Stoxx 600 pausa recordes e termina no vermelho. Conflito na Venezuela começa a pressionar
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quarta-feira.
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Stoxx 600 pausa recordes e termina no vermelho. Conflito na Venezuela começa a pressionar
As bolsas europeias terminaram, na sua maioria, a sessão no vermelho, numa altura em que os investidores começam a olhar com receio sobre o impacto do conflito geopolítico que opõe EUA e Venezuela.
Embora os mercados tenham quase ignorado o recente aumento das tensões, os investidores adotaram uma posição mais cautelosa depois de o presidente dos EUA, Donald Trum, ter dito que a Casa Branca fechou um acordo para importar petróleo bruto venezuelano no valor de 2,8 mil milhões de dólares - acordo este que deve impulsionar a oferta, num mercado que receava já um excesso para este ano.
Após estas declarações, o setor petrolífero firmou-se como o mais afetado, ao cair 2,06%. A Shell cedeu 3,15%, a BP 3,42% e a portuguesa Galp tombou 1,62%.
"Estamos a assistir, não diria necessariamente cautela, mas uma espécie de pausa nas valorizações, enquanto os investidores continuam a avaliar os desenvolvimentos geopolíticos", disse Fiona Cincotta, analista da City Index, à Reuters, que acrescenta: "Existe um sentimento de cautela em relação ao que Trump poderá fazer a seguir".
Os investidores também analisaram uma enchente de dados económicos divulgados hoje sobre o bloco. A inflação na Zona Euro arrefeceu para 2% no mês passado, encerrando um ano surpreendentemente tranquilo para os preços na região, mesmo com os "traders" a debaterem-se com os efeitos das tarifas americanas, das medidas de estímulo econômico alemãs e das renovadas tensões geopolíticas.
Neste contexto, o Stoxx 600, que atingiu recordes nas últimas sessões, recuou hoje 0,05% para 604,99 pontos, pressionado ainda pelo setor dos "house goods", da banca e das seguradoras. Os setores do imobiliário e da construção conseguiram impedir o "benchmark", que reúne as 600 maiores empresas do bloco, de maiores quedas, com subidas de 3% e 1,7%, respetivamente, à boleia da queda da inflação, que tende a impulsionar os setores mais sensíveis às taxas de juros.
Quanto aos resultados por praça, o espanhol IBEX 35 perdeu 0,29%, o francês CAC-40 cedeu 0,04%, o britânico FTSE 100 tombou 0,74%, o neerlandês AEX cedeu 1,26% e o italiano FTSEMIB desvalorizou 0,43%. Em contraciclo, o alemão Dax subiu 0,92%, já que a taxa de desemprego no país (a maior economia da Zona Euro), subiu menos do que o esperado em dezembro.
Noutros movimentos do mercado, as ações da Nestlé perderam 2,14% depois de as casas de investimento Jefferies e Bernstein terem reduzido o preço-alvo para a empresa, que anunciou esta terça-feira a recolha de alguns lotes dos produtos de nutrição infantil devido à possível contaminação por uma toxina.
Já a Thales disparou mais de 8%, com as ações da empresa a atingirem o nível mais alto em mais de dois meses, depois de a Covivio e a Blue Owl Capital concordarem em adquirir as instalações da empresa francesa de defesa por cerca de 500 milhões de euros.
Juros da dívida soberana aliviam na Zona Euro
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro registaram alívios significativos, num dia de grandes procura por obrigações, tidas como um ativo seguro, num contexto de grande instabilidade geopolítica. Esta quarta-feira, foram ainda publicados os números da inflação no bloco, que desceu para 2% em dezembro, cenário já antecipado pelos analistas.
Na Alemanha, a sessão foi impulsionada pelos números de vendas no retalho de novembro, que foram mais fracos do que o esperado.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, a referência para a Zona Euro, recuaram 3 pontos base para 2,811%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade cederam 3,1 pontos para 3,520% e a das obrigações italianas caíram 1,9 pontos para 3,513%.
Pela Península Ibérica, os juros da dívida soberana portuguesa também a dez anos deslizaram 2,9 pontos base para 3,104%, enquanto a "yield" das obrigações espanholas perdeu 1,9 pontos para 3,250%.
Fora da Zona Euro, a tendência manteve-se no Reino Unido, com os juros das "Gilts" a cederem 6,5 pontos base para 4,479%, a maior queda desde novembro.
Já nos EUA, assiste-se à mesma movimentação, com a "yield" das "Treasuries" a desacelerarem 3,5 pontos para 4,138%.
Ouro recua mais de 1% com tomada de mais-valias
O preço do ouro está a recuar mais de 1% esta quarta-feira, com os investidores a aproveitarem o mais recente "rally" no mercado dos metais preciosos para procederem com uma tomada de mais-valias. No entanto, as perdas acabaram por ser amenizadas por novos dados do mercado laboral norte-americano, que reforçaram as expecativas de cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) dos EUA.
A esta hora, o metal amarelo recua 1,13% para 4.445,07 dólares por onça, depois de ter chegado a cair mais de 1,5% durante a sessão. "Estamos a ver o recuo de hoje como uma realização geral de lucros após o mais recente aumento nos preços", explica David Meger, diretor de negociação de metais da High Ridge Futures, à Reuters.
Apesar de os investidores continuarem a antecipar apenas dois cortes nas taxas de juro este ano por parte da Fed, as expectativas acabaram por sair reforçadas, após a ADP - uma empresa de processamento de salários - ter divulgado que o setor privado dos Estados Unidos criou apenas 41 mil postos de trabalho no último mês de 2025 - um número que fica ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas.
O recuo desta quarta-feira acontece apesar de as tensões geopolíticas a nível mundial continuarem bastante palpáveis. Além dos acontecimentos na Venezuela, a administração Trump continua empenhada em conseguir o controlo territorial da Gronelândia - que pode passar mesmo por uma intervenção militar no país. Os líderes europeus já se uniram para condenar o ataque e a primeira-ministra dinamarquesa alertou que um ataque ao seu território seria o "fim da NATO".
Entre outros metais preciosos, a prata também está a "sofrer" com a tomada de mais-valias por parte dos investidores, tendo chegado a perder quase 5% do seu valor esta quarta-feira para 77,55 dólares. Já a platina e o paládio chegaram a ceder mais de 6%, após terem tocado em máximos históricos recentemente.
Petróleo desliza com EUA a prepararem-se para receber até 50 milhões de barris venezuelanos
O barril de petróleo está a negociar em território negativo esta quarta-feira, num dia em que os investidores estão a digerir as mais recentes declarações do Presidente dos EUA, Donald Trump, que diz ter chegado a um acordo para importar crude venezuelano na ordem dos 2,8 mil milhões de dólares. Caso se confirme, o mercado petrolífero pode enfrentar um excedente maior do que já se antecipa.
A esta hora, o West Texas Intermediate - de referência para os EUA – recua 1,09%, para os 56,51 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – segue a desvalorizar 0,54% para os 60,38 dólares por barril. Durante a sessão desta quarta-feira, o "benchmark" europeu chegou a cair abaixo do nível dos 60 dólares, atingindo os 59,88 dólares.
“Tenho o prazer de anunciar que as Autoridades Interinas na Venezuela irão entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade, sujeito a sanções, aos Estados Unidos da América”, escreveu Trump numa publicação nas redes sociais. “Este petróleo será vendido a preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como Presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que é usado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos”, acrescentou.
Em causa, de acordo com a Reuters, estão cargas que estavam destinadas para a China. A Venezuela tem milhões de barris em inventário que não tem conseguido esvaziar, devido às sanções impostas pelos EUA em meados de dezembro, que têm impedido a exportação de crude para vários países. Este bloqueio foi uma das formas que Trump encontrou para pressionar o regime de Nicolás Maduro, mas a resitência do Presidente venezuelano acabou por culminar na sua captura por parte das forças norte-americanas no fim de semana.
No entanto, os analistas antecipam que este volume adicional de petróleo no mercado acabe por ter um efeito diminuto no abastecimento global. "Os volumes são bastante pequenos num contexto mais amplo", explica Ole Hvalbye, analista de commodities do SEB, à Reuters. "Se olharmos para o total das reservas estratégicas de petróleo dos EUA, encontramos 413 milhões de barris. Portanto, comparando isso com 30 ou 50 milhões de barris, os volumes não são muito substanciais", remata.
Dólar em alta ligeira. Investidores afastam geopolítica e centram-se nos dados do emprego dos EUA
O dólar segue em alta ligeira contra as principais rivais esta quarta-feira, num momento em que o foco dos investidores cambiais está nos dados do emprego dos EUA e no seu impacto nas taxas de juro da Reserva Federal (Fed), ultrapassando os receios geopolíticos da situação na Venezuela.
O índice do dólar DXY sobe 0,1% para 98,67. O euro recua 0,03% para 1,1686 contra a nota verde, que por sua vez ganha 0,07% para 156,74 contra o iene.
“Os traders parecem estar satisfeitos com a retórica vinda dos EUA que implica que as as ‘botas no terreno’ não serão necessárias para governar a Venezuela”, assinala Thierry Wizman, estratega global de taxas e forex do Macquarie Group, à Reuters.
"Uma invasão militar e um prolongado conflito no terreno arriscariam uma grande depreciação do dólar, como nas guerras do Iraque e Afeganistão de 2002-2008”, acrescenta.
Afastada por enquanto essa possibilidade quanto à Venezuela, os investidores aguardam pelos importantes dados do relatório do emprego dos EUA, agendados para sexta-feira, um dos principais elementos que a Fed utiliza para definir a política monetária e que serão decisivos para que os responsáveis decidam se avançam para novos cortes das taxas.
Já esta quarta-feira, foram conhecidos os dados laborais do setor privado, que ficaram abaixo do esperado, fortalecendo a perspetiva de reduções das taxas de juro pelo banco central dos EUA.
Foram criados 41.000 empregos em dezembro, de acordo com os dados da ADP, quando os economistas sondados pelo WSJ previam um aumento de 48.000. Contudo, os dados do mês anterior foram revistos em alta ligeira, passando para uma queda de 29.000 face à perda de 32.000 empregos inicialmente apurada.
Wall Street dividida após dados do emprego nos EUA
As bolsas norte-americanas estão a negociar sem tendência definida, com o S&P 500 e o Dow Jones, que ontem atingiram novos recordes, a recuarem ligeiramente. O mercado continua atento ao conflito geopolítico entre os EUA e a Venezuela, num cenário de risco em constante mudança, reagindo também aos novos dados sobre o mercado laboral da maior economia do mundo.
O setor privado dos EUA criou 41 mil postos de trabalho em dezembro, segundo dados da ADP/Stanford Lab, divulgados esta quarta-feira. inferior às estimativas dos economistas e analistas, que apontavam para os 47 mil empregos. Assim, as contratações em dezembro aumentaram a um ritmo moderado, indicando também um impulso lento rumo a 2026.
“As novas quedas nas taxas de contratação e demissão do relatório JOLTS reforçariam os sinais de quebra na procura por mão de obra”, escreveu Elias Haddad, da Brown Brothers Harriman, à Bloomberg. “Se isto acontecer, validaria os cortes de 50 pontos-base" esperados pelo mercado, bem como iria causar pressão sob o dólar.
Os analistas consideram que os investidores vão manter-se cautelosos nos próximos dias e evitar investimentos excessivos até à publicação dos dados da criação de emprego, na sexta-feira.
Após na sessão anterior terem atingido um novo recorde, o S&P 500 negoceia com quedas muito ligeiras, para os 6.945,24 pontos, e o industrial Dow Jones estende os máximos históricos ao somar 0,32% para 49.621,43 pontos. O tecnológico Nasdaq Composite registou grande volatilidade nos primeiros minutos de negociação, oscilando entre pequenos ganhos e perdas, mas perto dos valores de fecho de ontem, nos 23.549,58 pontos.
Os mercados também estarão de olho nos desenvolvimentos geopolíticos, incluindo os acontecimentos na Venezuela e o uso dos recursos petrolíferos do país, após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, este fim de semana. Segundo Donald Trump, os norte-americanos vão receber entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela, avaliados em cerca de 2,8 mil milhões de dólares aos preços atuais. A decisão marca uma escalada da influência económica dos EUA no país sul-americano, aumentando a incerteza sobre o futuro da governação do país. Os EUA têm ainda a Gronelândia na mira.
Entre os principais movimentos de mercado, as tecnológicas do setor da inteligência artificial continuam a dominar a negociação. A Mobileye Global dispara 8,7% após anunciar que vai adquirir a startup de robótica Mentee Robotics, por cerca de 900 milhões de dólares.
A GameStop ganha 5,15%, com a reação do mercado ao anúncio da empresa de que tenciona remunerar o CEO, Ryan Cohen, num plano avaliado em 35 mil milhões de dólares.
Nas criptomoedas, a Strategy sobe 4% após a MSCI desistir de um plano para excluir a empresa de gestão de bitcoins e outras empresas de tesouraria de criptomoedas dos seus índices.
Taxa Euribor sobe a três meses e desce a seis e a 12 meses
A taxa Euribor subiu esta quarta-feira a três meses e desceu a seis e a 12 meses em relação a terça-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que avançou para 2,032%, permaneceu abaixo das taxas a seis (2,103%) e a 12 meses (2,259%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, caiu, ao ser fixada em 2,103%, menos 0,001 pontos que na terça-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a novembro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,6% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,84% e 25,17%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também baixou, para 2,259%, menos 0,002 pontos do que na sessão anterior.
Em sentido contrário, a Euribor a três meses subiu, para 2,032%, mais 0,006 pontos do que na terça-feira.
Em relação à média mensal da Euribor de dezembro, esta voltou a subir a três, a seis e a 12 meses, mas de forma mais acentuada no prazo mais longo.
A média mensal da Euribor em dezembro subiu 0,006 pontos para 2,048% a três meses e 0,008 pontos para 2,139% a seis meses. A 12 meses, a média mensal da Euribor avançou 0,050 pontos para 2,267%.
Na reunião de 18 de dezembro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas diretoras, de novo, pela quarta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou este ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 04 e 05 de fevereiro, em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa negoceia sem tendência. Petrolíferas pressionam índices
Os principais índices europeus negoceiam sem tendência definida esta manhã, à medida que o Stoxx 600 se afasta de máximos históricos atingidos na sessão de ontem, com a recuperação dos ativos de risco registada no arranque do ano a perder gás, enquanto investidores aproveitam para retirar mais-valias.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – recua neste momento 0,02%, para os 605,16 pontos, depois de ter ontem ultrapassado os 600 pontos pela primeira vez.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX avança 0,47%, o espanhol IBEX 35 sobe 0,07%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,04%, o francês CAC-40 cede 0,17%, o britânico FTSE 100 desvaloriza 0,51%, ao passo que o neerlandês AEX perde 1%, pressionado pela queda de mais de 2% da tecnológica ASML – cotada mais valiosa da Europa.
Os ganhos registados nas últimas sessões empurraram o chamado Índice de Força Relativa (RSI) de 14 dias - um indicador de "momentum" que mede a velocidade e a mudança dos movimentos dos preços num determinado período temporal - das ações europeias e asiáticas acima dos 70 pontos, sinalizando que entraram em território de sobrecompra.
Os dados económicos dos EUA sobre o mercado de trabalho e a atividade empresarial, que serão divulgados esta semana, devem testar se o recente otimismo ainda se mantém. Isto à medida que os investidores parecem continuar a deixar de lado preocupações com os riscos geopolíticos, incluindo os relacionados com a Venezuela.
Entre os setores, o do petróleo e gás (-1,71%) e o dos bens domésticos (-1,65%) lideram as perdas. No setor petrolífero, a queda dos preços do crude registada esta manhã, bem como expectativas de um excesso de oferta no primeiro semestre do ano seguem a pressionar a negociação de cotadas como a BP (-3,65%) e a TotalEnergies (-2,16%). Por outro lado, as “utilities” (+1,92%) e o imobiliário (+1,62%) registam os maiores ganhos.
Juros da dívida soberana da Zona Euro aliviam
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro estão a aliviar em toda a linha, à medida que os investidores olham para lá das tensões geopolíticas e aguardam a divulgação de importantes dados macro nos dois lados do Atlântico.
Hoje serão divulgados os dados de vendas a retalho e desemprego na Alemanha e o índice de confiança dos consumidores relativo a dezembro em França, ao passo que nos EUA serão conhecidas as ofertas de emprego (JOLTS) e os dados sobre a criação de emprego no sector privado (ADP).
Assim, os juros das "Bunds" alemãs, com maturidade a dez anos e que servem de referência para a Zona Euro, estão a cair 2,9 pontos-base para 2,811%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade desce 3,1 pontos para 3,520% e a italiana recua também 3,1 pontos para 3,501%.
Na Península Ibérica a tendência é semelhante, com a "yield" das obrigações portuguesas a descer 2,8 pontos-base para 3,106% e os juros das obrigações espanholas, a dez anos, a caírem 2,9 pontos para 3,239%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, recuam 3,7 pontos-base, para 4,442%.
Dólar estável com "traders" à espera de dados económicos. Euro recua em dia de inflação
O dólar está a negociar de forma estável e sem grandes alterações esta manhã, antes da divulgação de uma série de dados económicos que irão ajudar a perceber qual poderá ser o rumo da política monetária do lado de lá do Atlântico, fator que está a pesar mais na negociação do que as tensões geopolíticas.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – recua 0,07%, para os 98,651 pontos.
Também no radar dos “traders” está a proibição imposta pela China às exportações de bens com uso dual para o Japão, marcando a mais recente medida de Pequim em reação a uma declaração feita no início de novembro pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan.
A esta hora, o dólar segue a perder 0,05%, para os 156,570 ienes.
Já pela Europa, a moeda única desvaloriza 0,05%, para os 1,168 dólares, num dia em que são conhecidos dados da inflação pela Zona Euro. A libra, por sua vez, segue a mesma tendência e recua 0,03%, para os 1,349 dólares.
Ouro corrige dos ganhos recentes, traders olham para os dados dos EUA
Após ter acumulado uma valorização superior a 4% nas três últimas sessões, o ouro segue a negociar em baixa, com os investidores a olharem para além das tensões geopolíticas e a centrarem-se nos dados económicos dos Estados Unidos previstos para esta semana.
O metal precioso segue a cair 0,6% para 4.467,68 dólares por onça.
Apesar de o contexto geopolítico continuar frágil, os mercados estão a virar atenções para uma agenda carregada de indicadores económicos vindos do outro lado do Atlântico, incluindo o relatório do emprego de dezembro, que será conhecido na sexta-feira. Um indicador da atividade industrial divulgado na terça-feira ficou abaixo do esperado, reforçando as expectativas de novos cortes das taxas de juro por parte da Reserva Federal.
A estas expectativas somam-se as declarações do governador da Fed, Stephen Miran, que afirmou à Fox Business Network que o banco central dos EUA terá de reduzir as taxas de juro em mais de um ponto percentual em 2026, argumentando que a política monetária está a travar a economia. Três cortes consecutivos das taxas no ano passado deram um forte impulso aos metais preciosos, que não oferecem rendimento.
O Presidente Donald Trump afirmou que a Venezuela entregaria até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, enquanto a Casa Branca recusou a excluir o uso de força militar para conseguir a Gronelândia. A China, por sua vez, impôs controlos às exportações para o Japão de bens com potencial utilização militar.
Outros metais também corrigem das valorizações recentes, com a prata a descer 1,8% para 79,80 dólares por onça, a platina afunda 4,83% para 2.325,72 dólares e o paládio perde 3,27% para 1.762,93 dólares.
Petróleo perde mais de 1% após declarações de Trump sobre acordo com Venezuela
Os preços do petróleo seguem a negociar com perdas nesta quarta-feira, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito que os EUA chegaram a um acordo para importar dois mil milhões de dólares em petróleo venezuelano, medida que, a confirmar-se, irá aumentar o abastecimento de crude do maior consumidor mundial de petróleo.
O West Texas Intermediate - de referência para os EUA – recua 1,49%, para os 56,28 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – segue a desvalorizar 1,09% para os 60,04 dólares por barril.
O acordo anunciado pelo republicano pode inicialmente exigir que cargas com destino à China sejam redirecionadas, sendo que a Venezuela pode estar a tentar descarregar milhões de barris de "ouro negro" que estão retidos em petroleiros e instalações de armazenamento para evitar uma escalada adicional com os EUA.
Os analistas notam que o acordo deverá manter os preços do crude em baixa num mercado que já se bate com um excesso de oferta. Nesta medida, analistas do Morgan Stanley estimaram que o mercado poderá atingir um excedente de até 3 milhões de barris por dia no primeiro semestre de 2026, com base no fraco crescimento da procura no ano passado e no aumento da oferta dos produtores da OPEP e aliados.
Tensões entre Pequim e Tóquio tiram gás às bolsas asiáticas
Os índices asiáticos encerraram a sessão desta quarta-feira com uma maioria de perdas, depois de terem registado o melhor início de ano de sempre que levou as principais praças bolsistas da região a atingirem novos recordes. Pela Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 negoceiam praticamente inalterados.
Pelo Japão, o Nikkei perdeu 1,06% e o Topix caiu 0,77%. O sul-coreano Kospi - índice com grande peso de cotadas ligadas à tecnologia e inteligência artificial - avançou 0,57%, tendo atingido um novo recorde durante a sessão nos 4.611,72 pontos, ao passo que o índice de referência de Taiwan perdeu 0,46%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 1,14% e o Shanghai Composite somou ligeiros 0,052%, tendo renovado máximos históricos nos 4.098,78 pontos.
Depois de quatro sessões consecutivas de fortes ganhos pela Ásia, o Índice de Força Relativa (RSI) de 14 dias - um indicador de "momentum" que mede a velocidade e a mudança dos movimentos dos preços num determinado período temporal - do “benchmark” regional MSCI Ásia-Pacífico escalou acima dos 70 pontos esta semana, entrando em território de sobrecompra pela primeira vez desde outubro.
A influenciar as perdas estiveram novas tensões comerciais entre a China e o Japão. Nesta linha, Pequim decidiu impor novos controlos às exportações para o país vizinho e nem o otimismo em relação à inteligência artificial e as expectativas de flexibilização de política monetária pelos EUA conseguiram impulsionar as ações.
O ministério do Comércio chinês indicou em comunicado, citado pela Lusa, que passa a estar proibida a exportação de artigos com potenciais aplicações militares, se destinados a utilizadores finais japoneses do setor militar ou a qualquer uso que possa reforçar a capacidade bélica do Japão.
A medida entrou em vigor no momento da sua publicação. Um porta-voz do ministério justificou a decisão com "declarações erróneas" de responsáveis japoneses sobre Taiwan, nas quais "insinuaram a possibilidade de uma intervenção militar no Estreito", o que, segundo Pequim, constitui "grave interferência" nos assuntos internos da China e uma violação do princípio de "uma só China".
As declarações em causa remontam a novembro, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu que o eventual uso da força por parte da China em Taiwan poderia justificar uma intervenção das Forças de Autodefesa do Japão.
E à medida que a incerteza geopolítica cresce um pouco por toda a parte, Naomi Fink, da Amova Asset Management, antecipa à Bloomberg que “teremos um caminho mais acidentado do que os mercados estão a prever”, já que “as tensões geopolíticas estão generalizadas em todo o mundo atualmente [e] o mercado está, de certa forma, a ignorá-las”.
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