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Portugal emite dívida a 6 anos com taxa negativa e paga juro mais baixo do ano para emitir obrigações a 10 anos

O IGCP angariou 1.250 milhões de euros num duplo leilão de dívida a seis e 10 anos. Portugal conseguiu taxas negativas para se financiar a seis anos e pagou a terceira taxa mais baixa de sempre para colocar as obrigações com maturidade em 2030.

Cristina Casalinho é a presidente do instituto que gera a dívida pública.
Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 22 de Julho de 2020 às 10:40
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A agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública realizou esta quarta-feira um duplo leilão de dívida de longo prazo, tendo suportado custos mais baixos para angariar um total de 1.250 milhões de euros.

O instituto que gere a dívida pública emitiu 820 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidade em 18 de outubro de 2030 (10 anos). A yield ficou em 0,352%, abaixo da taxa de 0,595% suportada na emissão de 920 milhões de euros realizada em junho nesta mesma linha.

A taxa da emissão de títulos a 10 anos é a mais baixa desde que em novembro do ano passado o IGCP aceitou pagar uma "yield" de 0,333% para colocar obrigações a 10 anos. O custo de 0,352% para emitir a dez anos foi o terceiro mais baixo de sempre. O mínimo foi registado em setembro do ano passado (0,264%).


O IGCP também colocou esta quarta-feira 430 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidade em 21 de julho de 2026 (seis anos), conseguindo mesmo taxas negativas. A "yield" ficou em -0,108%, bem abaixo do custo registado em junho, quando pagou 0,137% para colocar 585 milhões de euros a seis anos.

Portugal já tinha conseguido financiar-se a taxas negativas a seis anos, mas a registada hoje é a mais baixa de sempre. Em Fevereiro colocou títulos a seis anos com uma "yield" de -0,057% e em Abril, no pico do stress dos mercados com a pandemia, pagou uma taxa de 0,843% para emitir títulos com maturidade em 2026.

Além da descida das taxas, Portugal atraiu uma procura mais robusta face ao registado no duplo leilão de junho, o que mostra um aumento do apetite dos investidores por dívida portuguesa. A procura pelos títulos a dez anos quase duplicou a oferta (em junho tinha superado em 1,5 vezes) e nos títulos a seis anos a procura superou a oferta em 2,72 vezes (2,08 vezes em junho).

A descida dos custos de financiamento de Portugal reflete a baixa das taxas de juro no mercado secundário, que nos últimos dias têm descido sobretudo devido o acordo histórico alcançado na madrugada de terça-feira, com a aprovação no Conselho Europeu do Fundo de Recuperação e do próximo quadro financeiro plurianual (QFP, 2021-27), mobilizando um total de 1,82 biliões de euros.

(notícia em atualização)

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