terça-feira, animados pelo facto de o Goldman Sachs e outros bancos de investimento de peso terem defendido que o tombo do petróleo face aos receios de recessão foi exagerado e que as perspetivas de consumo da China – o maior importador mundial de crude – melhoraram significativamente.
No entanto, foi sol de pouca dura e esses mesmos receios estão de novo a falar mais alto, com as cotações de novo no vermelho.
Em Londres, o Brent do Mar do Norte, que é a referência para as importações europeias, segue a ceder 2,65% para 106,52 dólares por barril, depois de ontem ter afundado 10,93%.
Já o West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, recua 3,02% para 96,50 dólares por barril.
Na sessão de ontem, o WTI chegou a mergulhar 10,14% e quebrou a barreira dos 100 dólares por barril – o que não acontecia desde maio.
O ouro caiu durante a sessão desta quarta-feira para mínimos de nove meses. Um cenário que se justifica, em parte, com o refúgio dos investidores no dólar, numa altura em que aumentam os medos de uma recessão. Com o dólar a subir, em máximos de março de 2020, o metal amarelo perde atratividade para os investidores.
O metal amarelo desce 0,65% para 1.753,27 dólares por onça, abaixo de mínimos de outubro de 2021, quando atingiu os 1.751,58 dólares. A desvalorizar segue também a platina, que perde 1,03% para 859,81 dólares por onça. O paládio, por sua vez, sobe 0,22% para 1.941,24 dólares por onça.
Os investidores estão esta quarta-feira atentos à divulgação das atas relativas à última reunião da Fed.
A Europa fechou no verde, recuperando dos novos mínimos da última sessão, numa altura em que os investidores são encorajados a aproveitar as quedas recentes para comprar – o chamado ‘buy the dip’.
O Stoxx 600, índice de referência europeu, encerrou a valorizar 1,66% para 407,34 pontos, com quase todos os setores, exceto o da banca e o do petróleo, no verde. A liderar os ganhos está o setor da tecnologia e do retalho.
Nas restantes praças europeias, o britânico FTSE100 somou 1,17%, o francês CAC-40 acumulou 2,03%, o alemão DAX valorizou 1,56%, o italiano FTSEMIB subiu 1,04% e, por cá, o PSI soma 0,08%. Em contraciclo fechou o espanhol IBEX com uma perda de 0,14%.
As bolsas europeias seguem a afundar no acumulado do ano, numa altura em que investidores temem uma possível recessão. Com os analistas otmistas quanto aos lucros trimestrais das empresas, o foco está agora na "earnings season" do segundo trimestre.
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