Procura na mega emissão de Portugal mais do que duplica e atinge recorde

O IGCP angariou todo o capital que pretendia nesta venda de dívida sindicada, arrecadando quatro mil milhões de euros. Os "joint lead managers" captaram mais de 1,5 mil milhões e a taxa de juro ficou nos 3,250%.
Vítor Mota
Diogo Mendo Fernandes e Pedro Barros Costa 08 de Janeiro de 2026 às 13:00

Portugal colocou quatro mil milhões de euros numa emissão de dívida a dez anos junto dos bancos. De acordo com os dados da operação adiantados pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP, a taxa de cupão fixou-se nos 3,250%, correspondente a uma "yield" de 3,254%, ou 34 pontos base acima da taxa "mid swap" do euro a dez anos.

Com um spread final de 37,9 pontos base contra as obrigações alemãs com maturidade semelhante, "este é o spread mais curto em relação à Alemanha para uma nova emissão sindicada a 10 anos desde 2007", refere o IGCP. 

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A agência refere no comunicado da operação que "capitalizou o sentimento global de adesão ao risco na primeira semana do novo ano, aproveitando uma clara janela de emissão perante um mercado primário ocupado", com a emissão a beneficiar também da "trajetória ascendente do rating da República de Portugal ao longo de 2025".   

Entre os bancos mandatados como "joint lead managers" da operação estiveram o Barclays, BBVA, BNP Paribas, CaixaBI, Citi e HSBC, que terão, de acordo com o IGCP, captado 1,62 mil milhões.

Os investidores ofereceram-se para comprar 49 mil milhões de euros, mais de 12 vezes do que o IGCP pretendia, o que representa um novo recorde, com mais de 280 ordens. A linha atinge a maturidade a 13 de junho de 2036.

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Tanto a procura como o juro pago foram mais favoráveis do que na última emissão comparável, em janeiro do ano passado, em que o , com uma taxa de juro em torno dos 3,08%. A procura duplicou mesmo face à dessa venda, que tinha sido de 6,25 vezes acima da oferta.

Recorde-se que é habitual que no arranque do ano o IGCP recorra ao mercado para uma emissão sindicada de dívida.

As necessidades de financiamento líquidas deverão situar-se em, o que compara com os 10,8 mil milhões de 2025, segundo indica o programa de financiamento do IGCP. Angariados quatro mil milhões de euros Portugal captou um sexto das necessidades de financiamento brutas de obrigações do Tesouro para o ano, nos 24 mil milhões de euros.

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Em mercado secundário, os juros da dívida portuguesa com maturidade a 10 anos, aumentaram 0,1 pontos base para 3,105%, em linha com a tendência no resto da Europa.

*Texto atualizado às 19:09 com dados finais da operação avançados pelo IGCP    

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