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"Hedge funds" ficaram com mais de 40% das obrigações da Caixa

O banco do Estado colocou dívida perpétua junto de mais de 160 investidores. Apenas 14% ficou em Portugal.  

Pedro Elias
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 23 de Março de 2017 às 20:31
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A Caixa Geral de Depósitos concluiu esta quinta-feira a emissão de 500 milhões de euros em dívida subordinada que conta como capital (AT1), numa emissão que constou com uma forte participação de "hedge funds".

 

De acordo com um comunicado do banco do Estado colocado na CMVM, os títulos de dívida foram subscritos por mais de 160 investidores, com as ordens a totalizarem mais de 2 mil milhões de euros, o que superou em mais de quatro vezes o montante da emissão, de 500 milhões de euros.

 

A Caixa revelou também a distribuição da colocação dos títulos, quer por tipo de investidores, quer por geografia. As gestoras de activos ficaram com praticamente metade dos títulos, sendo que os "hedge funds" compraram 41%. Uma distribuição explicada pelo risco elevado dos títulos colocados, que atraem os investidores mais propensos ao risco, como é o caso dos "hedge funds".

 

Os investidores do Reino Unido compraram mais de metade dos títulos (59%), sendo que os portugueses ficaram apenas com 14%.

 

Tal como já tinha sido noticiado, a taxa de juro das obrigações ficou em 10,75%, com a Caixa a destacar que se situou "claramente abaixo do intervalo inicial de preço (entre 11% e 11,5%), reflectindo a referida procura o conjunto de riscos intrínsecos deste tipo de instrumentos, a ausência de emissões similares de emitentes nacionais, o facto da CGD não ser um banco cotado em Bolsa, bem como as recentes comunicações de agentes de mercado".

 

Os analistas contactados pelo Negócios previam, antes da operação que o banco público tivesse de acenar com um prémio generoso, apesar de reconhecerem que era difícil encontrar entidades que emitiram em condições semelhantes à da CGD.

 

Além desses motivos, enumeravam ainda a necessidade da CGD fazer essa emissão para cumprir com as directrizes da Comissão Europeia como algo que os investidores iriam fazer reflectir no preço. "Como a emissão de obrigações AT1 é parte do plano de recapitalização, é importante que tenha êxito. E os investidores irão, provavelmente, ter isso em conta quando decidirem qual deverá ser o preço desses instrumentos", tinha referido Pauline Lambert, directora da Scope Ratings, ao Negócios. 

 

O banco do Estado acrescenta que "esta transacção permite concluir a segunda fase do Plano de Recapitalização da CGD, num montante total de 3.000 milhões de euros, no decorrer deste mês".

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