Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Portugal emite dívida de curto prazo com as taxas negativas mais baixas de sempre

O IGCP emitiu um total de 1.750 milhões em bilhetes do Tesouro com maturidades a seis e 12 meses. As taxas a que os títulos foram emitidos atingiram mínimos históricos.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 16 de Setembro de 2020 às 10:37
  • Assine já 1€/1 mês
  • 2
  • ...

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) realizou esta quarta-feira um duplo leilão de dívida de curto prazo (a seis e 12 meses), voltando a conseguir financiar-se a taxas negativas, que foram mesmo as mais baixas de sempre nas respetivas maturidades.

Foram colocados 1,25 mil milhões milhões em Bilhetes do Tesouro com maturidade em 17 de setembro de 2021 e com uma taxa de -0,497%, que é inferior à registada na última emissão comparável. A 19 de agosto, o IGCP tinha emitido 950 milhões de euros em títulos com maturidade de 11 meses com uma taxa de -0,473%.


De acordo com dados da Bloomberg, nunca o IGCP tinha colocado dívida a 12 meses com uma taxa tão baixa.  


Esta quarta-feira, o IGCP também emitiu 500 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro com maturidade em 19 de março de 2021 (seis meses), tendo a taxa ficado em -0,52%. Na última emissão comparável, realizada em julho, o instituto liderado por Cristina Casalinho colocou títulos a seis meses com uma "yield" de -0,467%.

Também de acordo com a Bloomberg, nunca até hoje Portugal tinha emitido dívida a seis meses com uma taxa inferior a -0,5%.



Neste duplo leilão, o IGCP angariou um total de 1.750 milhões de euros, em linha com o montante máximo pré-definido entre 1.500 milhões e 1.750 milhões de euros. A pandemia aumentou as necessidades de financiamento do Estado português, levando o IGCP a reforçar as emissões de dívida no mercado.

Isto numa altura em que continua elevado o apetite dos investidores por dívida portuguesa (e de outros países do euro). Na emissão as 12 meses a procura superou a oferta em 1,86 vezes. Na emissão de títulos a seis meses a procura foi 2,36 vezes superior.

"Volta a ser um leilão com sucesso. Os discursos dos vários banqueiros centrais têm sido claros, as taxas irão manter-se baixas ou negativas por um período longo de tempo", refere Filipe Silva, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa, salientando que "as taxas obtidas acabam por refletir a conjuntura global que vivemos, que vai no sentido de beneficiar os emitentes de dívida em detrimento dos investidores, no entanto sempre com o sentido de que a prazo, a economia irá recuperar".

Ver comentários
Saber mais Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública IGCP Bilhetes do Tesouro
Mais lidas
Outras Notícias