Mercados num minuto Fecho dos mercados: Petróleo sobe mais de 5% e ouro em máximos de seis anos. Dólar em mínimos de março

Fecho dos mercados: Petróleo sobe mais de 5% e ouro em máximos de seis anos. Dólar em mínimos de março

As palavras de Jerome Powell, presidente da Fed, tiveram repercussões na generalidade dos mercados: o dólar caiu para mínimos de março enquanto o ouro subiu para máximos de seis anos.
Fecho dos mercados: Petróleo sobe mais de 5% e ouro em máximos de seis anos. Dólar em mínimos de março
Bloomberg

Os mercados em números
PSI-20 cedeu 0,04% para 5.096,95 pontos
Stoxx 600 subiu 0,36% para os 386,16 pontos
S&P 500 sobe 0,59% para 2.943,79 pontos
"Yield" a 10 anos de Portugal alivia 1,3 pontos base para os 0,529%.
Euro avança 0,6% para 1,1293 dólares
Petróleo valoriza 4,12% para 64,38 dólares por barril em Londres

Bolsas da Europa aos EUA celebram Powell
Ainda que de forma tímida, as bolsas europeias valorizaram esta quarta-feira, 20 de junho, colhendo o impacto positivo da reunião de ontem da Fed onde se abriu a possibilidade de baixar os juros caso se confirmem os riscos que se antecipam para a economia. O Stoxx 600, o índice que agrega as 600 cotadas europeias, subiu 0,36% para os 386,16 pontos.

Uma das poucas praças europeias que contrariou a tendência positiva foi a lisboeta: o PSI-20 desvalorizou 0,04% para 5.096,95 pontos, com a queda ligeira do BCP a "compensar" a subida da Galp, cujas ações beneficiaram da subida do petróleo nos mercados internacionais. 

No arranque da sessão em Wall Street, o S&P 500 atingiu novos máximos históricos, sendo que neste momento sobe 0,59% para os 2.943,79 pontos. 

A contribuir para este desempenho estão as novidades sobre a política monetária nos EUA. A Reserva Federal (Fed) dos EUA manteve as taxas de juro na reunião de junho, mas admitiu descer "o preço do dinheiro". Jerome Powell assumiu que os dados apontam, pela primeira vez, para um cenário de descida de juros, o que elevou a expectativa dos investidores.

No início desta semana, também o Banco Central Europeu sinalizou que está preparado para agir, caso seja necessário, através de uma redução dos juros ou do relançamento do programa de compra de dívida pública.

Juros nos EUA abaixo dos 2% pela primeira vez desde 2016
Os juros das obrigações norte-americanas a dez anos baixaram do patamar dos 2% pela primeira vez desde 2016 num momento em que os mercados descontam uma descida de, pelo menos, 50 pontos base nos juros diretores até ao final do ano. Em causa estão os sinais dados ontem pela Fed. 

Também na Europa os juros da dívida pública voltaram a aliviar. Na terça-feira, Mario Draghi abriu a possibilidade de haver mais "estímulos adicionais" e o efeito foi imediato: os juros das obrigações afundaram e em alguns países europeus atingiram mínimos históricos. Após uma ligeira correção na quarta-feira, hoje os juros voltam a descer. 

De manhã, os juros portugueses chegaram a cair quase 3 pontos base, atingindo um novo mínimo histórico. Mas agora de tarde a queda é mais tímida: 1,3 pontos base para os 0,529%. Também na Alemanha e nos restantes países os juros estão a aliviar ligeiramente. 

Dólar em mínimos de março
A divisa norte-americana está a desvalorizar fortemente na sessão de hoje para mínimos de março também por causa dos sinais dados pela Fed. Na prática, o que acontece quando os juros baixam (ou quando existe essa expectativa) é que o "preço" do dinheiro diminui. O mesmo é dizer que o custo de financiamento em dólares tende a ficar mais barato.

O índice da Bloomberg para o dólar, que compara a divisa norte-americana a um cabaz de moedas internacionais (incluindo o euro), desce 0,6%, acumulando uma descida de 1% entre ontem e hoje. Esta é a maior queda desde fevereiro de 2018. 

Em contrapartida, o euro está a valorizar 0,6% para 1,1293 dólares.

Petróleo sobe mais de 5% após Trump dizer que Irão cometeu "um erro muito grande"
O barril está a valorizar mais de 5% depois de o presidente dos EUA ter reagido ao abate de um drone americano por parte do Irão, considerando que foi "um erro muito grande". Esta é a única publicação do presidente norte-americano alusiva a esta questão no Twitter, mas foi suficiente para acentuar a subida dos preços do petróleo nos mercados internacionais.

Neste momento, os dois países discordam sobre se o drone violou ou não o espaço áreo iraniano. Questionado pelos jornalistas sobre se haverá retaliação ao Irão, Donald Trump disse apenas que "em breve saberão", de acordo com a CNBC. 

Este episódio marca o escalar das tensões políticas sentidas no Golfo Pérsico, uma região que fornece um terço do petróleo utilizado a nível mundial. Este é mais um capítulo no aumento da tensão, depois de os EUA terem decidido enviar cerca de mil militares suplementares para o Médio Oriente em contexto de tensões acrescidas com o Irão.

Além disso, a possibilidade de haver uma política monetária mais acomodatícia que acelere a economia, aumentando assim a procura por petróleo, também animou a cotação do "ouro negro".


O barril do Brent, negociado em Londres e referência para Portugal, está a subir 4,12% para 64,38 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI) avança 5,51% para 56,72 dólares.

Ouro "brilha" com máximos de seis anos
A Fed domina as reações dos mercados hoje e a do ouro não é exceção. A queda do dólar - provocada pelo cenário de que os juros diretores podem baixar - está a dar gás ao "metal precioso". A postura assumida pela Fed torna os investimentos em dólares menos atrativos, uma vez que o retorno dos mesmos diminui, o que aumenta o apetite pelo ouro. 


Outro sinal de que a procura por ouro está a aumentar é o facto dos bancos centrais estarem há vários meses a reforçar as suas reservas do "metal precioso", diversificando os seus "ativos de refúgio" para lá do dólar norte-americano. Segundo a Bloomberg, o Banco da China aumentou as suas reservas em maio pelo sexto mês consecutivo.

O ouro sobe 2,18% para os 1.390,03 dólares por onça, atingindo um máximo de seis anos. Os analistas antecipam que a cotação continue a seguir em alta e ultrapasse os 1.400 dólares, o que seria um marco importante face à evolução dos últimos anos. 




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