Mercados num minuto Fecho dos mercados: Motor da Zona Euro gripado e China a arrefecer pesam nas bolsas, euro e petróleo

Fecho dos mercados: Motor da Zona Euro gripado e China a arrefecer pesam nas bolsas, euro e petróleo

As bolsas europeias fecharam no vermelho num dia marcado pelos sinais preocupantes dados pelas economias da Alemanha e da China, atestando as consequências negativas da disputa comercial promovida pelos EUA para o conjunto da economia mundial. Euro e petróleo também reagem em queda, enquanto o ouro recupera ao ver valor de refúgio reforçado. Juros continuam a aliviar.
Fecho dos mercados: Motor da Zona Euro gripado e China a arrefecer pesam nas bolsas, euro e petróleo
Reuters
David Santiago 14 de agosto de 2019 às 17:13

Os mercados em números

PSI-20 caiu 1,55% para 4.750,68 pontos

Stoxx 600 recuou 1,68% para 366,16 pontos

S&P 500 desce 2,35% para os 2.857,43 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos aliviam 5,9 pontos base para 0,166%

Euro perde 0,24% para 1,1144 dólares

Petróleo em Londres deprecia 3,31% para 59,27 dólares por barril

 

Economia alemã espirrou e as bolsas constiparam-se  

As principais bolsas europeias negociaram no vermelho na sessão desta quarta-feira, 14 de agosto. O índice de referência europeu Stoxx600 perdeu 1,68% para 366,16 pontos, num dia em que recuou para mínimos de 15 de fevereiro e em que os setores da banca, automóvel e matérias-primas foram os que mais penalizaram.

 

Já o lisboeta PSI-20 desvalorizou 1,55% para 4.750,68 pontos, numa sessão em que renovou mínimos de 3 de janeiro, com o BCP a pressionar com uma queda superior a 4%. Nota ainda para a bolsa de Milão que transacionou em mínimos de dois meses e meio numa altura em que prossegue a crise política aberta pelo vice-primeiro-ministro Matteo Salvini.

 

A condicionar o sentimento dos investidores esteve a contração da economia alemã no segundo trimestre face aos primeiros três meses do ano, o que vem alimentar os já crescentes receios de que a economia global entre em recessão.

 

A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China mantém-se como elemento desestabilizador da economia mundial e foi determinante para o recuo do PIB germânico entre abril e junho, período em que a produção industrial foi prejudicada pela quebra das exportações.

 

Juros da Alemanha registam novo mínimo histórico

Os juros das dívidas públicas na área do euro voltaram a baixar, sendo que a "yield" correspondente aos títulos da Alemanha (bunds) recua 4,2 pontos base para -0,655%, depois de ter tocado nos -0,654%, um novo mínimo de sempre.

 

Também a taxa de juro associada às obrigações portuguesas a 10 anos cai 5,9 pontos base para 0,166% (mínimo de uma semana), a terceira queda consecutiva que permite à "yield" lusa voltar a negociar abaixo do patamar dos 0,2%.

 

No mesmo prazo, os títulos soberanos transalpinos afundam 10,7 pontos base para 1,506%, o que representa a "yield" mais baixa desde 8 de agosto. Esta descida acontece depois de, esta terça-feira, uma maioria alternativa (5 Estrelas, PD e Livres e Iguais) ter derrotado a estratégia de Salvini para derrubar o primeiro-ministro Giuseppe Conte, o que dá força a um eventual cenário de governo maioritário entre o 5 Estrelas e o centro-esquerda capaz de assegurar a governação até ao final da legislatura.

 

Euro perde terreno com travagem do motor da moeda única
O euro segue a depreciar 0,24% para 1,1144 dólares, a segunda queda face à divisa norte-americana, contra a qual transaciona nos mercados cambiais em mínimos de 5 de agosto. Por sua vez, a divisa dos EUA sobe há dois dias no índice da Bloomberg para máximos de 5 de agosto.

A deterioração da economia alemã, mas também do conjunto da Zona Euro onde apenas o PIB de cinco em 19 países não travou, leva à perda de força do euro o que, em sentido inverso, reforça a confiança no dólar.

 

Aumento das reservas deixa petróleo a desvalorizar mais de 3%

O preço do petróleo negoceia em forte queda nos mercados internacionais, pelo que o crude perde valor pela primeira vez em cinco dias. O Brent, transacionado em Londres e utilizado como valor de referência para as importações nacionais, perde 3,31% para 59,27 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) cai 3,61% para 59,27 dólares.

 

A queda do petróleo surge depois da maior subida dos preços em cinco semanas depois de o Instituto Americano do Petróleo ter divulgado um relatório em que estima que as reservas petrolíferas norte-americanas tenham aumentado em 3,7 milhões de barris na semana passada. Os números oficiais serão conhecidos ainda esta quarta-feira.  

 

Os dados económicos conhecidos na China - cuja produção industrial cresceu, em julho, ao ritmo mais lento desde fevereiro de 2002 – aliados à contração da economia alemã vieram reforçar a preocupação quanto à possibilidade de um maior recuo da economia mundial, ou mesmo de uma recessão, o que teria como efeito a diminuição dos níveis de procura pela matéria-prima.

 

Ouro "recupera" valor de refúgio

O metal precioso até começou o dia a desvalorizar depois de os EUA e a China terem acordado reabrir negociações e de Washington ter adiado a aplicação da tarifa agravada de 10% sobre um conjunto de bens chineses, porém os indicadores económicos revelados adensaram a apreensão quanto à evolução dos mercados perante um maior arrefecimento económico do que era esperado.

 

Isso levou ao reforço do valor do ouro enquanto ativo de refúgio, apoiando o metal dourado para uma valorização de 0,79% para 1.513,34 dólares por onça.




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