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Caixa deverá pagar mais de 11% por dívida perpétua

A Bloomberg revela que o preço a que a Caixa Geral de Depósitos vai vender os 500 milhões de euros de dívida perpétua poderá ficar fechado ainda esta quinta-feira. Os juros podem superar os 11%.

Pedro Elias
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 23 de Março de 2017 às 09:47
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O preço a que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai conseguir colocar 500 milhões de euros de dívida perpétua poderá ficar fechado esta quinta-feira, 23 de Março, revela a Bloomberg que cita uma fonte próxima do processo mas que quis permanecer anónima.

 

Os juros associados a esta emissão vão rondar os 11% a 11,5%, segundo a mesma fonte.

 

Estes valores corroboram a perspectiva de que esta emissão será realizada a preços elevados. Tal como já tinha sido noticiado, admitia-se que a taxa de juro que o banco terá que suportar para colocar estas obrigações poderia chegar a 10%. Os especialistas consultados pelo Negócios tinham já admitido que o mercado exigisse um prémio significativo ao banco público.

 

A Caixa revelou ontem que os investidores contactados no âmbito do "roadshow" para a emissão de dívida perpétua demonstraram um "forte interesse na operação", tendo o banco reunido com 120 investidores nas apresentações que realizou durante três dias nas cidades de Lisboa, Londres e Paris.

 

Ainda assim, apesar do "forte interesse" o preço que a Caixa deverá ter de pagar pela operação é elevado.

 

A Caixa Geral de Depósitos vai realizar a emissão de 500 milhões de euros de dívida perpétua a partir do Luxemburgo. A opção por esta praça deve-se ao facto de estar em causa uma emissão destinada apenas a investidores institucionais e de o mercado luxemburguês ter tradição na colocação de instrumentos aceites para o cálculo dos rácios de solidez adicional como acontece com a operação do banco liderado por Paulo Macedo.

 

Esta emissão é determinante para que o aumento de capital do banco público avance, isto porque a injecção de capital do Estado, no valor de 2,5 mil milhões de euros, só poderá ser feita em paralelo com esta operação.

 

Estas obrigações têm um "trigger" de 5,125%, que equivale ao rácio de capital "common equity tier one" que, se for atingido pela CGD, implicará automaticamente perdas para os detentores destas obrigações perpétuas.

Perguntas e respostas

Quem pode investir, quando poderão ser amortizadas, qual o risco associado são algumas das perguntas esclarecidas.

 

 

Qual o objectivo desta emissão?
Esta emissão no valor de 500 milhões de euros corresponde à primeira tranche de um total de 930 milhões de euros de dívida subordinada que a CGD vai emitir e que faz parte da segunda fase do plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, acordado entre o Estado Português e a Comissão Europeia. 

Qual o Prazo do investimento?
A emissão é perpétua, mas a CGD poderá amortizá-la antecipadamente ao fim de 5 anos e a partir dessa data, em cada uma das datas de pagamento de juros, sujeito a autorização por parte das autoridades competentes. 

Qual a Taxa de Juro?
A taxa de juro dos Valores Mobiliários ainda não está definida, dependendo da procura por parte dos investidores interessados e das condições de mercado. 

Qual o risco destes títulos? 
Caso o rácio de fundos próprios principais de nível 1 (CET1) consolidado ou individual da CGD desça abaixo de 5,125%, o valor nominal dos Valores Mobiliários será reduzido de forma a repor o referido rácio de fundos próprios principais de nível 1. Esta redução pode ser temporária, uma vez que se a CGD voltar a ter lucros, poderá repor o valor nominal dos Valores Mobiliários desde que, ao fazê-lo, o rácio de fundos próprios principais de nível 1 não desça abaixo de 5.125%. 

As obrigações podem ser convertidas em ações?
Não, não faz parte das condições da emissão. Por lei as acções da Caixa Geral de Depósitos apenas podem ser detidas Estado Português. Para garantir isso a emissão prevê o mecanismo de redução do valor nominal dos títulos e não a conversão em acções.

Qual a relação entre a Emissão de AT1 e o aumento de capital em dinheiro no valor de 2.500M€ por parte do Estado Português?
A data de realização do aumento de capital em dinheiro no valor de 2.500M€ por parte do Estado coincide com a data de liquidação financeira dos títulos por parte dos investidores. Estas duas operações são interdependentes porquanto a não realização de uma delas implica que a outra não se realize. 

A quem se destinam estes títulos?
A emissão não se destina ao público em geral, apenas a investidores institucionais profissionais (privados), nomeadamente fundos de investimento, hedge funds, fundos de pensões e seguradoras, identificados como tal pelos bancos de investimento que irão assistir a Caixa no processo de colocação de dívida. 

Uma empresa poderá investir nestes títulos?
Apenas se se tratar de uma empresa classificada como investidor institucional profissional, identificada como tal pelos bancos de investimento que irão assistir a Caixa no processo de colocação de dívida. 

Um investidor particular de alto rendimento, residente na UE pode investir nestes títulos?
Não. A emissão não pode ser colocada em investidores particulares.

Porquê fazer a emissão no Luxemburgo? 
Porque a CGD tem habitualmente admitidos neste mercado valores mobiliários emitidos no âmbito do seu programa de European Medium Term Notes (EMTN) – mais de 400 emissões realizadas desde o ano 2000 – quando as mesmas se destinam exclusivamente a investidores institucionais. 

Em que mercados emitem os emitentes internacionais?
As praças do Luxemburgo e da Irlanda são um standard internacional para este tipo de emissões, dada a tipologia de investidores alvo, sendo que a grande maioria das emissões de AT1 realizadas por bancos europeus estão cotadas num destes dois mercados.

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