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Saída de Centeno "sem impacto" nos juros de Portugal

Os analistas dizem que a substituição do ministro das Finanças não deverá ter impacto nos juros da República. BCE continuará a ser o principal catalisador da dívida.

Lusa
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 09 de Junho de 2020 às 16:33
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No mesmo dia em que apresenta o orçamento suplementar, Mário Centeno entregou o seu pedido de demissão como ministro das Finanças. Apesar do "timing", a notícia não era propriamente inesperada e a reação no mercado foi pouco expressiva. Para os analistas, a saída de Centeno deverá ser um evento com pouco impacto nos juros da República.

 

A taxa de referência a 10 anos de Portugal seguia a agravar-se 5,1 pontos base para 0,565%, num movimento em linha com o registado pelas "yields" da periferia do euro. Os juros de Espanha subiam ainda mais que os de Portugal – taxa estava a avançar seis pontos para 0,602% - enquanto a "yield" a 10 anos de Itália se agravava perto de quatro pontos, num dia de quedas nas ações.

 

Estes movimentos são, segundo os analistas contactados pelo Negócios a prova que os investidores estão a dar pouca importância à saída de Centeno do cargo de ministro das Finanças. "A saída de Centeno tem impacto zero para a dívida. Aliás todo o ruído político não tem tido impacto nos juros", explica Filipe Silva.

 

O diretor de investimento do Banco Carregosa considera que os juros do país vão continuar a negociar "ao sabor das medidas anunciadas pelo Banco Central Europeu", acrescentando que se a notícia tivesse que ter impacto no mercado, este ter-se-ia sentido de imediato, sobretudo nas taxas mais longas, algo que não aconteceu.

 

"Há pouca razão para pensar que o mercado vai ficar nervoso com a notícia, particularmente dado que o BCE acabou de aumentar o seu programa pandémico (PEPP) na reunião de 4 de junho", acrescenta Christopher Attfield, analista do HSBC.

 

Da mesma opinião é Jens Peter Sørensen. O analista-chefe do Dansk Bank nota que a demissão de Centeno não deverá ter grande impacto, na medida em que a escolha para sair foi do próprio e "João Leão também vem do lado orçamental". "A menos que haja outra razão, que não conheçamos, deve ter um impacto limitado", conclui.

 

A ideia de continuidade deve, aliás, ser um fator de suporte, na medida em que João Leão era o braço direito de Centeno. "Deve até destacar-se o cuidado que se notou em dar precisamente essa imagem de continuidade, com os três intervenientes na flash de imprensa (Primeiro-ministro, o novo ministro e o ministro cessante)", destaca Filipe Garcia.

 

O economista da IMF nota que João Leão "é um nome credível, com experiência e domínio técnico aprofundado da matéria e parece pretender uma continuidade da linha de trabalho prosseguida por Centeno. No entanto, parece mais ligado ao PS e a António Costa do que Centeno, que sempre se mostrou independente".

A substituição do ministro das Finanças surge na véspera de Portugal regressar ao mercado de dívida de longo prazo. O IGCP realiza amanhã um leilão que pretende colocar entre 1.250 e 1.500 milhões de euros em obrigações com maturidade a seis e a 10 anos.

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