Obrigações Portugal paga mais para emitir dívida de longo prazo

Portugal paga mais para emitir dívida de longo prazo

O IGCP pretendia financiar-se em até mil milhões de euros com este duplo leilão. Exactamente o valor que obteve naquela que foi a primeira emissão desde a turbulência em Itália.
Portugal paga mais para emitir dívida de longo prazo
Pedro Elias
Raquel Godinho 13 de junho de 2018 às 10:43

Pouco mais de um mês depois, o Tesouro português voltou ao mercado para realizar um duplo leilão de longo prazo. Esta foi, assim, a primeira operação depois da turbulência política em Itália que levou os juros portugueses para máximos de Setembro do ano passado. Na operação realizada esta quarta-feira, 13 de Junho, Portugal pagou mais para se financiar a cinco e a dez anos.

Nas obrigações com maturidade em Outubro de 2023, Portugal emitiu 412 milhões de euros e pagou uma taxa de juro de 0,746%, acima dos 0,529% que pagou na emissão comparável anterior há cerca de um mês. A procura superou em 2,7 vezes a oferta, sendo que na operação anterior este rácio tinha sido de 2,79 vezes.

O Tesouro português emitiu ainda 588 milhões de euros em títulos de dívida a dez anos. A taxa de juro fixou-se em 1,919%, acima dos 1,67% que pagou no início de Junho numa operação comparável. A procura superou em 2,28 vezes a oferta, tal como na referida emissão do início de Maio.

No caso da dívida emitida a cinco anos, a taxa de juro conseguida é a mais elevada desde Outubro do ano passado, quando numa emissão comparável o Estado pagou 0,916%. Já na dívida de mais longo prazo, a dez anos, a taxa foi a mais elevada desde a emissão realizada no passado mês de Fevereiro, quando se fixou nos 2,046%.

Neste duplo leilão, a agência responsável pela gestão da dívida pública portuguesa pretendia financiar-se entre 750 e 1.000 milhões de euros. Obteve o valor máximo pretendido: mil milhões de euros. Contudo, este era o montante indicativo mais baixo de operações de longo prazo desde Setembro do ano passado.

A última emissão de longo prazo foi realizada em Maio, altura em que o IGCP emitiu 483 milhões de euros a 10 anos, tendo pago um juro de 1,67%, o que correspondia à taxa mais baixa de sempre. No mesmo dia, emitiu 724 milhões de euros a cinco anos, com uma taxa de 0,529%.

A indefinição política vivida em Itália, no mês de Maio, foi sentida com particular intensidade nos juros da dívida pública portuguesa. A 28 de Maio, a "yield" da dívida a 10 anos chegou a superar os 2,5%, o que não acontecia desde Setembro de 2017. A tomada de posse do novo governo italiano acalmou a evolução dos juros portugueses que se têm mantido abaixo, mas próximos, dos 2%.

Além disso, os juros da dívida pública portuguesa têm também reflectido a expectativa dos investidores em torno da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e das indicações que podem ser dadas na reunião desta quinta-feira. O economista-chefe do banco central, Peter Praet, afirmou que o BCE já vê a inflação perto da meta, assim como a robustez do crescimento da Zona Euro e a subida dos salários.

Afirmações que foram vistas pelos investidores como um sinal de que a instituição liderada por Mario Draghi daria, esta quinta-feira, indicações mais precisas quanto ao momento escolhido para pôr fim ao programa mensal de compra de activos em vigor.

No mercado secundário, esta quarta-feira, a "yield" das obrigações portuguesas a cinco anos sobe 1,7 pontos-base para os 0,832%, enquanto na dívida a 10 anos, a taxa de juro desce 3,8 pontos-base para os 1,949%.


(Notícia actualizada às 11:00 com mais informação)