Ouro inalterado e dólar estável com investidores à espera do fim do prazo de Trump
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta terça-feira.
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Dólar estável à espera da resposta do Irão às ameaças dos EUA
O dólar está a negociar praticamente inalterado face aos seus principais rivais esta terça-feira, numa altura em que os investidores esperam para saber como é que o Irão vai reagir à ameaça do Presidente norte-americano de destruir o "país numa noite", caso o regime de Mojtaba Khamenei não reabrir o estreito de Ormuz. Em causa estão ataques às infraestruturas energéticas e às pontes iranianas, que podem vir a minar quaisquer negociações para pôr fim ao conflito.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da "nota verde" face às suas principais concorrentes - negoceia na linha d'água, com ganhos de apenas 0,03%, após ter registado uma ligeira queda na sessão de segunda-feira. A moeda norte-americana acabou pressionada por uma aparente aproximação de posições entre Teerão e Washington, com a República Islâmica a responder à proposta de cessar-fogo de 45 dias com um plano de dez pontos para pôr fim ao conflito - de forma definitiva.
Donald Trump disse que a proposta não era "suficiente", mas representa "um passo na direção certa". Mesmo assim, o Presidente norte-americano reiterou a mensagem de que os EUA “não podiam deixar o Irão ter uma arma nuclear” e que o Irão "inteiro pode ser destruído apenas numa noite e isso pode acontecer amanhã à noite”, aludindo ao prazo dado para a destruição infraestruturas do Irão, caso o estreito de Ormuz, por onde passa boa parte da oferta de crude mundial, não seja reaberto à navegação, marcado para as 01:00 de quarta-feira (hora de Lisboa).
"Continuamos à espera que o dólar suba devido à aversão ao risco [dos investidores] e aos preços mais elevados da energia", escreveu Steve Englander, diretor de investigação cambial no Standard Chartered, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. A "nota verde" tem-se afirmado como o ativo de refúgio predileto dos investidores face à escalada do conflito no Médio Oriente, numa altura em que os investidores antecipam o fim do ciclo de alívio da política monetária por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana.
Neste contexto, o euro negoceia na linha d'água com perdas de 0,02% para 1,1540 dólares, enquanto a libra cede 0,03% para 1,3231 dólares. Já a "nota verde" acelera 0,12% para 159,87 ienes, voltando a aproximar-se da marca dos 160 ienes, considerada pelos mercados como o nível de intervenção das autoridades japonesa.
Ouro inalterado com investidores à espera do fim do prazo de Trump
O ouro está a negociar praticamente inalterado esta terça-feira, num dia em que os investidores aguardam o fim do prazo estabelecido pelo Presidente dos EUA para o Irão reabrir o estreito de Ormuz. Donald Trump reiterou as ameaças ao país do Médio Oriente, prometendo destruir a nação e toda a sua infraestrutura energética "numa só noite" caso o regime de Mojtaba Khamenei não retome a livre circulação de embarcações nesta artéria crítica do comércio global.
A esta hora, o metal amarelo recua 0,09% para 4.646,87 dólares por onça, após ter perdido mais de 2% do seu valor nas duas últimas sessões. Ao contrário do esperado, a matéria-prima tem vindo a ser pressionada pelas perspetivas de um conflito mais duradouro, numa altura em que a escalada dos preços do petróleo mergulha o mundo numa nova crise energética que pode levar bancos centrais por todo o mundo a apertar a política monetária - o que tende a ser negativo para o ouro.
"A falta de resolução [no conflito do Médio Oriente] tem mantido os mercados em alerta", explica Manav Modi, analista de matérias-primas da Motilal Oswal Financial Services, à Bloomberg. "O ouro continua sob pressão devido aos efeitos combinados do aumento das expectativas de inflação, das perspetivas de uma política monetária mais restritiva e da valorização do dólar, apesar da incerteza geopolítica que persiste", completa.
Desde o estalar do conflito, o metal amarelo já perdeu 12% do seu valor, perdendo o estatuto de ativo de refúgio predileto dos investidores em tempos de crescentes tensões geopolíticas para o dólar. O ouro está a seguir um movimento inverso ao petróleo, que registou ganhos nas duas últimas sessões, à medida que os preços dos combustíveis pesam sobre a inflação. No entanto, os analistas antecipam que o impacto económico desta crise energética acabe por ser positivo para o metal precioso.
Petróleo volta a ultrapassar os 110 dólares após Trump ameaçar obliterar Irão
O petróleo está a responder com ganhos às ameaças de Donald Trump, Presidente dos EUA, de obliterar o Irão "numa noite". O crude de referência para a Europa, conhecido por Brent, está de novo a negociar acima dos 110 dólares por barril, mas é o petróleo de referência para os norte-americanos - o West Texas Intermediate (WTI) - que regista a maior subida de preço esta terça-feira, atingindo um dos valores mais elevado desde o início da guerra no Médio Oriente.
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Prazo dado por Trump ao Irão aproxima-se e deixa Europa e Ásia sem rumo
Os principais índices asiáticos encerraram a sessão desta terça-feira divididos entre ganhos e perdas, enquanto a Europa aponta para uma abertura sem grandes alterações, num dia em que o prazo dado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irão aproxima-se do fim e as tentativas de alcançar um cessar-fogo estão a ser ensombradas por uma escalada no conflito do Médio Oriente.
Apesar de os norte-americanos e o regime de Mojtaba Khamenei estarem a trabalhar num acordo para terminar uma guerra que entra agora na sexta semana, Teerão tem mostrado resistência à pressão de Trump para reabrir o estreito de Ormuz durante um cessar-fogo temporário. Uma das exigências da República Islâmica passa por pôr fim ao conflito de forma definitiva, mas, sem a retoma da circulação por esta artéria do comércio global em menos de 24 horas, o Presidente dos EUA promete destruir toda a infraestrutura energética iraniana.
De acordo com a agência de notícias estatal iraniana, o Irão apresentou uma contraproposta de dez pontos à Casa Branca, que inclui, além do fim definitivo do conflito, um protocolo de circulação segura pelo estreito de Ormuz, o fim das sanções ao país e ainda apoios à reconstrução das infraestruturas danificadas na guerra. Trump disse que a proposta "não é suficiente, mas representa um passo na direção certa".
"Os investidores vão continuar altamente sensíveis aos novos desenvolvimentos no Médio Oriente, que continuam a ser o principal fator determinante do sentimento de mercado", afirmou Nick Twidale, analista-chefe de mercado da AT Global Markets, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "Todos os olhos estarão postos nas notícias à medida que o dia avança, mas a tendência parece apontar para uma queda neste momento", revela.
Neste contexto, e após uma recuperação na segunda-feira, os principais índices asiáticos negociaram sem um rumo definido. Enquanto o chinês Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,70%, o japonês Nikkei 225 conseguiu reverter as perdas registadas a meio da sessão e acelerar 0,15%. Por sua vez, o sul-coreano Kospi seguiu a mesma tendência de recuperação e terminou o dia com ganhos de 0,74%. Já o australiano S&P/ASX 200 liderou os ganhos regionais e saltou 1,74%.