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10 anos depois, Moody’s retira CGD do lixo

A agência de notação financeira melhorou em um nível o rating da Caixa Geral de Depósitos, que passa agora para a categoria de investimento de qualidade.

Pedro Ferreira
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 13 de Julho de 2021 às 14:32
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A Moody’s elevou em um nível o rating da dívida sénior de longo prazo da CGD, de Ba1 para Baa3 – que deixa assim de recair na categoria de investimento especulativo (o chamado "lixo") para passar a pertencer à categoria de investimento de qualidade.

 

Já o "outlook" (perspetiva para a evolução da qualidade da dívida) foi mantido em ‘estável’.

 

Esta elevação da dívida sénior de longo e curto prazo da CGD marca o regresso à categoria de "investment grade" pela Moody’s, após um período de 10 anos, "constituindo um importante marco na evolução e no posicionamento da Caixa no mercado, e ocorre na sequência de três subidas verificadas durante a implementação do Plano Estratégico 2017-2020, fruto do progressivo reforço da solidez, rentabilidade e qualidade dos ativos", sublinha o banco em comunicado à CMVM.

 

Com esta alteração o banco liderado por Paulo Macedo (na foto) tem agora uma notação de investimento de qualidade por duas das principais agências internacionais – sendo que a outra é a DBRS, que atribui um BBB (alto), o que corresponde a três níveis acima de lixo.

Das três agências que atribuem nota à Caixa, apenas a Fitch mantém ainda um rating no patamar especulativo, mas a apenas um nível de passar para o escalão de qualidade.

 

Em abril de 2011, quando Portugal pediu ajuda externa, a CGD tinha um rating de A1 por parte da Moody’s, tendo sido reduzido em três níveis nesse mês, para Baa1. Passados três meses, o rating da instituição foi reduzido em mais três níveis, para Ba1, entrando então no patamar de "junk" - a par do que aconteceu com a dívida da República - de onde só agora saiu.

Após esta notação em julho de 2011 que levou a Caixa para o nível de investimento especulativo, o banco foi ainda objeto de mais três cortes da notação até junho de 2015. Assim, entre abril de 2011 e junho de 2015, a CGD foi alvo de cinco reduções do rating – num total de nove níveis.

 

O início da inversão só se deu em 2017, com a subida de um nível em fevereiro de 2017, aquando da recapitalização.

 

Em outubro de 2018, com a melhoria da qualidade dos ativos, a Moody’s elevou a classificação da CGD em dois níveis, para Ba1, permanecendo no entanto num patamar de lixo.

 

A subida agora anunciada eleva então a dívida da CGD para a categoria de qualidade, após a conclusão do plano estratégico da instituição.

 

De sublinhar que a dívida sénior de curto prazo, incluindo papel comercial, foi melhorada de ‘Não Prime’ [quando o investimento é considerado altamente especulativo, dado o risco de crédito existente e com margem de segurança limitada] para P-3 [investimento de qualidade].

 

Por seu lado, a classificação da dívida sénior não preferencial de longo prazo subiu em um nível, de Ba2 para Ba1, ficando assim a apenas um ‘notch’ de deixar a categoria especulativa.

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