Obrigações Commerzbank adverte: Juros zero "para sempre" aumentam "perigo de bolhas"

Commerzbank adverte: Juros zero "para sempre" aumentam "perigo de bolhas"

O banco alemão alerta para os perigos inerentes à proposta de Olli Rehn, do banco central da Finlândia.
Nuno Carregueiro 03 de abril de 2019 às 13:33

Alterar os objetivos da política monetária do Banco Central Europeu pode prolongar por vários anos o período de taxas de juro zero na Zona Euro, o que aumentará também o perigo de se formarem bolhas nos mercados financeiros e no imobiliário.

 

O alerta foi deixado esta quarta-feira pelo Commerzbank, que analisou as implicações das propostas do governador do banco central da Finlândia.

 

Olli Rehn, que tem assento no conselho de governadores do BCE, e que é apontado como um dos favoritos a suceder a Mario Draghi à frente do banco central, defendeu recentemente uma alteração à estratégia de política monetária do BCE.

 

O finlandês, que já foi comissário europeu para os Assuntos Económicos, defendeu a adoção de uma meta temporária para a evolução dos preços quando a inflação persiste abaixo da meta dos 2%. Assim, o BCE só teria de subir os juros quando a inflação da Zona Euro ficasse acima dos 2% por um período longo de tempo, de modo a compensar o tempo em que se situou bem abaixo da meta.

  

Para o Commerzbank esta proposta é "perigosa". "Se o BCE quiser manter as taxas de juro zero durante muito mais tempo na luta contra a inflação baixa, subirá o risco de surgirem bolhas perigosas no mercado financeiro e imobiliário", refere o researh intitulado "Taxas de juro zero para sempre?".  

 

O banco alemão lembra o que aconteceu nos Estados Unidos quando rebentou a bolha tecnológica em 2000. A Reserva Federal manteve os juros baixos durante muito tempo e em níveis inferiores aos que se justificavam tendo em conta os valores da inflação e do crescimento. "A Fed promoveu a emergência de bolhas no imobiliário e na dívida, que rebentaram em 2007 e afundaram as economias ocidentais numa severa recessão que contribuiu para a baixa inflação na Zona Euro", conclui o Commerzbank, alertando que a história poderá agora repetir-se.

 

Os economistas do banco alemão advertem que uma reforma na estratégia da política monetária do BCE "não pode conduzir a uma política monetária ainda mais branda, ou por outras palavras, não fazer mais do mesmo, ainda que os ministros das Finanças dos países altamente endividados do sul da Europa o recebam de bom agrado".

 

Pelo contrário, o Commerzbank defende que o BCE necessita de adotar uma estratégia de estabilização, visando não apenas a estabilidade de preços, mas também a estabilidade financeira. "Se, por exemplo, os preços das casas e os volumes de crédito subirem de forma muito rápida, [o BCE] deve subir as taxas de juro mesmo se a inflação estiver em níveis reduzidos, de modo a evitar bolhas perigosas", conclui o banco.  

 

O Commerzbank fez um exercício (ver gráfico em baixo) para testar a aplicação da proposta de Rehn, tendo concluído que se aplicar a sua estimativa para a inflação nos próximos anos o BCE manterá as taxas de juro nos atuais mínimos históricos até à primavera de 2024.




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