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EUA vão receber até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano

Donald Trump anunciou que o crude será vendido a preço de mercado, num movimento que afasta a China e pressiona o mercado petrolífero.

Donald Trump
Donald Trump Alex Brandon/AP
07 de Janeiro de 2026 às 12:44

Os Estados Unidos vão receber entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela, avaliados em cerca de 2,8 mil milhões de dólares aos preços atuais, anunciou o Presidente Donald Trump, numa decisão que marca uma escalada da influência económica dos EUA no país sul-americano.

Tenho o prazer de anunciar que as Autoridades Interinas na Venezuela irão entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade, sujeito a sanções, aos Estados Unidos da América”, escreveu Trump numa publicação nas redes sociais, citada pela Bloomberg.

Este petróleo será vendido a preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como Presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que é usado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos”, acrescentou.

O anúncio foi feito na terça-feira, com poucos detalhes operacionais, após a captura de Nicolás Maduro no fim de semana e num contexto de bloqueio parcial imposto por Washington às exportações venezuelanas. Os volumes referidos equivalem a 30 a 50 dias de produção antes das sanções, muito abaixo dos níveis históricos.

O impacto foi imediato no mercado com o West Texas Intermediate (WTI) a cair até 2,4% para perto dos 56 dólares por barril.  O movimento constitui um revés para a China, até aqui o principal comprador do petróleo venezuelano com descontos significativos. Com o comércio praticamente interrompido, Pequim poderá procurar crude de outras origens, como Iraque ou Canadá.  

Apesar de deter as maiores reservas provadas do mundo, a Venezuela representa hoje menos de 1% da oferta global, após anos de subinvestimento e saída de petrolíferas. A agência refere que existe crude acumulado em tanques e navios, com a estatal PDVSA a ficar sem capacidade de armazenamento, segundo dados da Kpler.

A Chevron permanece como a última empresa norte-americana a produzir e exportar petróleo venezuelano ao abrigo de uma isenção às sanções, tendo fretado para os portos de Jose e Bajo Grande.

Analistas citados pela agência consideram que o efeito é sobretudo político. “Mesmo no limite superior, 30 a 50 milhões de barris é significativo politicamente, mas reduzido economicamente — é um fluxo pontual, não uma mudança estrutural da oferta”, afirmou Haris Khurshid, da Karobaar Capital.

O crude venezuelano, pesado e com elevado teor de enxofre, é adequado às refinarias do Golfo do México, podendo beneficiar operadores como a Phillips 66 e a Valero Energy, cujas ações reagiram em alta após a detenção de Maduro.

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